Se há dez anos o status das marcas chinesas na própria China era apenas uma alternativa aos modelos ocidentais, o jogo virou totalmente. Atualmente, o mercado de luxo local presencia o avanço rápido de fabricantes como Aito e Zeekr. Essas marcas estão engolindo as alemãs, que eram símbolos de status, forçando a criação da AUDI.
Inegavelmente, o movimento da marca das quatro argolas foi muito inteligente para o contexto atual do mercado asiático. A nova divisão não precisa mais basear seus modelos em carros internacionais modificados, pois os veículos nascem do zero. Eles são pensados especificamente para o gosto do consumidor de luxo chinês, que se mostra cada vez mais exigente.
O conflito entre o status tradicional e o novo luxo chinês
Ao manter o nome Audi, mas escrito em letras garrafais, a empresa preserva a ligação direta com a matriz alemã. Isso cria a sensação de que devemos pronunciar o nome da marca sempre gritando com as pessoas ao redor. Para o comprador local, o produto ainda é um Audi, mas devidamente adaptado às suas tecnologias regionais.

A SAIC Audi apresentou publicamente a AUDI em novembro de 2024, consolidando uma das parcerias mais estratégicas na região. Essa cooperação é fundamental, visto que os modelos da nova marca não utilizam as bases tradicionais da matriz alemã. Na verdade, eles utilizam a plataforma da iM, que é a divisão de luxo do grupo Saic.
A parceria estratégica com a SAIC
O primeiro fruto dessa união foi a perua E5 Sportback, baseada no iM L6 e grande atração no Salão de Xangai. Por serem projetos chineses, os carros da AUDI exibem um visual muito mais futurista do que a identidade padrão alemã. O interior da E5 é dominado por telas e linhas limpas, agradando em cheio ao público jovem daquele país.

Entretanto, o ponto mais relevante para o sucesso dessa empreitada comercial é o preço final praticado nas lojas locais. A E5 custa menos do que um A5 convencional, apesar de ser um carro maior, mais potente e bem mais luxuoso. Na China, as quatro versões da perua variam entre 235.900 e 319.900 yuans atualmente.
Preço competitivo e desempenho superior
Em termos de desempenho, a versão de entrada possui tração traseira e entrega 300 cv de potência bruta ao motorista. Já a variante topo de linha atinge 100 km/h em apenas 3,4 segundos com tração integral e 787 cv. O sucesso é comprovado pelo fato de a E5 já ser um dos modelos mais vendidos da AUDI naquele mercado.

Além disso, a marca lançará este ano seu segundo modelo, um SUV ligeiramente maior do que o Q5 atual em dimensões. O veículo será baseado na perua E5 e foi antecipado pelo conceito E SUV Concept em feiras recentes. Essa movimentação prova que, para brigar com chineses, a única saída viável é agir como um deles.
Você teria um carro da AUDI se ele fosse vendido oficialmente no Brasil ou prefere os modelos tradicionais das argolas? Conte sua opinião nos comentários.


