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Gasly consegue vitória improvável no GP da Itália

Entenda os fatores que transformaram a corrida de Monza na maior zebra do ano
Pierre Gasly
Pierre Gasly [divulgação]

Você já deve ter ouvido aquela máxima: sorte é o encontro da competência com a oportunidade. No último domingo, a Fórmula 1 comprovou essa tese com uma vitória surreal de Pierre Gasly no GP da Itália, em Monza. Todas as peças se encaixaram perfeitamente para dar ao piloto francês sua primeira vitória na categoria.

Entenda melhor no vídeo abaixo produzido pelo canal Pr1meiro Stint

Foi uma conquista carregada de emoção por ter sido alcançada na Itália, sede da Alpha Tauri, e no mesmo circuito onde a Toro Rosso, sua antecessora, venceu em 2008 de forma igualmente surpreendente com Sebastian Vettel. Quem diria, mesmo na má fase da Ferrari os italianos podem dizer que a corrida foi vencida por ‘um time da casa’.

Tudo começou quando o carro de Kevin Magnussen parou na entrada dos boxes, com problemas mecânicos. A direção de prova acionou o safety car. Naquele instante, na volta 20, Gasly havia acabado de completar seu pit stop. O pelotão se reagrupou e quando os adversários pararam, Gasly saltou de 15º para terceiro.

À frente dele, estavam apenas Lewis Hamilton, pole position e líder desde o início da corrida, e Lance Stroll, segundo colocado. Em uma estratégia arriscada, Stroll não havia parado. Mas Hamilton, sim. O que o colocava ainda à frente de Gasly é que ele havia feito seu pit stop exatamente na volta 20, quando o safety car foi acionado.

Jogada de mestre? Justamente o contrário: Hamilton foi o único a parar naquele momento porque não sabia, não percebeu e não foi informado de que o pit lane estava fechado (a direção de prova tem a prerrogativa de fechar o pit lane em situações de risco, como era o caso do resgate do carro de Magnussen).

A prova ainda foi interrompida com bandeira vermelha por conta de um forte acidente de Charles Leclerc, que errou e bateu na Parabólica, mas nada sofreu. Quando a corrida foi reiniciada, Hamilton entrou para cumprir seu pit stop, Stroll se embananou e perdeu posições e Gasly, suavemente, foi promovido à liderança.

Mas definitivamente a parada não estava resolvida: ele precisou imprimir um ritmo forte para não dar chances a Carlos Sainz Jr., o segundo colocado de McLaren, que reduzia a diferença entre eles volta a volta, até colar no adversário na última volta. Mas era tarde demais e Gasly pôde celebrar a conquista. Stroll completou o pódio em terceiro.

“Eu estou sem palavras e ainda não consigo acreditar. No Brasil, no ano passado, eu conquistei meu primeiro pódio e já fiquei ‘woow’. E agora, esta vitória. Foram 18 meses de muitos altos e baixos na minha vida”, conta Gasly. Ele foi promovido a piloto da Red Bull em 2019, mas perdeu a vaga pelo fraco desempenho antes do GP da Bélgica.

Na mesma corrida em que reestreou rebaixado na Alpha Tauri, perdeu seu melhor amigo Anthoine Hubert em um acidente na Fórmula 2. Depois, mais para o final do ano, veio o pódio no Brasil. Agora, em 2020, após a longa espera por conta da pandemia do coronavírus, Gasly tem demonstrado um desempenho bem acima da média.

A próxima etapa é de novo na Itália: vem aí o GP da Toscana, dia 13 de setembro, em Mugello.

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Tiago Mendonça

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