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Ele é mesmo?

Renault Boreal: o SUV merece ser o Carro do Ano? | Avaliação

Quando um automóvel leva o título de carro do ano, ele carrega consigo um peso gigantesco. Não somente de ser o lançamento mais impactante de um longo período, como também uma grande aposta de um ...

14 min de leitura

Quando um automóvel leva o título de carro do ano, ele carrega consigo um peso gigantesco. Não somente de ser o lançamento mais impactante de um longo período, como também uma grande aposta de um veículo que fará sucesso. Dificilmente um carro do ano não faz sucesso, mas acontece. Com isso, o título do Renault Boreal se justifica?

Para entender melhor se toda a pompa colocada no SUV médio da Renault faz sentido, eu passei um mês com ele enfrentando todas as situações possíveis e entendendo intimamente o motivo pelo qual esse é o carro mais importante da marca francesa nos últimos 15 anos. Mas é o carro do ano? Te digo no final dessa avaliação da versão Iconic de R$ 214.990.

A evolução da marca: De Kardian para Renault Boreal

Nem todos os responsáveis por inaugurar algo tomam os louros de iniciar a revolução. Às vezes é a natural vocação para protagonista que muda o jogo. Isso aconteceu com a Renault Oroch, que abriu o segmento de caminhonetes intermediárias, mas que tem na Fiat Toro a verdadeira responsável pelo crescimento do segmento.

Renault Boreal Iconic azul de traseira em um galpão
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Cansada de ser simplesmente a Dacia do Brasil, a Renault deu o pontapé de seu plano Renaulution através do Kardian. Ele foi o primeiro produto com a plataforma modular RGMP, responsável por estrear o novo logotipo em um produto fabricado no Brasil, além da nova identidade da marca francesa.

Mas, quando olharmos para os tempos atuais com ares de passado, enxergamos o Renault Boreal como o verdadeiro divisor de águas da marca francesa. Nunca em sua história ela teve um SUV médio. Enquanto em nível de sofisticação, somente o esquecido Fluence e importados como Laguna e Grand Scénic chegaram a esse nível de refinamento.

Renault Boreal Iconic azul de lado em um estacionamento
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

O Renault Boreal é, de fato, um carro que quebra com tudo o que a fabricante fazia antes. O grande perigo, contudo, é ter concessionárias acostumadas a vender Sandero, Logan e Kwid pegando um público muito mais exigente que vem acostumado por revendas Jeep, Honda, Toyota e GWM. Se a marca francesa não souber fazer isso, o produto pode falhar.

Design do Renault Boreal: Visual de carro-conceito

Ainda que eu tenha passado o final do ano e minhas férias com dois carros e um deles chamasse atenção de maneira absurda (vocês o conhecerão semana que vem), o Renault Boreal virou muitos pescoços na rua e despertou várias perguntas. Uma das mais curiosas foi de um dono de um Honda HR-V, que me abordou no mercado ao ver o SUV francês.

Renault Boreal Iconic azul de traseira em um galpão
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Ele havia me questionado se era um SUV chinês, afinal são eles que mais têm ousado no design nos últimos tempos. Ao contar que se tratava de um Renault, a cara de espanto foi impagável. Ele não esperava o nível de design, porte e até sofisticação de uma marca que tem sua imagem apoiada há uns três anos no Kwid.

De fato, o visual do Boreal é um dos seus melhores pontos. Tanto que, quando foi apresentado à imprensa pela primeira vez, a grande maioria soltou sonoros palavrões de êxtase ao vê-lo. Me incluo, definitivamente, nessa. Afinal, não esperava tamanha ousadia visual vindo de um carro teoricamente mais mundano.

Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

A frente é o que mais se destaca, com seu farol dividido em diversas partes. Ele conta com um filete em L na parte superior, apoiado por um bloco luminoso na grade frontal. O projetor fica em uma caixa retangular logo abaixo, que ainda dá o tom para a extensão do DRL. A grade frontal tem uma barra preta e aberturas na cor da carroceria.

O design assinado pelo centro de estilo da Renault no Brasil apresenta linhas facetadas e fortes, tanto nos para-choques, quanto na lateral. Além disso, o Boreal tem capô bem reto e musculoso, o qual ajuda a dar um porte mais avantajado a ele. Na traseira, as lanternas finas são deveras elegantes.

Renault Boreal Iconic azul de traseira em um galpão
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Interior e acabamento da versão Iconic

A cabine do Renault Boreal talvez seja o maior ponto de ruptura com a fase Dacia do Brasil. Esqueça aquele acabamento ruim, lotado de plástico e com uma tentativa de material macio que a marca usou no Captur, até então seu modelo mais sofisticado. Em termos de qualidade interna, o Boreal é do mesmo nível do Mégane.

A cabine da versão Iconic usa uma elegante mistura de couro artificial azul marinho nos bancos, portas e parte do painel com superfícies pretas e detalhes em plástico preto brilhante texturizado ou imitação de alumínio. Toda parte superior do painel e das portas é tratada com material macio, enquanto a quantidade de couro nas portas chama atenção.

Painel do Renault Boreal mostrando central multimídia com Google Maps e acabamento em couro
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Seguindo a moda atual, temos console alto que ajuda a abraçar o motorista e dar a sensação de um carro até esportivo – mesmo ele sendo um SUV médio. A Renault também teve cuidado em deixar o volante do Boreal mais achatado e com revestimento de melhor qualidade em relação ao Kardian.

Só que ela esqueceu de usar couro na manopla de câmbio ao invés da borracha que tem qualidade aceitável somente para o SUV subcompacto. Os encaixes são muito bem feitos e todos os revestimentos possuem toque agradável. A penalidade vai para a porta traseira que perde muito dos materiais macios e tem uma faixa azul que tenta imitar couro.

Painel do Renault Boreal mostrando central multimídia com Google Maps e acabamento em couro
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Espaço interno e ergonomia

Um dos pontos principais sobre o interior do Renault Boreal é o contraste com o Kardian em relação à posição de dirigir. Enquanto o SUV subcompacto parece ter uma plataforma grande demais para sua proposta, o Boreal mostra que a RGMP terá nele (e na caminhonete Niágara) seu limite de tamanho.

Isso se reflete na posição de dirigir, onde o Boreal te joga mais para o centro do carro, deixando uma boa distância para a porta, mas obrigando seu joelho a roçar no console central alto. Além disso, toda a vastidão de regulagem de profundidade e altura do volante presente no Kardian, fica limitada no Boreal.

O porte mais avantajado fez com que o para-brisa avançasse bem no interior e o painel ficasse relativamente curto, obrigando o volante a ficar um tanto quanto enfiado. Se pudesse puxar mais, encontraria uma posição de dirigir mais agradável. Isso que o banco é elétrico, tem massagem e memória para o motorista.

Em compensação, o SUV médio é bem espaçoso na segunda fileira de bancos. Dá para viajar com quatro pessoas com relativo conforto, mesmo se quem sentar atrás for de porte grande. Já o porta-malas é enorme. São generosos litros que me fazem questionar que, se a Renault quisesse, o Boreal teria sete lugares.

porta-malas renault boreal
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

O piso pode ficar na altura da abertura da tampa (que é elétrica) ou mais baixo, a depender do posicionamento do tampão intermediário. Isso também possibilita criar dois andares de bagagens ou usar a parte traseira como um divisor de cargas extremamente prático. É possível também dobrar os assentos por uma alavanca direto no porta-malas.

Conectividade: Google integrado e Multimídia

Confesso que a segunda coisa que faço toda vez que entro em um carro é conectar o Apple CarPlay (a primeira é colocar o cinto). Por isso, não ter esse tipo de conexão é algo que me irrita profundamente, como aconteceu com o Geely EX2 Pro. Mas, durante um mês que fiquei com o Boreal, não conectei meu celular. Em nenhum momento.

painel de instrumentos totalmente digital do renault boreal com google maps
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Ele tem Android Auto e Apple CarPlay – sem fio, ainda por cima. Mas não precisa usar. Isso porque o SUV traz sistema Android embarcado diretamente na central multimídia e no painel de instrumentos digital. Conectei minha conta do Spotify, baixei o Waze para usar nas rodovias, conectei minha conta do Google no Maps e foi como se meu celular estivesse lá.

A integração é perfeita, permitindo usar a internet do carro para ter acesso a informações de trânsito no Maps, ouvir o Podcast Auto+ no Spotify e ver os radares pelo Waze. Para não dizer que dispensa totalmente o celular, se você receber uma ligação, não terá ela direto na central. Confesso também sentir falta de responder mensagens por voz no WhatsApp.

central multimídia digital do renault boreal com google maps
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Entretanto, o fato de já ter todos os sistemas embarcados diretamente no carro, facilita muito a vida. Pois, ao dar partida, o Maps já está lá, sua música já vai tocar e tudo fica também integrado ao painel de instrumentos. É possível ver o mapa diretamente no cluster e deixar outra informação na central. Pena que ele não deixa rodar o Maps em uma tela e o Waze em outra.

Desempenho e suspensão: Como o Renault Boreal anda?

Dirigir o Renault Boreal é um grande prazer. A marca francesa conseguiu fazer uma fórmula diferente da maioria dos SUVs médios, onde somente o Jeep Compass talvez chegue perto. O francês é nitidamente robusto, encarando a buraqueira sem o menor medo. É uma característica que ele herdou do Duster e que foi bem explorada também no Kardian.

Renault Boreal Iconic azul visto de frente
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Como resultado dessa robustez, a suspensão é um pouco mais firme. Ele se mantém posturado na estrada, mesmo em alta velocidade. Já na cidade, ruas de paralelepípedo são brincadeira para ele, que parece gostar de terrenos acidentados. Ou seja, é bom de curva e bom de encarar terrenos não asfaltados… ou mal asfaltados. Os pneus são 205/55 R19.

A direção vai no mesmo sentido. Ela é pesadinha, até mais do que acontece nos Volkswagen que são conhecidos por ter uma direção mais firme e direta. É um certo tempero apimentado o qual revela o potencial esportivo que a plataforma RGMP e, por consequência, o Boreal, tem.

Renault Boreal Iconic azul de traseira em um galpão
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Motor 1.3 Turbo e consumo

Para compor a parte mecânica do Boreal, a Renault usou de um motor já conhecido e uma transmissão relativamente recente, mas em uma combinação inédita. O 1.3 quatro cilindros turbo flex é o mesmo do Duster, da Oroch e o finado Captur, mas já com o acerto do PL8 que passou a entregar 163 cv e 27,5 kgfm de torque.

Ou seja, temos torque idêntico ao 1.3 turbo da Stellantis que está presente nos rivais Compass e Commander. Já a transmissão é a automatizada de dupla embreagem com seis marchas que estreou no Kardian. A Renault preferiu usá-la ao invés do CVT para possibilitar eletrificação e melhorar a eficiência.

motor 1.3 turbo do renault boreal
Renault Boreal Iconic [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Felizmente, a calibração do câmbio foi muito mais bem feita do que a da Nissan no Kicks, mas ainda assim mais conservadora do que no Kardian. O Renault Boreal troca de marcha relativamente rápido, mas tem um certo delay para acordar ou para fazer as reduções quando elas se fazem necessárias.

Mas, no geral, o Renault é um carro que anda muito bem. A potência não sobra, mas também não falta. Mesmo carregado, ele vai tranquilo na estrada e na cidade, não vacilando. Só o consumo assusta. Oficialmente ele faz 7,8 km/l na cidade com etanol e 9,4 km/l na estrada. Com gasolina, marca 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada.

Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Durante nossos testes com cerca de 80% da quilometragem feita em cidade, a média foi de 7,5 km/l no etanol. O que está ok para o porte do carro. Mas, com gasolina, ele melhorou timidamente para apenas 8,5 km/l. Algum tipo de eletrificação, mesmo que fosse MHEV, ajudaria o Boreal a beber menos.

Tecnologia e Assistentes de Condução (ADAS)

Algo diferente do padrão anterior da Renault é a presença de diversos sistemas de auxílio à condução no Boreal. Ele tem sistema de leitura de placa que permite selecionar a velocidade da placa através de um botão, tanto para o limitador, quanto para o piloto automático adaptativo. E isso me gerou uma situação constrangedora.

Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Ao detectar uma placa de 40 km/h, eu imediatamente fiz uma curva e bati a mão nesse botão. Com isso, o Boreal ativou o limitador de velocidade e não passava disso. Mas não havia um sinal claro do que estava acontecendo. Pensei eu, que o carro estava com problema. Mas o problema era a peça entre o banco e o volante. Isso se repetiu mais quatro vezes durante meus testes com ele.

Fora esse erro – mais causado pelo motorista do que pelo carro – os sistemas de auxílio à condução do SUV são muito bem feitos. Temos manutenção em faixa trabalhando bem com o alerta de ponto cego que, inclusive, emite alertas para não abrir as portas no momento errado ao detectar algo passando pela lateral do Boreal.

manopla de câmbio e seletor de modo de condução do renault boreal
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Há também piloto automático adaptativo e farol alto automático entre os itens de segurança, combinado a alerta de tráfego cruzado. Todos eles trabalham bem e sem intervenções chatas na condução do motorista – ao contrário de todos os carros chineses à venda no Brasil.

Lista de principais equipamentos do Renault Boreal Iconic

  • Ar-condicionado digital de duas zonas (com comandos físicos);
  • Bancos dianteiros elétricos com massagem e memória para o motorista;
  • Carregador de celular por indução;
  • Painel de instrumentos totalmente digital;
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio;
  • Sistema de câmeras 360 graus (com qualidade ruim);
  • Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro;
  • Vidros elétricos nas quarto portas com acionamento um toque;
  • Chave presencial;
  • Faróis e lanternas full-LED, faróis de neblina e molas a gás no capô;
  • Indicador de fadiga;
  • Internet embarcada;
  • Monitoramento de pressão nos pneus;
  • Freio a disco nas quatro rodas;
  • Seletor de modo de condução
  • Start-stop;
  • Teto solar panorâmico
  • Porta-malas com abertura elétrica
  • Retrovisor fotocrômico;
  • Sistema de som Harman Kardon de excelente qualidade.

Veredicto: Renault Boreal é o carro do ano?

Renault Boreal Iconic azul visto de frente
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

No final das contas, faz todo sentido que o Renault Boreal seja coroado como carro do ano. Não somente por ser um produto excelente em si, mas também por marcar uma verdadeira revolução dentro da marca francesa. Ele será o responsável por desenhar uma linha que divide a Renault do passado com Sandero e Logan e a do presente com ele.

Robustez e sofisticação são seus principais atributos, junto da inegável beleza, porta-malas enorme e tecnologia de conectividade. Ele é um lançamento impactante por trazer algo totalmente diferente do que fomos acostumados por anos a associar com a Renault. E é aí que mora o principal ponto de atenção.

Renault Boreal Iconic azul de traseira em um galpão
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

A Renault precisa saber trabalhar o Boreal. Suas concessionárias estão acostumadas a tratar com clientes que brigam por cada centavo de preço. Motoristas que compram Sandero, Logan, Duster e Kwid não com a emoção, mas totalmente com a razão. O cliente do Boreal é mais exigente e precisa de algo que a Renault desacostumou.

No final das contas, a falta de eletrificação acima dos R$ 200 mil também pode atrapalhar o modelo. Visto que a maioria das marcas chinesas tem algum SUV de mesmo porte e preço semelhante oferecendo pelo menos um motor HEV. Como agora a maioria das concessionárias Renault também vende Geely, isso pode ser um problema para o Boreal.

Você teria um Renault Boreal? Conte nos comentários.


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2 comentários em “Renault Boreal: o SUV merece ser o Carro do Ano? | Avaliação”

  1. Rafael

    Não me convenceu, tenho um corolla, se eu quiser manter segurança fico na toyota e eu quiser arriscar, o que penso, vou de tiggo pelo custo beneficio, não arriscaria no boreal

  2. Rafael

    Não me convenceu, tenho um corolla, se eu quiser manter segurança fico na toyota e se quiser arriscar vou de tiggo pelo custo beneficio, não arriscaria no boreal

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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