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Fiat Toro Ultra incomoda picapes médias com outro estilo | Avaliação

Na faixa dos R$ 200 mil, existem duas opções entre as picapes: uma média basicona ou uma Fiat Toro completa
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]

Talvez o lançamento mais importante dos últimos 20 anos, a Fiat Toro conseguiu solucionar um problema que aparentemente não existia. Quem comprava uma picape, ou optava pelas compactas para o trabalho ou pelas médias para ter mais porte e mais robustez. Só que as médias são grandes demais e as compactas levam pouca gente (antes da Strada 4 portas).

A Toro acabou por se posicionar perfeitamente no meio termo entre o público de Strada e Hilux. Com a vantagem de ter uma dirigibilidade de SUV que acaba por atrair também os compradores dessa categoria. Mas e no território dos R$ 200 mil? É aí que a Toro Ultra topo de linha começa a perigosamente invadir o segmento das picapes médias.

Troco no refino

Hoje todas as picapes médias diesel estão bem acima dos R$ 200 mil. O trio principal da categoria prova isso. Ford Ranger começa em R$ 213.090 na versão XL Cabine Dupla. Já a Chevrolet S10 não sai por menos de R$ 224.820 na LS Cabine Dupla. Mais cara das três, a Toyota Hilux custa a partir de R$ 235.190. Já a Toro Ultra sai por R$ 200.890.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
A grande questão aqui é que a Fiat Toro se apresenta na versão mais cara e equipada, enquanto as rivais médias são vistas na versão mais basicona e com transmissão manual. A única que consegue se equiparar à italiana em preço e não entregar tão pouco equipamento é a S10 Advantage. O problema é que ela é flex e te fará ser sócio do posto de gasolina.

O fato de ser menor, possibilitou à Fiat cobrar menos na Toro e lotar a Ultra de equipamentos. Ela traz de série itens como banco elétrico para o motorista, faróis full-LED, seis airbags, frenagem autônoma de emergência, alerta de mudança de faixa com correção de volante, assistente de farol alto, monitoramento de pressão dos pneus e faróis de neblina.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Engrossa a lista de equipamentos ainda a presença de bancos em couro, chave presencial com partida remota, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregamento de celular por indução, retrovisores com rebatimento elétrico, câmera de ré, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, roteador wi-fi e faróis com acendimento automático.

Por esse preço nas médias, o máximo que você vai encontrar é vidro elétrico nas quatro portas e um rádio.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]

Visto e sentido

Nessa faixa de preço, a exigência por acabamento de qualidade é bem maior. Mas as picapes tem certo passe livre. Não há material macio ao toque no interior da Toro Ultra. Contudo, os plásticos usados são de ótima qualidade. A montagem é exemplar e não deixa a desejar.

Visualmente chama atenção a central multimídia vertical. A tela tem ótima definição e menus claros e fáceis de usar, apesar de exigir a entrada em diversos submenus para fazer até operações mais simples. A velocidade do sistema também é elogiável, mesmo quando usando CarPlay ou Android Auto sem fio.

Já o painel de instrumentos totalmente digital apresenta um certo atraso na exibição das rotações do motor. Mas a tela tem boa definição e não fica ofuscada pelo sol. Auxilia nessa operação a presença de uma película fosca que evita reflexos a todo custo. Vale destacar também a grande presença de porta-objetos na cabine, incluindo um debaixo do banco.

Na versão Ultra, a Fiat deu à Toro bancos revestidos em couro com discretos detalhes em vermelho. Traz uma sofisticação a mais sem exagero. Afinal, essa não é uma versão Abarth da picape. Na traseira, o banco curto e reto torna viagens longas não tão confortáveis e a ausência de saída de ar por lá incomoda.

Menor discrepância

Quanto maior a picape, maior a participação do diesel em suas vendas. Tanto que hoje a única média que tem versão flex é a S10. No caso da Toro, há um equilíbrio interessante entre as versões flex e diesel. Especialmente porque depois da mudança para o 1.3 turbo, a diferença de performance para a diesel diminuiu expressivamente.

Isso tira o brilho do modelo topo de linha? Nem um pouco. O 2.0 MultiJet II quatro cilindros turbo diesel é valente e bem econômico. Ele ainda não passou pela atualização que Compass e Commander tiveram com a inclusão de Arla, mas a Toro não escapa da mudança para 2022. São saudáveis 170 cv e 35,7 kgfm de torque.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
A força é gerenciada por uma transmissão automática de nove marchas que sabe bem como trabalhar com o motor diesel. As trocas das primeiras marchas têm certo tranco, enquanto nas superiores a passagem é completamente suave. Na estrada ele fica alternando entre sétima e nona marcha a depender da velocidade.

Basta uma pisada mais forte no acelerador para que rapidamente a Toro baixe a marcha, o motor encha e ela ganhe velocidade. A grande questão do diesel é a força com o qual ele puxa a picape. Ela não é excepcionalmente rápida, mas forte nas aceleradas e retomadas. Por conta da grande quantidade de marchas, ela chegou a marcar 14 km/l na estrada.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Após uma semana, no entanto, por conta do uso urbano, a média ficou em 11,3 km/l. Segundo o INMETRO, a Toro diesel faz 10 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada. Com tanque de 60 litros, ela consegue fácil passar dos 700 km de autonomia.

Coerência robusta

Muitos pilotos de teclado adoram desdenhar da Fiat Toro por ser uma picape monobloco. Contudo, a sua construção é verdadeiramente robusta e isso pode ser sentido no dia-a-dia. A suspensão é um dos melhores trabalhos da Fiat, atuando em absoluto silêncio mesmo em situações extremas e de impacto.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Ao mesmo tempo, faz com que a picape tenha bom comportamento em curvas e carroceria estável em estradas, curvas fortes e até sobre forte vento lateral. Passar por buracos e até esquecer de frear em algumas lombadas parece brincadeira para a Toro. Já a direção é bastante leve nas manobras, mas tem peso adequado na hora de rodar com mais velocidade.

Chama atenção também o comportamento da picape na terra. Ela se sente confortável nesse cenário, rodando com robustez e tranquilidade. A tração nas quatro rodas, ativada automaticamente sob demanda, também torna o off-road mais fácil e intuitivo.

Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Ultra Diesel [Auto+ / João Brigato]

Cara de RAM

Grande diferencial da versão Ultra está em seu visual. Nessa configuração, a Fiat Toro ganha grade frontal com desenho inspirado nas picapes RAM e acabamento cinza acetinado no lugar dos cromados. Há ainda estribo lateral, detalhes em preto por toda carroceria, rodas escurecidas, estribo lateral e interior com temática escura.

Mas o item único dela está na caçamba. Fechada com uma cobertura de fibra de vidro, a Toro Ultra parece um grande sedã. O único problema é que ele não tem isolamento para a chuva, o que torna, na prática, igual a uma capota marítima, mas menos prático. Ao menos traz um estilo mais parrudo e diferente.

Veredicto

A não ser que faça absoluta questão de mais espaço na caçamba e um pouco mais na cabine, a Fiat Toro Ultra vai suprir todas as necessidades que um picapeiro tem. Vale mais à pena uma caminhonete menor e bem mais recheada que uma média com o mesmo nível de equipamentos de um hatch de entrada.

Ela ainda tem o tamanho certo para a cidade e é verdadeiramente um carro ótimo para dirigir. Optar pela versão Ultra é total questão de gosto, até porque a Ranch custa R$ 2 mil a menos e a Volcano com os mesmos itens é R$ 3 mil mais barata. Na prática, as três Fiat Toro tem o mesmo nível de equipamentos.

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João Brigato

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