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Impressões: Jeep Renegade Trailhawk na trilha não é SUV de shopping?

Passados mais de cinco anos desde seu lançamento, muita gente ainda acha que o Renegade não é um Jeep de verdade
Jeep Renegade Trailhawk [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Trailhawk [Auto+ / João Brigato]

Passados cinco anos desde seu lançamento no Brasil, o Jeep Renegade ajudou a pavimentar o segmento de SUVs compactos que se tornou uma verdadeira febre. Entretanto, enquanto alguns de seus rivais preferem o ambiente urbano e têm apenas tração dianteira, o Renegade conta com versões diesel com tração 4×4 e aptidão verdadeira para o off-road.

Com isso em mente, colocamos o Jeep Renegade Traihawk, versão mais cara e com maior quantidade de recursos off-road, em uma trilha no interior de São Paulo para provar de uma vez por todas: o Renegade é um Jeep de verdade ou mais um SUV de shopping?

Renegade Trailhawk [Auto+ / João Brigato]
Renegade Trailhawk [Auto+ / João Brigato]
Culpa da chuva

A princípio, a trilha em Salesópolis, interior de São Paulo, próximo a Mogi das Cruzes, poderia receber modelos com tração 4×2 apenas, porém a chuva do dia anterior e a garoa fina que caia durante todo o dia criou um verdadeiro lamaçal pronto para testar as habilidades off-roads do Renegade Trailhawk.

Equipado com motor 2.0 MultiJet II quatro cilindros turbo de 170 cv e 35,7 kgfm de torque, as versões diesel são uma alternativa bastante interessantes a quem quer fugir da letargia e da sede das versões flex do Renegade. Como bônus, os modelos diesel contam com tração nas quatro rodas e uma valente transmissão automática de nove marchas.

Jeep Renegade [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade [Auto+ / João Brigato]
Para ganhar o selo Trail Rated em sua lateral, o Renegade Trailhawk precisa vencer as mesmas trilhas que um Wrangler padrão, por isso, traz suspensão elevada com altura em relação ao solo de 22,3 cm, protetores no assoalho, pneus de uso misto e modo Rock no seletor de modo de tração.

Na prática, esses atributos fazem uma boa diferença para deixar o Renegade mais parrudo e apto ao off-road. O início da trilha contava com terra batida e poucas dificuldades, por ali, um SUV 4×2 passaria tranquilamente. Mas no Renegade havia uma surpreendente dose de conforto: a suspensão macia sabe muito bem absorver imperfeições do solo sem levar solavancos à carroceria ou ao corpo do motorista.

Tobogã de lama

Ao adentrar cada vez mais na natureza, o terreno foi apresentando diversas alterações de superfícies que permitiram testar melhor o controle eletrônico de modo de condução. Em uma subida íngreme e lamacenta, a tração 4×4 entrou em ação mesmo com o seletor em modo automático. O Renegade não perdeu a compostura e nem precisou de velocidade para superar o desafio.

Em estradas vicinais, havia uma mistura tensa de pedras, cascalho e terra batida, vez ou outra misturada com lama e poças barrentas, as quais o Renegade fez questão de enfrentar. Com pneus de uso misto 215/60 R17, ele passava com velocidade por esses caminhos sem que a carroceria vibrasse ou a suspensão trabalhasse com barulho.

[Auto+ / João Brigato]
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A valentia do Renegade foi posta à prova em uma descida bastante inclinada e decorada com lama vermelha bastante macia. Com o modo Mud (lama) ativado no seletor de modo de condução, o Renegade Trailhawk desativa o controle de tração e mantém o motor sempre cheio, atrasando as trocas de marcha.

Isso tem como objetivo enviar rapidamente força para as rodas com maior tração e evitar que o SUV compacto atole. Na descida, o HDC (Hill Descendent Control ou controle automático de descida) foi ativado, mas funcionou em vão. Com ele, a traseira do Renegade começava a escorregar, fazendo com que o pequeno Jeep começasse a querer girar em seu próprio eixo.

[Auto+ / João Brigato]
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Foi preciso controlar gentilmente o freio e o acelerador para que a ladeira fosse vencida sem problemas. Mas logo em seguida, uma grande subida novamente toda cheia de lama. Era hora de ver se o Renegade Trailhawk daria conta: parei bem no meio da subida, em uma situação em que toda sua eletrônica teria de fazer o máximo de força para que ele não atolasse.

Pé forte no acelerador, tentando provocar um atoleiro, mas o Renegade soube ser gentil, mesmo com o motor querendo girar forte, mantendo a aceleração constante para vencer a subida lamacenta tal qual alguns de seus rivais fazem nas rampas de estacionamento asfaltadas dos shoppings. Não atolou, mas a foi preciso braço para segurar a traseira que quis derrapar de um lado para o outro.

[Auto+ / João Brigato]
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Maratona

Ao todo foram mais de três horas de trilha com terra seca, lama, cascalhos, pedras e trechos debaixo de chuva. Poderia ser uma viagem mais cansativa em carros com foco total no off-road como Troller T4 ou Suzuki Jimny, mas o Jeep Renegade Trailhawk também foi pensado para um uso mais familiar.

Os bancos revestidos em couro acomodaram bem as costas e a suspensão macia evitou que solavancos mais fortes tornassem a viagem extremamente cansativa. Além de todo esse trecho off-road, o Renegade ainda encarou 300 km de estradas pavimentadas de alta velocidade com o mesmo conforto, mostrando sua versatilidade.

[Auto+ / João Brigato]
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Veredicto

A ideia de um SUV era, a princípio, reunir capacidade off-road a um rodar mais civilizado e possível na cidade. São poucos os modelos que são capazes de viver nessas duas realidades simultaneamente, mas o Renegade Trailhawk é um deles.

Por R$ 158.290 ele é o SUV compacto mais caro de sua categoria, mas também é o único que irá onde todos os seus rivais vão e também a locais onde, a exceção do Jimny e do T4, nenhum outro modelo desse porte terá coragem de sujar seus pneus.

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João Brigato

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