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Audi e-tron: o elétrico que está pronto para o mundo

SUV tem zero emissão e potência combinada de 408 cv; completo, ultrapassa os R$ 600 mil
Audi e-tron (Auto+)

A garagem da Audi, na Zona Sul da capital paulista, mais parecia um esconderijo de agentes secretos – bem ao estilo produção de Hollywood. Por trás de uma grande porta estavam ali, dois e-tron de cor Azul Antigua. Um destes era destinado para nossa avaliação. Fomos para a rua. Pode parecer só mais um lançamento, mas não é! Trata-se de um modelo 100% elétrico. Aliás, o primeiro da Audi para o mercado em geral.

Seu design chama atenção – e como chama! Sob as rodas de 21 polegadas, as pinças de freio em tom alaranjado dão aquele toque todo especial ao visual. E o que dizer dos retrovisores externos substituídos por câmeras? Pois é, o opcional (de R$ 13 mil) capta as imagens do exterior do carro e reflete em duas telas que ficam nas portas – bem pertinho das maçanetas internas. A visão é ruim e perde-se em proporção. É futurista, mas não funcional, pelo menos, num primeiro momento.

Nos bastidores da carroceria vão as baterias de íons de lítio (95kWh), capazes de armazenar energia para rodar mais de 430 quilômetros. O conjunto é composto por 36 módulos, que movimentam os motores elétricos e alimentam os periféricos de alta tensão, como compressor de ar-condicionado elétrico, conversor de tensão, conector de carregamento da bateria, e uma outra bateria de 12 volts, que alimenta todos os periféricos do veículo, como faróis, sistema de infotainment, unidades de comando, entre outros itens.

Da porta para dentro do Audi e-tron, claro, interior arejado e com o excelente acabamento típico da marca. O porta-malas é bem grande (600 litros), mas os cabos de carga vão em outro compartimento, sob o capô dianteiro, com capacidade para 60 litros. No total, o grandalhão tem 4,9 metros de comprimento – um pouquinho menor que o Q8.

Ao volante
Com disposição de sobra, o e-tron de 408 cv de potência total (dois motores elétricos) oferece todo seu torque de 67,7 kgfm a partir de 1 rpm, mas não é daquele tipo que salta para frente, não. Seu comportamento lembra qualquer sedã de luxo, com ganho de velocidade sem perder o ritmo.

Não é um superesportivo, mas está longe de ser bobo. Atinge 100 km/h em apenas 5,7 segundos e tem estabilidade de sobra – graças, também, ao centro de gravidade baixo e aos 700 quilos de bateria sob o assoalho. A firmeza das suspensões também agrada, assim como o silêncio, que é total. O único ruído vem do atrito entre pneus e solo.

Regenerativos, os freios reaproveitam a energia para alimentar as baterias e têm ótima assistência. Por outro lado, quando abusa-se do pedal do acelerador, o consumo fica bastante alto. Por isso, não e fácil se basear em autonomia quando se dirige esse tipo de veículo. Pode ser que você fique sem carga, mas também pode voltar para casa com, praticamente, a mesma quantidade. Depende muito do pé.

Sem câmbio, o e-tron tem apenas uma marcha para a frente, ponto morto e ré. As aletas atrás do volante não servem para troca de velocidade, mas para dividir o sistema de recuperação de energia em três níveis: 0 ou sem resistência, onde o motor funciona na ‘banguela’; 1, o motor apresenta leve resistência, recuperando um pouco de energia; 2, para maior resistência, recuperando mais energia para a bateria. Na prática, é possível diminiur a velocidade do carro pressionando a borboleta da esquerda – e aumentar, com a esquerda.

Recarga
As recargas levam oito horas e meia em tomadas convencionais, como as de 110 volts da garagem de casa, com o devido aterramento. Porém, se a opção for pelas estações rápidas de 150kW, o tempo cai para aproximadamente 30 minutos – 80% da bateria.

Mesmo com aplicativos que mostram os pontos de recarga espalhados pela cidade, não é tarefa fácil realizar tal procedimento no Brasil, mesmo porque boa parte deles ficam em shopping centers – fechados no atual momento, por conta da pandemia do novo Coronavírus. A Audi promete instalar 200 pontos de recarga no Brasil.

A conta
Na ponta do lápis, segundo a Audi, a conta de luz não chegará nem perto do gasto com combustível de carros convencionais. Andar com o e-tron, no Brasil, hoje custa um quarto do valor do abastecimento total para uma autonomia de 400 km. O montante, claro, depende da tarifa da companhia elétrica de cada região. A isenção do IPVA para modelos elétricos também é praxe em alguns locais.

Lista de equipamentos
Bem equipado, o e-tron Performance Black aqui avaliado vem com revestimento em couro e Alcântara, suspensão a ar adaptativa, teto solar panorâmico, iluminação interna customizável em cor e intensidade, pacote S line, câmeras 360 graus, air bags frontais e laterais, entre outros itens. No habitáculo, aliás, há telas por todos os lados. Fora o quadro de instrumentos, tem dois displays do MMI Touch, com 10,1 e 8,6 polegadas, esta última, exibe as informações gerais do ar-condicionado automático de quatro zonas.

O concorrente direto do Jaguar i-Pace (em breve a Mercedes-Benz deve lançar seu SUV elétrico no Brasil) tem garantia de oito anos para as baterias e, exatamente assim como o modelo das fotos, não sai por menos de R$ 602.390. Sim! Contamos aí os R$ 539.990 da configuração Performance Black e somamos os R$ 62,4 mil em opcionais, como os faróis full LED Matrix e o pacote tecnológico, que tem câmera noturna e head up display – este, projeta informações do quadro de instrumento no para-brisa, a fim de não desviar a atenção do motorista.

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Vagner Aquino

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