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JAC E-JS4 tem potencial de cartada de mestre | Impressões

É preciso muito argumento para concorrer com o Compass, mas o JAC E-JS4 tem algo que o Jeep e nenhum de seus rivais tem
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]

De todos os rivais que o Jeep Compass já teve na vida, nenhum nunca chegou perto dele. Agora Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos tentam a sorte e são o mais próximo de um rival forte que o SUV americano já teve. Mas entre os chineses, JAC T60 e CAOA Chery Tiggo 7 nunca tiveram chance. Mas o JAC E-JS4 pode ser uma cartada de mestre.

É que diferentemente de todos os outros SUVs médios à venda no Brasil, a JAC oferece como opção uma versão elétrica. Só que, diferentemente do que acontece entre a dupla T40 e iEV40, que carecem muito de refinamento, o E-JS4 já é um passo bem além. E agradeça à Volkswagen por isso.

No E-JS1 a JAC já mostrou os reflexos da compra de 51% de sua companhia pela Volkswagen. Só que ele era um modelo totalmente desenvolvido pela nova fase da marca chinesa. O E-JS4 é diferente. Ele é um reestilização do T60 e também sua conversão a modelo elétrico. Já havia o iEV60, mas ele mal chegou a ser vendido por aqui.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Enquanto o T60 custa R$ 133.490 em sua versão mais completa, o E-JS4 com a mesma lista de equipamentos parte de R$ 249.900. São R$ 116.410 a mais somente pela motorização elétrica, novo nome, rodas de liga-leve diferentes e algumas mudanças internas. Mas será que vale à pena pagar quase o preço de um Volvo XC40 híbrido por um SUV chinês elétrico?

Mesmo andar

Os JAC T60 e E-JS4 são idênticos praticamente até que se ligue o motor. Por fora, o desenho das rodas de liga-leve muda, assim como os emblemas na traseira. Não há também saída de escape. Mas nem precisava mudar, afinal, o E-JS4 já conta com o visual modificado do T60 que ficou bem mais agradável.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
A dianteira carrega luzes diurnas de LED em L na parte superior, conectadas por uma barra preta e cromada. A segunda porção de luzes fica na parte inferior, onde fica a abertura de ar principal. O visual é chamativo e moderno, dando um aspecto até futurista ao SUV médio.

Na traseira, a confusão de linhas que havia antes deu lugar a um estilo mais harmônico. As luzes conectadas lembrariam até dos SUVs da Porsche se não fosse pelo prolongamento nas extremidades. Para-choque com visual robusto completa as mudanças. E o teto com pintura contrastante é de série na versão elétrica.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Na cabine, o E-JS4 recebeu costuras e detalhes em cobre, como um diferencial importante em relação ao seu irmão a combustão. O painel de instrumentos 100% digital tem visual diferenciado e recursos diferentes do modelo a combustão. Já a manopla de câmbio rotativa é um indicativo de que esse modelo é elétrico.

A central multimídia, que já tinha boa tela e respostas agradáveis, finalmente recebeu Android Auto e Apple CarPlay, mas com conexão via cabo. Além disso, o ar-condicionado agora conta com função automática, uma das ausências ruins do antigo T60.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Vale elogio ainda para o acabamento de qualidade, com peças bem montadas e couro sintético de toque bastante agradável e superior a muitas marcas generalistas no Brasil. O espaço traseiro é mais do que farto, sendo possível viajar em cinco pessoas com total conforto. Porta-malas de 620 litros é um dos maiores da categoria.

Outro patamar

Se até agora não havia diferença alguma entre os irmãos JAC, na hora de ligar o motor é que tudo fica diferente. O E-JS4 não emite um som sequer. É completamente silencioso e discreto. Isso faz com que a qualidade de construção e rodagem fique bem mais evidente – justamente onde a Volkswagen mexeu.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
A suspensão ficou mais firminha, estável e comportada. Continua voltada para o conforto, como é típico dos carros chineses, mas está menos boba do que antes. Ele filtra melhor as imperfeições do solo e trabalha com mais silencio. Ainda que na traseira, seja possível ouvir mais os ruídos de rodagem e atuação da suspensão.

Já a direção segue bastante leve, mas agora tem mais feedback do asfalto e está mais comunicativa. O E-JS4 passa segurança ao andar em altas velocidades, sem balançar excessivamente e se mantém estável e confortável nessa situação.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
A questão é que ele não vai muito além de 150 km/h, velocidade máxima limitada eletronicamente para preservar as baterias. A grande questão é quão rápido ele chega lá. Segundo a JAC, para atingir os 100 km/h são precisos 7,5 segundos apenas – tempo que, antigamente, era considerado de esportivo.

São 150 cv e 34,7 kgfm de torque dispostos ao primeiro toque do acelerador. O SUV médio elétrico da JAC dispara sem a menor cerimônia e faz retomadas ágeis. O torque é forte, capaz de grudar no banco. Tudo isso com exemplar silêncio, cabine bem isolada e pouca intromissão dos barulhos externos (salvo os barulhos do pneu).

JAC E-JS4 [divulgação]
JAC E-JS4 [divulgação]
Segundo a JAC, o E-JS4 roda até 420 km com uma carga completa. Se pegar estrada, como fizemos durante nossos testes, essa autonomia pode diminuir mais rápido. É que um carro elétrico gasta mais em rodovias do que um a combustão. Ele tem sistema regenerativo, mas nada muito forte e ele não pode ser personalizado.

Veredicto

Na prática, o JAC T60 não tem muitos argumentos além do preço baixo para se justificar como uma alternativa ao trio de ouro Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. Só que com o E-JS4 a história é outra. Ele é o único SUV médio 100% elétrico à venda no Brasil e que não pertence a uma marca de luxo.

Custa caro? Sim, mas é a única alternativa nessa categoria. Isso faz com que ele acabe brigando com hatches elétricos menores e mais baratos como Renault Zoe, Chevrolet Bolt e Nissan Leaf, além de híbridos como Volvo XC40. O JAC E-JS4 cumpre o que promete, é uma exclusividade, está melhor do que nunca, mas custa caro e ainda tem gostinho de aposta.

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João Brigato

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