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Ridgeline: a picape Honda com tamanho de Hilux e jeito de Fiat Toro

Apesar de ter uma picape como a Nissan Frontier e a Toyota Hilux , a Honda nunca se arriscou nesse segmento por aqui com a Ridgeline
Honda Ridgeline [divulgação]
Honda Ridgeline [divulgação]

Tal qual acontece com Mercedes-Benz, Audi e BMW, as japonesas Honda, Toyota e Nissan tendem a fazer carros parecidos entre si. Já reparou que quando uma entra em um segmento, logo a outra corre atrás? Mas às vezes elas resolvem fazer as coisas diferentes, como o caso da picape da Honda.

Lançada em 2006, a Honda Ridgeline entrou no mercado de picapes médias com uma abordagem totalmente diferente. Ao invés de ser construída no esquema chassi sob cabine como as rivais Toyota Hilux e Nissan Frontier, a Honda decidiu por uma abordagem semelhante à Fiat Toro, mas em escala maior.

Honda Ridgeline  2006 [divulgação]
Honda Ridgeline 2006 [divulgação]
A Honda Ridgeline foi a primeira picape da categoria com construção monobloco. Ou seja, trazia carroceria integrada à plataforma, como nos carros comuns. Isso por si só já causaria muita estranheza nesse segmento extremamente tradicionalista lá nos Estados Unidos. Mas o design da picape também era controverso.

Fora da caixinha, literalmente

Ciente de que sua picape seria algo totalmente fora do que o mercado já esperava, a Honda radicalizou no design – talvez nem tanto quanto a Fiat Toro, mas ainda assim não alinhado ao que modelos como Dodge/RAM Dakota, Ford Ranger e Chevrolet Colorado apresentavam.

Honda Ridgeline  2006 [divulgação]
Honda Ridgeline 2006 [divulgação]
Ela linha linha de cintura alta e laterais da caçamba muito mais elevadas do que o padrão do mercado. Em geral, essa linha acompanha o final dos vidros laterais: na Ridgeline a lateral da caçamba começava no meio do vidro traseiro e descia até a traseira, onde havia um corte na tampa para melhorar a visibilidade.

O capô era relativamente curto para o restante do carro e algumas linhas paralelas na lateral ajudavam a deixar a picape mais parruda. Ela era visualmente mais baixa que suas rivais também, além de ter pneus menores. Mais parecia um SUV Honda convertido em picape, o que, na prática, era bem o que ela era.

Honda Ridgeline 2014 [divulgação]
Honda Ridgeline 2014 [divulgação]
Só que essa construção diferenciada trouxe à Ridgeline alguns ineditismos na categoria. Ela foi a primeira a trazer tampa da caçamba com abertura lateral ou vertical no mesmo sistema. Foi também a primeira com tração nas quatro rodas associada a suspensão independente. Por fim, sua cabine era maior que de todas as rivais, sem exceção.

Não é uma picape

Atingindo seu pico de vendas nos EUA em 2006 quando emplacou 50 mil unidades, a Honda Ridgeline nunca foi um sucesso em vendas. Apesar disso, era um dos modelos mais lucrativos para a marca japonesa, o que justificou a criação de da segunda geração da picape Honda que falaremos a seguir.

Honda Ridgeline 2014 [divulgação]
Honda Ridgeline 2014 [divulgação]
Ela era duramente criticada pela mídia e por alguns consumidores de picapes justamente por ela parecer mais um SUV com caçamba do que uma caminhonete. Ela não tinha o comportamento saltitante das rivais e trazia uma predileção por asfalto. Ironicamente o que hoje a maioria das picapes médias busca.

Além disso, tinha capacidade de reboque um pouco menor do que concorrentes, apesar de ainda ser capaz de levar 4.535 kg em seu reboque – o que não é pouco. A caçamba levava uma tonelada, como é padrão na categoria ao menos aqui no Brasil.

Honda Ridgeline 2018[divulgação]
Honda Ridgeline 2018[divulgação]

Mais SUV e mais picape

Ciente das críticas, a picape da Honda adotou uma nova abordagem na segunda geração lançada em 2016. Ironicamente se tornou mais SUV e mais picape ao mesmo tempo. A dianteira, plataforma e interior passaram a ser os mesmos dos SUVs Pilot e Passport. Já o estilo geral ficou mais próximo ao das caminhonetes.

Para tanto, a Honda colocou uma fenda na carroceria entre a caçamba e a cabine a fim de replicar o recurso necessário nos modelos chassi sob cabine por conta da flexibilidade que esse tipo de construção tem. Ela ganhou maior capacidade de carga e reboque e suspensão reforçada.

Honda Ridgeline 2018[divulgação]
Honda Ridgeline 2018[divulgação]
O mais legal dessa segunda geração da picape da Honda são suas soluções na caçamba. A Ridgeline tem um alçapão bem na base da caçamba que é tão grande que um executivo da Honda entrou ali durante a apresentação da picape. Ela ainda tem tomadas de 110V nas laterais e até um sistema de som integrado.

A Honda entendeu que a Ridgeline era mais um veículo de passeio do que de fato uma picape para trabalho – justamente o mesmo perfil da Fiat Toro aqui no Brasil. Resultado é que as vendas vêm crescendo ano a ano, apesar de ela ainda ser uma das picapes menos vendidas da categoria.

Honda Ridgeline 2020 [divulgação]
Honda Ridgeline 2020 [divulgação]
Recentemente ela recebeu nova dianteira com visual mais parrudo e algumas melhorias internas. Tudo com o objetivo de deixar a picape da Honda com ainda mais cara de caminhonete.

E um detalhe curioso: durante toda a sua vida, a Honda Ridgeline sempre foi vendida com motor 3.5 V6 gasolina, porém de gerações diferentes e devidamente modernizados. Em seus primeiros anos de vida usava caixa automática de cinco marchas, evoluída para seis marchas na segunda geração e agora com a reestilização veio o câmbio de nove marchas.

Honda Ridgeline 2020 [divulgação]
Honda Ridgeline 2020 [divulgação]

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João Brigato

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