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Motorhome: que tal cruzar o Amazonas a bordo de uma Kombi?

Já pensou nessa ideia? Esse casal, sim! Confira a história
motorhome vw kombi
Casal viaja a bordo de Kombi e passa por dez países (arquivo pessoal)

Certamente você já se pegou pensando em largar tudo, colocar uma mochila nas costas e sair pelo mundo. Mas imagine se essa mochila for uma VW Kombi, ano 2012. Pois é, a Margarita (o nome de batismo do motorhome) é a casa da paulista Carolina Bello e do espanhol Salvador Costas Vila, que decidiram encarar essa jornada em 2016. Ah! E tem também a cachorrinha Carica, peça fundamental nessa expedição que o casal chama de ‘Expedição Margarita’.

Antes de mais nada, vale contextualizar a história. Tudo começou na cidade do Rio de Janeiro. A casa localizada em uma simpática vila de Laranjeiras e os respectivos empregos de produtora de eventos e programador já não eram suficientes para fazê-los completamente felizes. Era necessário algo a mais. Aliás, algo a menos! E foi aí que, no finalzinho de 2016, o casal resolveu vender tudo o que não era necessário e colocar o pé na estrada.

“Na verdade, não acreditávamos que duraríamos tanto tempo na estrada. Ao princípio, pensávamos que em um ano, daríamos a volta na América do Sul, porém, aos sete meses de estrada, ainda estávamos na Argentina”, conta Carolina, que ali teve a total dimensão de que o ritmo seria diferente do planejado.

Casal largou tudo e resolveu desbravar a América do Sul na companhia da cadelinha Carica (arquivo pessoal)

Cientes de que a Margarita se tornaria a casa da família de uma vez por todas, Carol e Salva (como preferem ser chamados) aprenderam a sustentar a expedição sem usar suas economias. Logo depois, fizeram da fotografia – até então, hobby – uma fonte da renda. “Aprendemos novas habilidades, impensáveis meses atrás, como costura, macramé (técnica de artesanato com nó), edição de vídeo e venda das nossas fotos como postais”, conta Costas Vila.

Passeios
Juntos, o casal e a cachorrinha Carica já subiram nos picos nevados dos Andes, correram por desertos, estiveram em praias caribenhas, atravessaram densas florestas e deserto de sal e, também, nadaram no Rio Amazonas.

Esse roteiro de motorhome, aliás, abrange – além do Brasil – Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Panamá. “Já dirigimos pela América do Sul de ponta a ponta, das terras frias Tierra del Fuego, na Argentina, aos desertos da La Guajira, ao norte da Colômbia”, relembra ele, que prevê o término da expedição para o fim deste ano ou para 2021, se a situação da pandemia ainda não tiver sido resolvida.

Durante a quarentena
“Por conta da quarentena, já estamos estacionados há quase dois meses na cidade de Barreirinhas, no Maranhão, e aqui ficaremos até isso tudo acabar e a situação estiver mais tranquila para seguir viagem”, relata Carol. “Nosso próximo passo é conhecer nordeste brasileiro, com seus rostos, sabores, cores e ritmos.”

Diário de bordo
O casal relata que já rodou 57 mil quilômetros em sua motorhome – 5.000 deles, navegando pelo Rio Amazonas. Aliás, o rio foi explorado em praticamente toda sua extensão. “Começamos nossa aventura no Amazonas peruano, na cidade de Yurimaguas, onde, além de um embarque de perder o fôlego, com duas tábuas de madeira um desnível de uns 2 metros em uma área alagada, tínhamos a companhia de milhares de galinhas vivas que seriam vendidas na cidade de Iquitos, também no Peru”, rememora a produtora de eventos.

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Foram 5.000 quilômetros de navegação (arquivo pessoal)

Depois de três dias navegando e conhecendo as aldeias do Amazonas Peruano o trio embarcou para a Tríplice Fronteira – Peru, Colômbia e Brasil. No segundo barco, foram três noites, onde puderam perceber o quanto vida da comunidade local está conectada com o Rio Amazonas.

Nesse meio-tempo, “conhecemos a seita israelita peruana (comunidade isolada na selva amazônica), que acreditam que Jesus Cristo já voltou, é peruano e o Amazonas é o lugar ideal morar. Por fim, após embarques, desembarques e implicações imigratórias, chegamos em terras brasileiras após dois anos”, relatam.

De volta ao Brasil
Eles contam que aproveitaram o coração da selva por duas semanas, conhecendo tribos indígenas que não falam português, navegando pela floresta alagada e, por que não, experimentando a gastronomia local.

Já em Manaus, onde começaria a navegação pelo lado brasileiro, o rio ia recebendo cada vez mais afluentes, e ficando cada vez mais largo. “Foram quatro dias entre Tabatinga e Manaus, cidade onde foi impossível não se apaixonar pelas cachoeiras de Presidente Figueiredo e pelos prédios históricos da capital. Além disso, Santarém, com seu maravilhoso Rio Tapajós, e Alter do Chão, foram locais simplesmente inesquecíveis”, enfatiza o programador.

De Santarém, a família embarcou no sexto e último barco rumo a Belém e ao encontro com o Oceano Atlântico. Durante o trajeto, puderam constatar a dura realidade da comunidade ribeirinha, que se vira como pode para sobreviver, seja tentando vender frutos do mar ou até mesmo pedindo ajuda aos passageiros.

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Roteiro feito pelo casal desde 2016 (arquivo pessoal)

“Depois de 45 dias, seis barcos, quilômetros e mais quilômetros navegados, 5.000 galinhas, noites dormidas em rede, e um caminhão de histórias na bagagem, chegamos em nosso destino final, Belém do Pará. E, para finalizar com chave de ouro, desembarcamos a Margarita de ré, na escuridão. Emoção do começo ao fim, porém, em segurança e com a certeza de que foi a decisão mais certa que tomamos em nossas vidas!”, finaliza o casal, que já sonha com as próximas histórias.

Para quem quer saber mais, se inspirar ou apenas dar aquela espiadinha, o Carol e Salva estão produzindo seu primeiro documentário: ‘Kombizônia – A Odisseia da Expedição Margarita pelo Rio Amazonas’. Serão, no total, cinco episódios – um a cada duas semanas. O trailer, você confere abaixo:

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Vagner Aquino

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