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Mercedes-Benz GLC briga com os híbridos com diesel | Avaliação

Enquanto os principais rivais dentro da categoria usam motor híbrido, Mercedes-Benz GLC aposta na economia e robustez do diesel
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]

Aqui no Brasil, o motor diesel é muito associado a SUVs e picapes. Sempre modelos com tração nas quatro rodas e verdadeira vocação off-road. São raros, mas existem modelos diesel com tendências urbanas. Como é o caso do Mercedes-Benz GLC. Preste a mudar de geração, ele é um dos raros representantes diesel nesse segmento cada vez mais eletrificado.

Hoje entre os SUVs médios de luxo, somente o GLC e o Land Rover Discovery Sport contam com versão diesel. Já modelos como Volvo XC60 e BMW X3 apostam fortemente na eletrificação, sendo vendidos somente em versões híbridas. Correndo por fora, Jaguar F-Pace e Audi Q5 contam com motores a gasolina.

Mas em um mundo em que todos os modelos de luxo estão partindo para a eletrificação, ainda vale à pena um SUV diesel? Para responder a essa pergunta, testamos a versão topo de linha Enduro do Mercedes-Benz GLC de R$ 492.900.

Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]

Não estou ouvindo

Tal qual seus rivais X3 e XC60, o GLC é equipado com motor 2.0 quatro cilindros turbo. Contudo, enquanto eles bebem gasolina e são auxiliados por um motor elétrico, o Mercedes bebe diesel. Como resultado, entrega os mesmos 40,8 kgfm de torque do Volvo, mas a potência de 194 cv fica abaixo dos 407 cv do sueco e os 292 cv do BMW.

Apesar dos números menores que de seus rivais, o GLC não nega fogo. Ele anda verdadeiramente bem depois que vence o turbolag das rotações mais baixas. Retomando de maneira esperta, ele não sente falta de um auxilio elétrico como seus rivais requerem. Já na cidade, consegue andar em baixa velocidade e cauteloso com tranquilidade.

Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
A maior virtude desse conjunto, no entanto, está no consumo muito comedido. Segundo dados do INMETRO, o GLC diesel faz 12 km/l na cidade e 15,2 km/l na estrada. Só que, durante os nossos testes, o SUV alemão chegou a registrar 17 km/l na estrada, o que elevou sua média final durante 800 km de teste (70% estrada) para 14,3 km/l.

O que impressiona, no entanto, é a suavidade do motor. Ele não vibra e mal passa som para a cabine. Desavisados pensarão tratar-se de um bom motor a gasolina. Isso se não repararem no conta-giros com menor faixa de rotação. Só é possível notar o barulho típico do diesel em lugares fechados, porque até nas acelerações ele não ronca muito diferente de um gasolina.

Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Gerenciando essa suavidade do quatro cilindros diesel está a transmissão automática de nove marchas. Tranquila e imperceptível nas trocas, ela entrega nove marchas muito bem escalonadas. Na estrada, fica variando entre a oitava e a nona, com alguns momentos de sétima, mas com reduções não sentidas.

Abafou

Com clara vocação urbana, o Mercedes-Benz GLC tem suspensão voltada ao âmbito urbano. Ela absorve bem as imperfeições do solo, mas o que chama atenção é o silêncio do seu funcionamento. Mesmo quando atinge o limite, ela bate de maneira aveludada, em um som baixo e oco na tentativa de incomodar o mínimo o motorista.

Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Não será um carro para fazer off-road pesado – deixe isso para os Land Rover – mas o GLC encarará suficientemente as buraqueiras brasileiras. Mesmo em rodas de 19 polegadas, os pneus 235/55 tem perfil bem mais borrachudo que o dos rivais e permite alguns abusos a mais em terrenos ruins. Só cuidado para não furar pois há kit de reparo, não estepe.

Sem tanta vocação esportiva, o GLC surpreende pela boa dinâmica em curvas. Nessas horas, a tração 4Matic entra em ação e mantém o SUV corpulento em trajetória com compostura. Ele consegue quase se comportar como um hatch. Contudo, a direção é um tanto quanto lenta e desnecessariamente pesada na hora das manobras.

Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]

Peso da idade

Se dinamicamente o GLC ainda parece bastante moderno, mesmo apelando para o diesel, na hora de analisar o interior é que a idade começa a pesar. Essa geração foi lançada em 2015 e reestilizada em 2019. Contudo, o modelo é todo baseado no Classe C de 2014, compartilhando basicamente todo interior.

Isso leva a algumas faltas como a ausência de entradas USB na traseira e uma central multimídia sem conexão sem fio a Android Auto e Apple CarPlay. Contudo, a qualidade da tela é excepcional, com uso extremamente fácil e velocidade acima da média. Ainda que o espelhamento de celular fique restrito somente a um pedaço dela.

Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz GLC 220d Enduro [Auto+ / João Brigato]
Há ainda painel de instrumentos totalmente digital com diversos modos de exibição diferentes. Destaque ainda para o sistema de iluminação interna com LEDs individuais que criam nuances diferentes de cores para cada sessão da porta e do painel.

Se tudo isso até então parece moderno, o GLC começa a pecar fora dos detalhes. O visual da cabine já está cansado, especialmente quando visto o console central com botões grandes de iluminação laranja típica dos anos 2000. Toda sessão é de plástico com uma textura interessante que imita madeira, mas não impressiona pela qualidade.

Superfície do painel macia ao toque e portas igualmente acolchoadas são padrão na categoria. Mas o Mercedes-Benz GLC entrega couro rugoso nos bancos e portas que deixa a desejar em uma faixa de preço em que a sofisticação é exigida. Não parece um couro muito melhor do que o de um SUV generalista de R$ 200 mil.

Mais fácil, impossível

No quesito ergonomia e facilidade de vida, a Mercedes-Benz já se mostrou mestre e isso se reflete no GLC. Ele traz bancos elétricos com regulagem e memória para os bancos da frente, o que inclui memória para o espelho. Por falar em espelho, o direito tem lente com aumento e que cria um enorme ponto cego.

Lá dentro, volante tem ajuste elétrico de altura e profundidade. Já o porta-malas, com abertura elétrica, conta com generosos 550 litros. Como destaque, ele traz possibilidade de dobrar os bancos com o apertar de um botão. Há ainda reboque elétrico retrátil. Para quem se senta atrás, o teto solar panorâmico e o espaço farto são os destaques.

Na parte tecnológica, conta com piloto automático adaptativo, assistente de manutenção em faixa (que só detecta faixas contínuas), frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, câmeras 360°, assistente de farol alto, indicador de fadiga, ar-condicionado digital de duas zonas, assistente de voz e assistente de estacionamento autônomo.

[Auto+ / João Brigato]
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Veredicto

Se seu mundo ainda não está pronto para os híbridos ou não há espaço para um carregador em casa, o Mercedes-Benz GLC é a solução para rodar muito sem precisar virar amigo do frentista do posto de combustíveis.

Contudo, o modelo já apresenta o peso da idade e uma nova geração está em gestação. Além disso, ele é substancialmente mais caro que seus rivais e menos servido de tecnologia. Leve para casa se faz questão verdadeira de um diesel e de um Mercedes-Benz. Caso contrário, melhor dar uma passadinha na Volvo ou na BMW.

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João Brigato

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