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Uma delícia de andar

Ram Rampage Big Horn é aquilo que um dono de Ram espera | Avaliação

Picape compacta/média da Ram chegou em 2023, mas faltou poucos ajustes para ficar madura, e agora ela é

9 min de leitura

Viver a realidade da Stellantis no Brasil não é nada simples. São cinco marcas sob o mesmo guarda-chuva, dezenas de modelos e, muitas vezes acontece o compartilhamento de motorização, plataformas e até componentes. Mas cada um precisa cumprir bem seu papel para não roubar cliente um do outro. A Fiat e a Ram são, talvez, o melhor exemplo disso hoje, especialmente entre a Toro e a Rampage.

Muitos consumidores ficam em dúvida entre levar a versão topo da Toro, a Ranch de R$ 233.990 ou a variante de entrada da Rampage, a Big Horn de R$ 228.990. Ambas usando a arquitetura Small Wide e o novo motor 2.2 turbodiesel lançado no início de 2025, que mudou da água para o vinho em relação ao antigo 2.0 Multijet. 

E por isso o Auto+ foi atrás da versão Big Horn, que é hoje a porta de entrada para quem quer ter uma Ram na garagem, sem precisar lidar com o tamanho e o peso de uma média, além de ter um rodar confortável e um motor competente para pegar o fora de estrada

Não sente falta de nada

Ram Rampage Big Horn prateada e seu interior para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

Estamos acostumados a ver versões de entrada dos carros bem peladas em relação às configurações superiores, mas aqui na Rampage isso não acontece. Desde da Big Horn, a Rampage já entrega um conjunto acima do esperado e consegue fazer justamente aquilo que um dono de Ram espera.

O acabamento é emborrachado desde o tabelier até a parte superior das portas, assim como nas versões mais caras. As portas recebem revestimento em couro, o console central também, e há uma camada macia no painel, tudo bem montado, encaixado e sem rebarbas. 

Ram Rampage Big Horn prateada e seu interior para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

Os bancos não são totalmente revestidos em couro, trazendo tecido na parte central do encosto e do assento, enquanto as abas laterais e os encostos de cabeça usam couro, além da inscrição Ram. Ainda assim, acomodam muito bem o corpo, embora nessa versão não ofereça ajustes elétricos, presentes apenas na versão Rebel (R$ 258.990).

Na ergonomia os bancos recuam bastante, o volante tem boa regulagem de altura e profundidade e a posição de dirigir se encontra fácil. A Big Horn já traz painel de instrumentos digital de 10,3 polegadas, completo e intuitivo, além da central multimídia Uconnect de 12,3 polegadas com espelhamento sem fio.

Ram Rampage Big Horn prateada e seu interior para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

Onde ela perde de fato é na ausência dos sistemas ADAS. Não há piloto automático adaptativo com stop and go, frenagem automática de emergência, alerta de permanência em faixa, retrovisor fotocrômico, sensor de chuva ou alerta de ponto cego. Ainda assim, o pacote geral é muito completo com controle automático de velocidade convencional, o que faz você nem sentir falta de nada.

Ela oferece freio de estacionamento eletrônico com auto hold, assistente de descida, chave presencial, carregador de celular por indução, ar-condicionado digital de duas zonas, sensores dianteiros e traseiros com câmera de ré, rebatimento elétrico dos retrovisores e faróis full LED, mas sem acendimento automático ou comutação de facho e retrovisor fotocrômico. Ou seja, a Big Horn já serve muito bem.

Anda bem e bebe pouco

Ram Rampage Big Horn prateada e seu motor 2.2 turbodiesel Patrola Serra para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

A vida que a Rampage ganhou com o novo motor 2.2 turbo diesel é nítida. Quem guiou a versão anterior com o 2.0 Multijet percebe na primeira acelerada o salto claro de refinamento e de força e fluidez. O conjunto está sempre cheio e isso ajuda no uso diário, e claro, sem perder a robustez que se espera de uma picape. 

A Rampage em todas versões a diesel entrega agora 200 cv a 3.500 rpm e 45,9 kgfm de torque que aparecem 1.500 rpm. Ou seja, esse torque aparece muito cedo para os 1.926 kg, muito graças ao turbo de geometria variável e à injeção de alta pressão, que trabalha com até 2.000 bar e traz respostas muito mais lineares em baixas rotações.

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

O conjunto é contemplado pelo câmbio automático da família ZF de nove marchas, que na prática utiliza quase sempre até a oitava relação. A calibração se mostra inteligente e prioriza rotações baixas, mas sem matar a resposta. 

Em nossos testes, a Rampage fez o 0 a 100 km/h em 10,3 segundos, um pouco acima dos 9,9 s divulgados, diferença explicada principalmente pela primeira marcha extremamente curta e por uma leve demora de troca inicial. É algo perceptível, mas que não muda praticamente em nada o prazer ao volante.

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

Na prática, basta pisar um pouco mais fundo para perceber como a Rampage embala com facilidade. A velocidade sobe rápido, quase sem perceber, e o mais interessante é que tudo acontece bem fluido e limpo, até parece que a próxima marcha já está engatada e faz a transmissão sempre entender o que o motorista deseja. 

Retomadas e ultrapassagens são feitas tranquilamente e mesmo em velocidades mais altas, a Rampage continua firme na trajetória. Não há flutuação de carroceria, nem volante tremendo, muito menos aquela sensação de instabilidade comum em picapes mais altas. Os 221 mm de altura do solo não atrapalham em nada o comportamento, muito pelo contrário.

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

Os pneus 235/65 R17, mais altos e de perfil grosso, ajudam muito a filtrar ruído de rodagem. Soma-se isso a uma carroceria bem vedada e um motor que, mesmo diesel, trabalha até que silenciosamente em velocidade de cruzeiro. A 120 km/h, o câmbio fica entre 1.500 e 1.600 rpm em oitava marcha, e trocas suaves e quase imperceptíveis.

A direção elétrica também tem um peso muito bem dosado em qualquer situação. Na cidade, ajuda em manobras; na estrada, passa segurança; em curvas mais acentuadas, também é comunicativa para o padrão de uma picape. A rolagem de carroceria existe, como é natural, mas é bem controlada. A tração integral permanente trabalha o tempo todo e fazendo a plataforma Small Wide sempre ficar no trilho. 

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

A suspensão independente nas quatro rodas, McPherson na dianteira e multilink atrás, também é muito bem acertada para sua proposta. Ela não é macia demais, mas também não é dura. É firme na medida certa e absorve bem irregularidades, sem transmitir vibração para a cabine. A Rampage se comporta muito mais como um SUV do que como uma picape tradicional.

Os freios a disco nas quatro rodas acompanham bem o conjunto. O pedal tem boa sensibilidade e responde com precisão, mesmo em frenagens mais fortes. Curiosamente, os pneus de perfil mais alto tornam a Big Horn até mais confortável que versões como a Laramie, que usam pneus mais baixos e acabam passando mais impacto seco.

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

No uso urbano, o câmbio pode parecer um pouco mais agarrado nos primeiros metros, mas isso faz parte da estratégia de deixar as rotações baixas para favorecer o consumo. Com poucos minutos ao volante, fica claro que ele entende muito bem a intenção do motorista.  Um toque leve no acelerador gera resposta imediata, sempre de forma suave e progressiva. Por isso, sinceramente, não faz falta ter modos de condução.

Na terra leve, a Rampage passa boa sensação de controle. Há sempre potência disponível para ir além e, quando precisa de fato, a tração 4×4 faz seu trabalho. Para situações mais exigentes, o sistema oferece a 4×4 reduzida, que multiplica torque nas rodas e facilita transpor trechos mais difíceis. 

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

Além de bom desempenho e dinâmica bem acertada, a Rampage Big Horn tem ótimos números de consumo. Em nossos testes, fez 10 km/l na cidade de São Paulo e 15,6 km/l na estrada, números não só equivalentes como até melhores que os 10,3/13,3 km/l do Inmetro. Com tanque de 60 litros, dá para rodar perto dos 1.000 km em viagem, desde que o pé direito colabore.

Espaço traseiro é ponto negativo

A Rampage mede 5,02 metros de comprimento, 1,88 m de largura, 1,78 m de altura e tem 2,99 m de entre-eixos. No uso prático, o espaço traseiro cobra seu preço quando alguém mais alto dirige. Com meus 1,88 m, banco totalmente recuado, quem vai atrás fica apertado. Não é o ponto forte da picape. Em compensação, há saídas de ar e tomadas USB, o que ajuda no dia a dia. Na caçamba, são 980 litros de volume e 1.015 kg de carga útil.

Veredicto

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

A Rampage Big Horn é, sem rodeio, o melhor custo-benefício hoje entre as picapes compactas/médias e até da própria gama da Rampage. A escolha aqui depende muito menos do carro e muito mais do perfil de quem compra. Se você faz questão de pacote ADAS, os R$ 30 mil a mais da Big Horn para a Rebel pesam e precisam ser bem justificados. Agora, se isso não é prioridade, a Big Horn entrega um conjunto extremamente sólido.

Ela é claramente mais refinada que a Toro Ranch em praticamente tudo que importa no uso real. Acústica melhor, rodar mais silencioso, estrutura mais madura e sensação de robustez. A Stellantis acertou em cheio ao criar a Rampage Big Horn como algo acima da Toro Ranch, isso custando um pouco menos, mesmo compartilhando soluções. É uma picape que faz sentido racionalmente e agrada emocionalmente. 

E você, colocaria uma Ram Rampage Big Horn na sua garagem? Deixe seu comentário!


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2 comentários em “Ram Rampage Big Horn é aquilo que um dono de Ram espera | Avaliação”

  1. Eduardo Miyashita

    Rampage Big Horn não é o melhor custo-benefício entre as picapes compactas/médias. Pode ser entre as Rampage, ou entre as da Stellantis.
    Mas na categoria como um todo, não chega nem perto da Ford Maverick Hybrid. Por quase o mesmo preço, a Maverick é muito mais equipada: tem pacote ADAS completo (controle de velocidade adaptativo stop&go, assistente de manutenção de faixa, frenagem automática de emergência, visão 360°, faróis de acendimento automático, faróis altos automáticos, etc). É bem mais espaçosa no banco traseiro. Anda bem mais (0-100 km/h em 8 segundos). E gasta menos combustível. Não é diesel? Para que poluir mais se a gasolina anda tanto a mais e gasta menos? E agora nem tração nas quatro rodas falta mais.
    Brasileiro parece que fica hipnotizado com a marca “RAM”. Mas quem analisa um pouco mais logo vai ver que a Maverick é muito superior.

  2. Joab

    Eu comprei a minha há 10 dias e estou amando.

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Luiz Forelli

Estudante de jornalismo, sempre foi fascinado por carros desde pequeno. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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