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Avaliação: Duster é o melhor Renault feito nos últimos anos

Apesar de usar mesma plataforma e motores que seus irmãos, Renault Duster é um ponto fora da curva dentro da família francesa
Renault Duster [Auto+]

Nos últimos anos, a Renault do Brasil encontrou seu lugar ao sol ao mudar de estratégia: parou de tentar replicar os carros vendidos na Europa e passou a apostar em uma linha de baixo custo baseada nos modelos da Dacia (Sandero, Logan e Duster) com um pequeno toque francês. Deu tão certo que hoje a marca do losango ocupa o lugar que já foi da Ford.

Se antes o jogo de espaço interno farto e preço na média da concorrência era dominado pela Renault, rapidamente seus rivais aprenderam a mesma estratégia e aplicaram em seus modelos. Era a hora de evoluir. Sandero e Logan passaram por esse processo em 2014, mas não de maneira tão intensa quanto o Duster esse ano.

É seguro dizer que, mesmo não sendo o mais requintado ou caro Renault à venda no Brasil, ele é o melhor carro que a marca francesa vende em solo nacional. Longe do requinte e do anonimato de Mégane e Fluence, o Duster entrega um conjunto honesto e que está acima de Kwid, Sandero, Logan, Stepway e Captur.

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Recheio de menos de R$ 100 mil

Por R$ 96.390, a versão topo de linha Iconic é um raro caso de SUV compacto que não passa de R$ 100 mil na versão mais cara. Com ela você tem detector de ponto cego (que não estava funcionando no modelo testado), luzes diurnas de LED, faróis com acendimento automático, ar-condicionado digital, quatro câmeras (frente, traseira e uma em cada retrovisor).

Há também chave presencial com uma interessante atuação: ao contrário da maioria dos carros com esse tipo de sistema, que exigem que o motorista toque na maçaneta para trancar ou destrancar o carro, o Duster Iconic reconhece a proximidade da chave e tranca e destranca sozinho.

Em matéria de custo-benefício, somente o Volkswagen Nivus Highline entrega mais equipamentos que o Renault Duster Iconic por um preço semelhante. A versão avaliada contava com bancos revestidos em couro (que melhorou muito de qualidade em relação ao modelo antigo) por R$ 1.700 e kit Outsider de R$ 2.300, ambos completamente dispensáveis.

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É no detalhe

Por falar em melhora de qualidade, a cabine da segunda geração do Duster mostra o quanto pequenos detalhes fazem a diferença. E também o quanto ele está à frente de seus irmãos. O acabamento é todo de plástico duro, mas a montagem é bem feita e os materiais usados tem mais qualidade do que era esperado de um Renault dos tempos modernos.

O visual horizontalizado ajuda a dar harmonia e elegância ao ambiente interno, assim como os detalhes em aço acetinado no volante e saídas de ar. O painel não é digital, mas tem grafismos de bom gosto e um computador de bordo com diversas funções, que irritantemente sempre volta à quilometragem parcial quando o Duster é ligado novamente.

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A central multimídia ficou mais rápida e completa, mas ainda carece de um pouco mais de qualidade na tela, lembrando os primeiros smartphones de alguns anos atrás. Logo abaixo, os comandos do ar-condicionado são elegantes, tem utilização intuitiva e parecem feitos para um carro mais refinado.

O ponto em que o Duster mais evoluiu é na posição ao dirigir. O banco é mais confortável que antes e recebe melhor o motorista, enquanto o volante finalmente ganhou ajuste de profundidade, o que eliminou a estranha e nada ergonômica posição de antes, em que o volante ficava grudado ao painel.

Por falar nisso, o novo volante vindo do Sandero traz revestimento de couro de qualidade, uma boa pegada e tamanho adequado. O único vacilo da Renault foi ter feito uma inexplicável economia. Há diversos espaços inutilizados que poderiam ser aproveitados para os comandos do rádio ao invés de fazer uma haste atrás do volante com visual dos tempos da Scénic.

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Igual, mas diferente

Debaixo do capô de todas as versões do Renault Duster no Brasil fica o motor 1.6 SCe quatro cilindros aspirado de 120 cv e 16,5 kgfm de torque. Apesar de gastão (fez média de 7 km/l com etanol no ciclo misto cidade-estrada), ele é suficiente para o SUV. Não sobra como nos rivais turbinados e nem parece faltar como no irmão Captur.

Boa parte dessa virtude se dá ao bom casamento com a transmissão CVT de seis marchas simuladas. O câmbio sabe aproveitar muito bem a força do motor 1.6 sem fazer gritaria desnecessária como alguns rivais CVT. Prontamente à elevação da rotação (e do barulho) o Duster começa a ganhar força e acelerar.

Em saídas é comum a transmissão patinar um pouco, característica comum de carros CVT, mas o Duster não vacila em reduções e mantém a rotação baixa na estrada e na cidade para economizar combustível. Outro truque está no sistema start-stop que tem funcionamento adequado e que dificilmente fará o motorista querer desativá-lo.

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O conjunto é o mesmo de Sandero, Logan, Stepway e Captur, assim como a plataforma B0, mas a entrega do Duster é diferente. A base foi reforçada e melhorada no SUV compacto e isso é nitidamente sentido no dia-a-dia, especialmente no quesito robustez, uma virtude que muitos rivais não transmitem e que é uma característica valorizada na categoria.

O Duster tem rodar sólido e suspensão voltada para o conforto. Ele encara buraqueiras com tranquilidade e sem fazer tanto barulho quanto o Chevrolet Tracker. Não chega ao nível de conforto e robustez ao rodar do Jeep Renegade, mas está mais para SUV do que hatch alto nesse quesito.

A direção com assistência elétrica é um salto grande em relação ao sistema eletro-hidráulico ainda usado pelos irmãos Sandero, Captur e Logan. Ela é mais leve e precisa, sem a incômoda vibração no final do curso que o antigo Duster tinha. Auxiliado pelo bom isolamento acústico e de vibrações, o SUV compacto da Renault transmite refinamento de construção.

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Tipo 911

Durante o lançamento da segunda geração do SUV compacto, a Renault comentou que o modelo era um de seus mais importantes produtos globais. E tal qual um Porsche 911, era preciso que as pessoas reconhecessem o Duster como um Duster, mesmo com a mudança de geração.

O trabalho de design da Renault merece elogios por manter a essência do SUV em muitas de suas linhas características mantidas intactas, adicionando modernidade ao conjunto. É obvio que ele não é um 911, mas o conceito de evolução de design mantendo a alma foi cumprido.

Destaque para a linha de cintura alta e o para-brisa mais inclinado que ajudaram ao Duster a parecer mais contemporâneo e parrudo. Os elegantes faróis com contorno de LED encaixam bem com a grade cromada e dão um ar europeu a ele. O único vacilo nessa área foram as lanternas traseiras nitidamente copiadas do Renegade.

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Veredicto

Com custo benefício matador, o Renault Duster é a escolha certa para quem quer entrar no mundo dos SUVs sem ter de apelar para uma versão intermediária dos modelos badalados da categoria capada de itens de série. Não é tão refinado quanto seus rivais ou tem o mesmo prestígio, mas entrega um farto espaço interno e inegável robustez.

Dentro de casa a briga fica fácil, visto que ele é superior ao Captur em todos os sentidos, o que faz com que seu irmão maior tenha sua existência questionada. Agora para o Renault Duster só falta um motor turbo que, felizmente, chegará no próximo ano.

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João Brigato

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