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Toyota Hilux SRX: regalias de Corolla com apetite pela terra | Avaliação

Custando R$ 313.090, Toyota Hilux SRX entrega a alma lameira de picape com alguns recursos vindos diretamente do seu irmão sedã médio Corolla
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]

Me lembro como se fosse ontem quando a geração anterior da Toyota Hilux foi lançada e toda imprensa dizia que a picape tinha se tornado um Corolla com caçamba. Olhando hoje, aquilo parecia extremamente exagerado. Até hoje não dá para dizer isso. Mas aquela era a primeira picape que não pulava como um cabrito e podia ser usada na cidade.

Elas evoluíram muito e hoje as médias ocupam garagens que antes sedãs como o Corolla estacionavam. Seguem focadas na vida no campo, mas se tornaram civilizadas a ponto de existirem versões específicas para a cidade. Mas nada tirou da Toyota Hilux a coroa do segmento. Por isso, testei a versão topo de linha SRX de R$ 313,090 para entender como ela se mantém na liderança há tanto tempo.

Na linha

Mais importante que a mudança visual que a Toyota inseriu na Hilux na linha 2021, foi a melhoria no motor. O 2.8 quatro cilindros turbo diesel agora entrega 204 cv e 50,9 kgfm de torque. Virou praticamente regra no segmento que as picapes tenham motor com mais de 200 cv. E agora sem versões flex, essa se tornou a única opção para a Hilux.

Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Evolução nítida, o 2.8 faz da Hilux uma picape bastante forte. Passado o turbolag, ela acelera vigorosamente e dispara como se não pesasse duas toneladas (2.090 kg para ser mais preciso). O torque farto faz a diferença na hora de superar obstáculos e terrenos acidentados, onde a Toyota passa sem a menor dificuldade, mas isso especificarei mais à frente.

O consumo é bom, mantendo média de 10,2 km/l durante nossos testes. A Toyota declara 9 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada. Mas graças ao grande tanque de 80 litros, ela consegue facilmente passar dos 800 km rodados.

Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]

Quero ser

Para gerenciar a cavalaria da Hilux entra em ação a transmissão automática de seis marchas. Mas o interessante é que ela tenta se comportar como um CVT – talvez seja influência do Corolla? As marcas são trocadas rapidamente e são pouco sentidas, deixando o motor ronronando em baixa rotação sempre que possível.

Contudo, na hora da aceleração ela segura marcha demasiadamente, fazendo o barulho do motor invadir a cabine. Nessa hora, as trocas tem trancos sentidos. O estranho é que ao colocar em modo Sport, a Hilux sempre engata a quarta marcha. Independentemente se você está parado ou rodando em alta velocidade.

Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Outra herança, mas essa do passado, está na direção. Ela tem assistência hidráulica, não elétrica como suas rivais Chevrolet S10 e Ford Ranger. É pesada na hora das manobras e um tanto quanto boba em altas velocidades. Ainda assim, não tem a mesma lentidão do sistema da Nissan Frontier.

Pula cerca

Já a suspensão continua a ser a típica da Hilux. Pula mais do que deveria, especialmente em comparação com a Ranger e a Amarok. Na cidade, qualquer solavanco faz os passageiros levantarem a busanfa dos bancos, o que torna o passeio potencialmente enjoativo para alguns.

Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Contudo, o conjunto é verdadeiramente robusto. Um buraco, mesmo que grande, parece uma lombada para a Hilux. Mas é na terra que ela verdadeiramente mostra seu habitat natural. A caminhonete japonesa parece se sentir muito mais feliz ao ver lama, areia e terra do que asfalto. Nesse momento ela se transforma.

A absorção das superfícies ruins é melhor do que nas rivais, passando menos vibração e sacolejos. Ironicamente, a situação oposta do seu comportamento na cidade. É evidente que, entre as picapes médias, a terra é o território favorito da Hilux, sendo ela a mais parruda e boa de dirigir nesse cenário.

Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Para ajudar nas situações difíceis, ela tem tração 4×4 com opção de reduzida e também bloqueio eletrônico do diferencial. Tudo feito por teclas fáceis na parte inferior do console central. Controles de tração e estabilidade também estão lá para ajudar nas adversidades do solo e são bem calibrados para terra e também para a cidade.

Lado Corolla

Mas se a Toyota Hilux está ainda muito longe de ser um Corolla de caçamba, de onde vêm as regalias do sedã médio? Justamente na aparelhagem eletrônica. Ela conta com piloto automático adaptativo que só a Hilux e a Ranger possuem na categoria. Há também frenagem autônoma de emergência e sistema de manutenção em faixa.

Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Toyota Hilux SRX [Auto+ / João Brigato]
Com todos eles ativados, a picape consegue se dirigir praticamente sozinha. Contudo, a manutenção em faixa não é capaz de fazer curvas, somente manter a Hilux dentro das faixas criando barreiras virtuais que a impedem de acessar a sessão do lado. Há ainda ar-condicionado digital de duas zonas como novidade na linha 2022.

Para apreciação dos passageiros dianteiros, a Hilux SRX tem bancos ventilados, que ajudam bastante em dias de calor. Há ainda porta-copos na frente das saídas de ar, o que ajuda na hora de manter as bebidas geladas. A picape ainda tem retrovisores com rebatimento elétrico, revestimento de couro nos bancos com regulagem elétrica na dianteira e chave presencial.

A central multimídia é a mesma do Corolla antes da crise dos semicondutores, mas que ainda está presente no Corolla Cross. Ela tem tela de definição apenas ok, puxando para ruim. O layout é um tanto quanto confuso, mas a velocidade é boa. Tem TV digital como diferencial, além de Android Auto e Apple CarPlay, mas conectados via cabo.

O sistema de som é assinado pela JBL e conta com direito a subwoofer. Além disso, agora a picape traz sistema de câmeras 360°, além de implementar seis airbags como item de série para todas as versões. Ou seja, serve itens e equipamentos dignos de modelos com os mais de R$ 300 mil que cobra.

[Auto+ / João Brigato]
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Já o acabamento é apenas ok. O couro do volante tem qualidade ruim, áspero e de aparência barata – o que contrasta com o fato de ter regulagem de altura e profundidade. Os plásticos usados na cabine são de qualidade dentro do esperado, sem grandes destaques negativos ou positivos. Mas os encaixes são bem feitos e o visual ainda agrada bastante, especialmente pela profusão de cores e texturas diferentes.

Veredicto

Entre as picapes médias atualmente vendidas no Brasil, a Toyota Hilux é, definitivamente, a mais indicada para os fazendeiros de plantão. Ela tem verdadeira predileção pela terra e se sente totalmente à vontade nesse tipo de terreno. Cidade a deixa um pouco desconfortável, mas na estrada ela já volta a sentir-se em casa.

[Auto+ / João Brigato]
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A lista de itens de série é generosa e a quantidade de itens de tecnologia também, ainda que faça falta uma central multimídia melhor. Agora mecanicamente alinhada com a concorrência, a Toyota Hilux tem todos os argumentos para seguir a líder da categoria com folga. 

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João Brigato

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