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VW Gol: paixão de pai para filho

No aniversário de quatro décadas do lançamento deste ícone, conheça a história do exemplar que permanece na mesma família há 25 anos
VW Gol do administrador Victor Sapede (arquivo pessoal)

O empresário Mauro Rodrigues é fanático por Volkswagen desde sempre. Já em seu terceiro Gol (antes, um BX, 1983, e um quadrado, 1993), nosso entrevistado acabou comprando o modelo de segunda geração – conhecido também como Gol ‘bolinha’ – para utilização de sua esposa. Porém, com a desculpa de ‘amaciar o motor’, acabou ficando com o carro, que está na família até hoje. Aliás, agora, nas mãos do filho, o administrador de empresas Victor Sapede.

Essa é só uma das milhares de histórias curiosas que o Gol acumula a cada ano, em todas as suas oito gerações. Hoje, o hatch de maior sucesso do mercado brasileiro comemora exatos 40 anos de seu lançamento, que aconteceu em 15 de maio de 1980. De lá para cá, o modelo mais produzido e exportado da indústria automobilística nacional já vendeu mais de 7 milhões de unidades – foi o mais comprado pelo brasileiro por 27 anos consecutivos.

 

Volkswagen Gol GT (divulgação)

De fato, o topo do pódio é uma realidade distante para o Gol hoje em dia. Mas pouco importa, afinal, depois disso não houveram tantos títulos, mas ele continuou mandando bem no placar. Que o diga Rodrigues: “Havia pedido o carro na cor verde, porém, acabaram me entregando este Vermelho Bordô. Foi paixão à primeira vista! Me surpreendi com o carro (versão CLI com motor 1.6 AP 8V, de 1995) e andei com ele até o fim dos anos 2000, quando decidi pela aquisição de um novo veículo.”

De acordo com Sapede, seu pai utilizou o carro no dia a dia durante cerca de 13 anos. “Porém, com a minha maioridade chegando, comecei então a namorar o tal Gol bordô. Por volta dos 13 anos de idade, já dizia que gostaria de recebê-lo ao completar 18, caso fosse possível”, relembra. “Algum tempo depois, meu pai, de certa forma, acatou o meu pedido e por meio de um acerto entre nós, concordou em me passar o carro quando estivesse apto a dirigí-lo.”

No final de 2008, eis que Rodrigues decidiu comprar um carro novo para si e, então, deixar o Gol para o filho. Aliás, em termos! Nesse meio tempo entre a decisão e a entrega de fato, como um grande apaixonado e entusiasta, o empresário decidiu fazer algumas modificações de performance no carro.

 

Na cor Vermelho Bordô e com 400 cv de potência hatch era presença garantida na pista de Interlagos (arquivo pessoal)

Na ocasião, o Gol recebeu uma receita básica de carro aspirado: comando mais graduado (276), pistões e bielas forjadas, volante aliviado, virabrequim faqueado e coletor 4×1. A ‘anabolizada’ rendeu pegada mais agressiva ao modelo. Enquanto isso, Sapede esperava ansiosamente para botar as mãos no novo presente.

Boas lembranças
“Um dos momentos mais marcantes, para mim, foi a busca deste carro na concessionária. É algo que até hoje me vem à cabeça. Outro ponto que grita alto na minha memória é o dia em que o carro chegou da oficina que o preparou pela primeira vez. Eu já com meus 17 anos e a ansiedade explodindo dentro de mim. Lembro-me de ter ficado na frente do prédio por cerca de 30 minutos apenas esperando, com os ouvidos aguçados pelo ronco, que eu imaginava em minha cabeça, se aproximando. E quando chegou, mal podia acreditar, aquela marcha lenta meio embaralhada e o ronco firme que não se encontra em carros originais, permitiram que a adrenalina tomasse conta do meu corpo”, conta Sapede.

De acordo com ele, tudo era motivo para dar uma volta de carro. Aquilo o encantou de tal forma que, até hoje, qualquer preparação o deixa aguçado. “Na oficina (que o jovem, de 29 anos, tem em conjunto com  seu pai, de 60), qualquer carro que preparamos, aspirado ou turbo, me tira sorrisos. Quero andar, testar, sentir a emoção que o proprietário está prestes a sentir. Isso me remete às boas lembranças que tive no passado.”

Desde criança o administrador Victor Sapede tem cuidado especial com o VW Gol CLI (arquivo pessoal)

“Fora esta, que acredito ter sido a mais marcante por ser algo totalmente novo para mim, nossa primeira volta já com a configuração turbo, um pouco mais básica que a atual, foi inesquecível (esta, com Sapede ao volante), era uma mistura de muita alegria, adrenalina, medo, difícil descrever”, enfatiza o jovem que também tem boas lembranças dos tempos de pista.

O administrador conta que, quando finalmente o Gol poderia ser chamado de seu, sentiu algo indescritível. “A ansiedade me matava por dentro. Havia dirigido este carro acredito que apenas uma vez, em uma estrada de terra, nada mais. Pois meu pai, por ciúmes, não deixava de maneira alguma!”, completa.

Ele conta, ainda, que assim que buscou sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação), encontrou milhões de motivos para sair com o carro. “Saímos e ele me acompanhou, grande dia! Pode parecer pouco, era apenas um Gol já com seus 13 anos de uso, mas para mim, de certa forma, foi um sonho que se concretizou!”

Modificações
“Com cerca de 13 anos, lembro do momento em que meu pai decidiu colocar as rodas do Gol G3 Turbo no carro. Logo depois, veio a suspensão regulável (hoje, é um pouco mais baixo que a versão original), fora todas as outras coisas que fazíamos na garagem de casa, mesmo”, relembra Sapede.

A dupla conta que sempre curtiu mexer no carro. E mexer, mesmo, em tudo que era possível e quase impossível, desde simples lavagens até a parte elétrica. E foi assim que, em 2013, decidiram partir para algo mais agressivo, como suspensão preparada para arrancada e uma receita turboalimentada.

De acordo com eles, o motor segue forjado, 1.9L, com pistões e bielas forjadas, câmbio forjado (sapinho 1-4), blocante 100%, turbina .50 Biagio, cabeçote mecânico com comando 49G, sistema de gerenciamento Fueltech 350, bobinas individuais, roda fônica, entre outras características. Hoje o veículo beira absurdos 400 cv!

“É um automóvel totalmente diferente do que já foi um dia, mas sem perder a essência de carro de rua”, diz Sapede. E foi a partir daí que ambos decidiram participar de competições e eventos de arrancada. “Fomos muito presentes na pista de arrancada em Interlagos”, recorda. Hoje, morando fora da capital, a constância fica inviável.

“Podemos não ter o carro mais veloz do mundo, mas tivemos nossas conquistas pessoais, com bons resultados, evolução… Na verdade, o que mais mudou no Gol desde aquela tarde de 1995 até hoje, sem sombra de dúvidas, é o desempenho!”, finaliza.

Questionado sobre o que mais o encanta em seu carro e por que não se vê sem ele, o jovem conta que, além de toda a história e sentimento envolvido, a base que o modelo proporciona para modificações são perfeitas. De acordo com ele há um valor sentimental incalculável, fora o prazer ao dirigir. “Nada será igual ao nosso velho Gol, de 25 anos”, conclui ele, que agradece ao pai, não só pelo presente, mas por sempre estar ao seu lado, alimentando ainda mais essa paixão por carros que só faz aumentar com o passar do tempo. “Vendê-lo? Nem pensar! Venderia até a alma antes de vender o meu Gol!.”

Quatro décadas de história
Esse quarentão que, literalmente, atravessa gerações, faz parte da vida de milhares de brasileiros. No início dessa trajetória, sua missão era substituir o Fusca, um ícone da Volkswagen. Mas nem é necessário dizer que, com ele, a marca tem feito muitos gols ao longo do tempo, né?

Com o perdão do trocadilho, definitivamente, este é um projeto que se tornou um verdadeiro gol de placa da Volkswagen, basta dar uma olhada nas ruas e ver a quantidade de Gol rodando por aí. Você sabia que, se enfileirar as mais de 8 milhões de unidades produzidas, é possível dar uma volta na Terra?

Versão Total Flex foi revolucionária em termos de mecânica (divulgação)

Tem modelo quadrado, bolinha, versões em alusão à modalidades esportivas, pioneirismo em motor bicombustível e até uma família derivada com perua, sedã e picape. Impossível, também, não falar das versões esportivas que fizeram a cabeça da galera na década de 1990, como o GTi e o GTS. E essa verdadeira paixão nacional foi espalhada pelo país, conquistando uma legião de fãs e, claro, inaugurando milhares de ‘clubes’, afinal, um bom carro só pode reunir boas histórias.

Quer conhecer outros casos que envolvem esse ícone da indústria nacional? Confira o vídeo abaixo:

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Vagner Aquino

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