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Você faz tudo com o Honda Civic Type R, e ele ainda arranca lágrimas | Avaliação

O Honda Civic Type R é um carro feito para ser guiado, que faz esquecer os problemas tanto pelo desempenho quanto pela dinâmica sui generis

10 min de leitura

A vida é engraçada: às vezes sentimos a perda de alguém sem ao menos conhecer pessoalmente. Foi assim, em 30 de novembro de 2013, ao saber do falecimento de Paul Walker, astro da franquia Velozes e Furiosos. Carros são um elo de conexão entre pessoas. Não apenas mais de uma tonelada de aço e plástico, que nos levam do ponto A ao B.

Muito antes do primeiro Velozes e Furiosos, eu já era um maluco por carros e fã de Need for Speed — joguei o primeiro em 1994, quando tinha 12 anos. Faz tempo! Na maioria das vezes, você não aprende a gostar de carros; nasce com essa paixão, herdada de pais e avós. Foi assim comigo e acredito que, com você, tenha acontecido o mesmo!

Embora sem nos olharmos uma única vez, o elo entre mim e Paul Walker sempre foram os carros japoneses. Gosto de caminhonetes, sim, mas, quando o assunto são esportivos, os fabricados na Terra do Sol Nascente me deixam de joelhos — confesso! A vida conspirou para que eu trabalhasse com minha paixão, e a sorte jogou ao meu lado.

Honda Civic Type R vermelho parado de frente na pista
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Sim, tive a oportunidade de avaliar o Civic Si K20, o Civic Si K24, o Civic Si 1.5 turbo — um dos coupés mais lindos do mundo — e também o Civic Type R, logo após o lançamento há dois anos. Quem diria que aquele moleque que jogava NFS estaria revisitando o Civic Type R, o responsável por fazer sumir todos os problemas da vida adulta? Realmente, a vida é engraçada!

Honda Civic Type R: você só quer dirigir…

O Honda Civic Type R é um carro sui generis. Desde o visual alargado até a grande asa montada sobre a tampa do porta-malas, passando pelo interior com carpete e bancos frontais concha vermelhos. Absolutamente tudo é pensado e voltado para o acerto dinâmico, assim como para uma dirigibilidade radical. A qual te fará gastar mais de R$ 400.000 sem pensar duas vezes.

Nem sempre os números da ficha técnica exprimem um carro, seja ele normal ou esportivo. Costumo dizer: “você não precisa ter 500 ou mais de 600 cv para se divertir. O que realmente importa é como essa cavalaria é passada tanto ao chão quanto ao motorista, além da forma como o carro serpenteia nas curvas”. Acerto dinâmico fala mais alto que potência de arrepiar a alma.

Honda Civic Type R vermelho parado de traseira na pista
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Sob o capô do Honda Civic Type R está o motor quatro cilindros 2.0 DOHC VTEC turbo, acoplado ao câmbio manual de seis marchas, que rende 297 cv a 6.500 rpm e 42,8 kgfm entre 2.600 e 3.500 rpm. Não se prenda apenas aos números, pois é ao volante que tudo faz sentido no Honda Civic Type R. É um jato, mas perfeitamente utilizável até para ir ao supermercado ou buscar os filhos no colégio.

Uma calibração na medida certa entre esportividade e usabilidade. Sendo assim, o Honda Civic Type R é um carro para ser guiado até no dia a dia, mesmo equipado com suspensões esportivas e rodas de 19 polegadas calçadas com pneus Michelin Pilot Sport 4S, na medida 265/30 em ambos os eixos.

Motor 2.0 turbo do Honda Civic Type R
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

…e sem parar!

A mística do Honda Civic Type R é difícil de ser explicada em palavras. Pense em um canhão para acelerar, mas dócil quando não provocado, que permite ser conduzido até por motoristas não acostumados com esportivos. Ou seja, o Honda Civic Type R une o melhor de dois mundos na mesma embalagem.

O visual matador revela 4,59 m de comprimento, 1,89 m de largura, 1,40 m de altura e 2,73 m de entre-eixos, com acesso ao banco traseiro facilitado pelas quatro portas — algo que não ocorria tanto nos coupés Si K24 e Si 1.5 turbo. Além disso, a capacidade volumétrica do porta-malas é de 337 litros, o que ajuda na hora das compras ou das viagens de finais de semana.

Porta-malas do Honda Civic Type R
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Esse conjunto da obra possibilita transformar uma ida ao supermercado ou à farmácia em um passeio. À sua frente, o longo capô; já no retrovisor, é possível enxergar a asa traseira, fixada e sustentada por apoios de alumínio — o mesmo material do capô — em prol da redução de peso.

Tudo foi criado para obter o menor peso possível, e na balança o Honda Civic Type R registra 1.451 kg, o que resulta em uma relação peso-potência de 4,88 kg/cv e peso-torque de 33,9 kg/kgfm. Uma equação auxiliada pelos engates curtos e extremamente precisos da caixa manual de seis marchas.

Alavanca do câmbio de seis marchas do Honda Civic Type R
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Assim como o PDK da Porsche, a transmissão manual do Honda Civic Type R é outra obra da engenharia moderna. A precisão das trocas impressiona, e a cada mudança a rotação do motor 2.0 turbo não cai. É faca quente na manteiga, e o Honda Civic Type R dispara à frente com vigor, acompanhado de um ronco agudo que remete a motocicletas.

Punta-taco automático

Da primeira à sexta, é marcha sobre marcha, e nas reduções o punta-taco é automático, favorecendo a dirigibilidade. A cada redução, a sonoridade emitida pela saída tripla de escape, ao centro do para-choque traseiro, é de arrepiar — assim como o sopro do turbocompressor.

Indo com o pé leve, o Honda Civic Type R permite estar em quinta marcha a 50 km/h, assim como em sexta a 60 km/h. Não há muito turbolag (atraso antes do turbocompressor pegar para valer), e quando provocado, esse esportivo da Terra do Sol Nascente responde de forma malcriada.

Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Com menos de meio curso no pedal do acelerador, o Honda Civic Type R já dá indícios do seu poderio e dispara com vontade, mesmo equipado com tração dianteira. Aliás, ele é o carro mais rápido com tração dianteira em Nürburgring, na Alemanha.

Ao entrar forte nas curvas, mostra uma tendência a sair de frente, porém isso é facilmente corrigido. É um carro previsível e, embora tenha tração dianteira, a traseira joga para favorecer o contorno. Pregado no chão, é possível sentir tudo o que está acontecendo por baixo da carroceria. Você o coloca onde quiser, com extrema facilidade, e a direção assistida eletricamente é muito rápida tanto ao esterço (1,25 volta de batente a batente).

Freio Brembo

Após uma forte aceleração na reta do traçado do Haras Tuiuti, no interior de São Paulo, ao aplicar o pedal de freio, o Honda Civic Type R não transfere de maneira brusca a força entre os eixos. Ao contrário, freia com vontade e em linha reta, sem que seja necessário movimentar o volante para correções de trajetória.

A Honda aplicou freios com discos de 350 mm de diâmetro no eixo dianteiro, mordidos por pinças de alumínio da renomada Brembo com quatro pistões, enquanto no eixo traseiro aparecem discos de 305 mm. Mesmo após uma tarde inteira aproveitando todo o potencial do Honda Civic Type R, em nenhum momento os freios apresentaram qualquer sinal de fading.

Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

A capacidade de bailar nas curvas vem das suspensões McPherson de duplo eixo com barra estabilizadora na dianteira e Multi-link na traseira, também equipada com barra estabilizadora. Assim como um Porsche 911 GTS, 911 Turbo e 911 Turbo S, o Honda Civic Type R pode ser guiado no dia a dia, sem grandes complicações.

Ao volante, só é preciso ter cuidado com valetas muito pronunciadas ou saídas de garagem de prédios, devido à altura reduzida em relação ao solo. Além disso, falando das visitas aos postos de abastecimento o consumo de gasolina é de 8,8 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada, segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro. Ou seja, não assusta!

Honda Civic Type R vermelho parado de traseira e lateral
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Vida a bordo no Honda Civic Type R

Caso você utilize o Honda Civic Type R no dia a dia, ele te recebe com os bancos concha frontais, que não são desconfortáveis no uso cotidiano, além de um multimídia de nove polegadas com Android Auto/Apple CarPlay e som assinado pela Bose, composto por 12 alto-falantes.

O revestimento interno destaca o painel com acabamento em treliça, acompanhado do número de série, as pedaleiras esportivas, o quadro de instrumentos TFT digital de 10,2 polegadas, além das entradas USB, carregador de smartphone por indução e ar-condicionado de duas zonas com ajuste automático de temperatura.

Quadro de instrumentos do Honda Civic Type R
Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

Também há o seletor de modos de condução: Comfort, Sport/+R e Individual. Esses programas alteram a forma como o desempenho é transmitido, desde uma condução comedida até o modo mais radical, o +R. Quando ele está acionado, uma sequência de LEDs indica os tempos de troca de marchas, e um recurso possibilita melhorar seu desempenho.

Esse recurso é o LogR no multimídia, que informa parâmetros vitais quando o carro está em uso mais extremo, além de analisar a pilotagem do condutor em autódromos nacionais já cadastrados. Ele também oferece dicas para melhorar a pilotagem e, consequentemente, o tempo de volta.

Sendo um carro para ir trabalhar e também acelerar nas pistas, quem viaja atrás encontra bom espaço para as pernas, graças aos 2,73 m de entre-eixos. Além disso, o desenho dos bancos concha frontais não rouba muito espaço para as pernas e joelhos dos ocupantes da segunda fileira.

Veredicto

O Honda Civic Type R é a equação mágica entre condução precisa e usabilidade no dia a dia. Um esportivo que faz você repensar a vida e esquecer os problemas, pois a única vontade é dirigir e dirigir sem hora para parar. Poucos carros conseguem essa fórmula. Pode não ser barato, mas vale cada centavo do que custa.

Para aqueles que reclamam do preço, deixo uma dica: vá fazer um test drive para repensar. Talvez você até saia convencido da concessionária. Aliás, para quem gosta de engenharia e de carro, ele é, sim, a escolha certeira. Te leva ao trabalho, ao supermercado, à farmácia e ao autódromo — de onde você vai aproveitar todo o potencial e ainda voltar dirigindo para casa.

Honda Civic Type R [Auto+ / João Brigato]

O que você acha do Honda Civic Type R? Entre ele e o Toyota GR Corolla, qual você escolheria? Compartilhe sua opinião nos comentários!


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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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