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Obsolescência: por que seu carro é feito para quebrar e parecer velho?

A indústria precisa se movimentar e, para isso, as empresas exigem que as pessoas comprem mais veículos

4 min de leitura

Todo bem de consumo fabricado, exceto alimentos, enfrenta um processo nítido de obsolescência. Isso ocorre desde o carro na garagem até o celular usado para ler esta notícia ou mesmo a geladeira da cozinha. Talvez a única exceção seja aquele frigorífico que sua avó mantém desde 1978. Na prática, as marcas projetam os produtos para falhar e parecerem ultrapassados. Não é por maldade, mas sim por dinheiro. Portanto, vamos destrinchar esse conceito hoje.

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Dentro da obsolescência existem duas vertentes diferentes: a programada e a percebida. Ambas aparecem em todos os automóveis e produtos vendidos atualmente. Todavia, por que o setor age assim? Se um consumidor passasse 50 anos com o mesmo veículo ou 30 anos com a mesma geladeira, as fabricantes venderiam cada vez menos.

Afinal, se alguém possui um item que não apresenta defeitos ou se mantém esteticamente atual por décadas, não existem motivos para realizar a troca. Por isso, a indústria criou os conceitos de obsolescência para garantir a rotatividade financeira. Embora o conceito social questione essa ética, essa é a engrenagem que gera lucros constantes para as montadoras.

Obsolescência programada

Inegavelmente, a obsolescência programada representa a face mais cruel desse sistema. As fabricantes desenvolvem os objetos para que apresentem falhas após determinado período. Certamente, a engenharia poderia criar um motor capaz de rodar 1 milhão de quilômetros, mas isso elevaria o custo de desenvolvimento e paralisaria o setor de peças de reposição.

As empresas projetam itens de acabamento, peças móveis e componentes de motor e câmbio para sofrerem desgaste e se tornarem inúteis após certo tempo. Assim, o proprietário só consegue manter o uso do carro ao substituir esses componentes. As revisões periódicas inclusive antecipam esse cenário ao exigir a troca de itens por tempo ou quilometragem, visto que muitas peças alcançam o limite projetado logo após esses prazos.

Interior do Leapmotor C10 BEV
Leapmotor C10 BEV [Auto+/Luiz Forelli]

Contudo, defeitos crônicos não fazem parte da obsolescência programada. A quebra planejada de um componente deve permitir a troca simples, sem condenar a vida inteira do veículo. Por outro lado, existem marcas que economizam deliberadamente em certos materiais, o que gera um desgaste prematuro e torna o componente mais frágil de propósito.

Obsolescência percebida

Diferentemente da vertente técnica, a obsolescência percebida atua no campo psicológico para induzir o consumidor a crer que seu produto está velho. Observe quando a Apple altera a posição das câmeras no iPhone ou lança uma cor berrante exclusiva para determinada versão. O objetivo é fazer com que você sinta que seu aparelho está ultrapassado ao ver o modelo novo com outra pessoa, mesmo que o seu funcione perfeitamente.

É exatamente por isso que as fabricantes de carros aplicam reestilizações a cada três ou quatro anos e mudam a geração do modelo em intervalos de seis anos. Quando um automóvel ganha um novo para-choque, interior renovado ou faróis modernos, a marca sinaliza aos donos do modelo anterior que o veículo deles envelheceu.

Além disso, essa estratégia recoloca o veículo na mídia como um lançamento do ano. Essas renovações motivam proprietários satisfeitos a trocarem seus carros antigos pela versão atualizada apenas para ter acesso às novidades visuais. Em muitas situações, as marcas lançam um modelo faltando itens de série de propósito, apenas para adicioná-los na reestilização seguinte. Isso gera a sensação de desatualização e estimula o desejo de compra.

Você já conhecia os conceitos de obsolescência programada e percebida? Conte sua experiência nos comentários.


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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