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Nissan Kicks Exclusive é, entre os SUVs, quase imbatível | Avaliação

Democratizando tecnologias de categorias superiores com preço atraente tornam o Nissan Kicks Exlusive quase imbatível na categoria
Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]

Todo mundo quer um SUV hoje em dia. Não dá mais para negar, pois a categoria cresce cada vez mais. Por isso, se destacar nessa concorridíssima fatia de mercado é tarefa nada fácil. Sem dormir no ponto, a Nissan mudou no Kicks o que era necessário, o recheou de equipamentos e trouxe uma proposta quase imbatível na versão Exclusive com Pack Tech de R$ 119.890.

Quase imbatível, já me adianto, somente pelo fato de que o Kicks não tem motor turbo. Ainda que seu 1.6 aspirado dê conta do recado muito bem. E também por alguns pequenos incômodos que ele traz insistentemente e que foram até herdados pelo Versa – outro modelo que o conjunto da obra da Nissan está acima de muitos rivais.

Posicionamento de custos

Um dos pontos principais em que torna o Nissan Kicks Exclusive um dos SUVs mais atraentes da categoria é o preço. Comparado a rivais diretos, o Exclusive com Pack Tech é mais barato e mais equipado. Modelos como T-Cross, Renegade, Tracker e HR-V apresentam as versões intermediárias Comfortline, Longitude, Premier 1.0 e EXL na mesma faixa dos R$ 120 mil.

Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
Para ficar abaixo da faixa do Kicks é preciso apelar para modelos ligeiramente inferiores, como Volkswagen Nivus e Renault Duster. Se a vantagem de preço já não é convincente, o Nissan ainda tem uma boa lista de itens de série com equipamentos ainda não presentes em outros modelos da categoria.

O Pack Tech eleva a conta da versão Exclusive de R$ 116.390 para R$ 119.890, mas se faz necessário: o melhor do Kicks está nele. Com ele, o SUV tem itens como alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e sistema de som Bose que nenhum outro rival tem. Além disso, traz ainda frenagem autônoma de emergência e alerta de colisão frontal.

Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
Para fechar o pacote, bem que poderia ter piloto automático adaptativo como o Nivus. A lista de equipamentos ainda é agraciada por chave presencial, faróis full-LED com acendimento automático, câmera 360°, bancos revestidos em couro, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay e retrovisores elétricos.

Democratização tecnológica

O interessante além de trazer tecnologias de segmento superiores, o Kicks tem sistemas que realmente funcionam. Em quantas situações, alguns desses equipamentos funcionam de maneira excessiva e invasiva. Jamais me esquecerei dos bancos do Equinox que vibravam e assustavam mais que as cenas manjadas dos filmes de terror.

Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
No Kicks tudo funciona sem excesso e de maneira equilibrada. O volante não corrige a trajetória, mas vibra de maneira suficiente para que o motorista perceba que está fazendo algo errado. Assim também funciona o alerta de ponto cego, com pequenas luzes e um bipe sem ser escandaloso.

Já a frenagem autônoma de emergência só entra em ação quando a coisa fica feia. Raramente o Kicks emite alertas, como alguns modelos alemães fazem em excesso sem haver um perigo eminente. Com isso, a Nissan parece entregar um pacote de segurança ativa que não pareça invasivo. O carro auxilia o motorista, não tratando dele como se fosse uma babá.

Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
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Aspirado no mundo dos turbo

Como a condução do Kicks não é invadida por seus sistemas eletrônicos, ao volante ele é um carro prazeroso. É notável que a Nissan optou por um comportamento mais neutro em seu SUV compacto: ele não é voltado ao conforto como um Creta, nem mais para o lado esportivo como o Nivus. O Kicks é neutro, e para o comprador de SUVs, isso é ótimo.

Ele não vai ser aquele carro que vai te despertar um largo sorriso no rosto a cada acelerada. Ou que te deixará tão entediado quanto ver a comida esquentar no microondas. É um carro com alma, ainda que levemente contida. A plataforma e conjunto mecânico são os mesmos do Versa, o que faz passar a sensação de um Versa com salto alto.

Nissan Kicks Exclusive com Pack Tech [Auto+ / João Brigato]
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São 114 cv e 15,5 kgfm de torque. Ok, nada animadores para um mundo em que a maioria dos SUVs já passa dos 120 cv e 20 kgfm de torque. Contudo, o Kicks é leve: são 1.139 kg, criando uma das melhores relações peso-potência da categoria. Na cidade, essa leveza se torna nítida, com o Kicks acelerando sem grande esforço.

Ele embala sem muita dificuldade e tem agilidade auxiliada pelo bom trabalho da transmissão automática do tipo CVT. Em momento urbano nenhum o Nissan parece se arrastar ou sentir falta de fôlego como alguns de seus rivais com motor aspirado.

[Auto+ / João Brigato]
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As faltas

Já na estrada, a falta de potência pode ser sentida em alguns momentos. Isso se da por conta da transmissão insistir em simular trocas de marcha a 4 mil giros. Ao atingir essa faixa, ela derruba a rotação e o Kicks perde fôlego. No Versa, o acerto é melhor e não há esse engasgo.

As retomadas são suficientes, mas o SUV da Nissan luta para se manter em velocidades mais altas. Caso tivesse um motor 1.0 três cilindros turbo – como a Renault e a Nissan estão desenvolvendo para o Brasil – ele seria imbatível na categoria.

[Auto+ / João Brigato]
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Outro pecado bastante complicado do Kicks é o tanque. Ele é pequeno: são apenas 41 litros. Tão minúsculo quanto do JAC T40. Isso faz com que sua autonomia com etanol não vá muito além dos 350 km. Isso dá uma sensação de carro gastão, ainda que em nossos testes ele tenha mantido média de 11,4 km/l em trechos mistos de cidade e estrada com etanol.

Neutralidade equilibrada

Nem macia, nem dura, a suspensão do Kicks absorve bem os impactos, mas bate seco no limite. Não é um devorador de curvas, mas o controle dinâmico de chassi auxilia o SUV a transmitir segurança em velocidades mais altas. Os novos pneus 205/55 R17 com novo compósito também auxiliam nessa tarefa.

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Na estrada, apesar de sua altura típica de SUV, ele não balança com ventos ou caminhões passando rápido ao lado. O rodar sólido transmite segurança, que é resguardada pela presença de seis airbags e controles de tração e estabilidade.

Já a direção tem peso elogiável. É leve na medida certa para manobras e uso em baixa velocidade, mas ganha peso conforme a velocidade aumenta. Na estrada, fica firminha, mas sem ser excessivamente pesada. Pena que filtra em excesso o que se passa no asfalto, parecendo um tanto quanto morta às vezes.

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De belo a chamativo

Uma das grandes vantagens que o Nissan Kicks sempre teve foi seu visual. Ainda que não fosse aquele SUV de parar o trânsito, ele era visto como um dos mais bonitos e equilibrados da categoria. Com a reestilização, ele ganhou o toque de ousadia que faltava para chamar atenção. Especialmente se for nesse belíssimo tom azul metálico.

A grade dianteira tem presença e se espicha até o para-choque. Há menos cromado, sendo apenas um filete que a liga aos faróis. Por falar neles, perderam as bolhas de antes e agora trazem uma bela iluminação de LED.

[Auto+ / João Brigato]
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Na traseira, o filete vermelho que liga as lanternas é o que mais chama atenção. Apesar de não ser luminoso, ele casou bem com o visual do Kicks e traz um diferencial estético bastante interessante. Já o para-choque tem menos área em preto, o que deu a ele um aspecto mais esportivo.

Metro quadrado aproveitado

Outro ponto em que o Kicks se destaca bastante é no interior. Ele é generosamente espaçoso em qualquer fileira. Os bancos dianteiros são, sem dúvida, os mais confortáveis da categoria. Tem boa quantidade de ajustes, são macios e o couro que os reveste tem boa qualidade.

Já para quem se senta atrás, o espaço para as pernas é garantido, mesmo que os passageiros dianteiros sejam altos. Lateralmente pode faltar um pouco de área para os ombros quando o quinto passageiro está ali, mas nada que torne uma viagem no Kicks impraticável. Porta-malas de 432 litros é um dos maiores da categoria.

Destaque nessa versão Exclusive com Pack Tech é o sistema de som Bose, típico de marcas premium. Mas o Kicks vai além de um som assinado, ele traz caixas de som no encosto de cabeça do motorista. O chamado Personal Space, traz a sensação de usar um fone de ouvido. Mas seu efeito só é sentido com o som em volume bem alto.

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A qualidade sonora é destaque, ao contrário da central multimídia. Apesar da tela de boa definição e de ter Android Auto e Apple CarPlay, ela é um tanto quanto lenta. Os menus são bagunçados e não tão práticos de usar. Ao menos ele tem botões físicos que ajudam a comandar todo aparato tecnológico.

Ainda nesse ponto, o painel de instrumentos parcialmente digital foi traduzido para o português, ao contrário do que ocorre no Nissan Versa. Ele tem ótima definição e uma vastidão de recursos interessantes. Há, inclusive, gráficos de consumo e monitoramento dos sistemas eletrônicos atuantes.

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Tal qual sua neutralidade ao rodar, o acabamento do Nissan Kicks é um ponto na média. Não é o melhor da categoria, pois tem plásticos com qualidade apenas ok. Mas também não está nem perto dos piores, afinal tem bons encaixes e faixas com couro macio.

Veredicto

No limite dos R$ 120 mil, o Nissan Kicks entrega uma lista de itens de série mais do que generosa, com equipamentos de segurança e entretenimento ausentes nos rivais. Isso sem contar o espaço interno acima da média. Outro fator é que ele é mais barato que os principais concorrentes em versões topo de linha equivalentes.

[Auto+ / João Brigato]
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O motor 1.6 é bom, mas apenas suficiente para ele. Com um propulsor turbo e um tanque de combustível maior, seria difícil bater o conjunto do SUV japonês. Bom custo-benefício, bonito, bem equipado e gostoso de dirigir, o Kicks promete dar dor de cabeça aos líderes Chevrolet Tracker, VW T-Cross e Jeep Renegade. Potencial para isso ele tem, e muito.

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João Brigato

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6 Comentários

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  • Carro sem motor não tem valor. Tenho um Peugeot 2008 turbo 2020, muito bem equipado, não troco por nenhum da categoria.
    Cara, ir para estrada pisar e não achar motor não tem sentido.

  • Carro sem motor não tem valor. Tenho um Peugeot 2008 turbo 2020, muito bem equipado, não troco por nenhum da categoria.
    Cara, ir para estrada pisar e não achar motor não tem sentido.

  • As pessoas esquecem que um carro 0km não é só no momento da compra. Existe a confiabilidade da marca, pós-venda, pacote de peças, preços das revisões, se o carro é durável de verdade, valor de revenda e desvalorização. Não adianta ser supostamente o melhor se isso não se retrata em liderança de vendas. Se não é o primeiro em vendas então talvez não seja tão bom quanto parece.

  • Carro muito confortável. Tenho um. Mas.motor fraco e não é tão econômico qto dizem. Além do problema do tanque ridiculamente pequeno (41litros).

  • Nissan, Peugeot, Citroen, JAC, Hyundai dentre outras e recentemente a Ford…
    Carro de 2 alegrias, uma qdo compra e outra qdo vende!
    Moramos em país de 3o mundo, se a maioria compra, não arrisque ser racional e ir contra, a chance de passar raiva é enorme, não há peças no mercado, não há comprador para seu usado ou pretende comprar um 0km e virar colecionador?