Inegavelmente, a terceira luz de freio, popularmente conhecida como brake light, tornou-se um item onipresente nos carros de passeio brasileiros devido à legislação de segurança. Posicionada de forma centralizada e geralmente em um nível mais elevado que as lanternas principais, ela serve para alertar com clareza o motorista que vem logo atrás sobre uma frenagem. No entanto, muitos proprietários e entusiastas notaram que a Ram Rampage simplesmente não conta com esse componente.
O questionamento sobre a legalidade dessa ausência é comum. Ao consultar a Stellantis sobre o tema, a fabricante esclareceu que a falta do item não configura uma irregularidade. Segundo a empresa, a Resolução 970/22 do Contran desobriga a instalação da terceira luz de freio em veículos comerciais leves da categoria N1 que possuam compartimento de carga aberto. Esse é exatamente o enquadramento jurídico da Rampage e de diversas outras caminhonetes vendidas no país.
O motivo técnico por trás da brecha
A lógica da lei permite essa exceção para veículos comerciais porque, em situações de trabalho, o brake light acaba frequentemente obstruído. Se um motorista transporta uma carga mais alta ou posiciona um objeto volumoso encostado na cabine, a luz central perderia sua função de visibilidade. Dessa forma, o Conselho Nacional de Trânsito entende que a obrigatoriedade não faz sentido para modelos com caçamba aberta.

Todavia, o caso da Ram Rampage envolve uma decisão de projeto específica. Por compartilhar grande parte de sua estrutura com a Fiat Toro, a picape da Ram herdou essa característica de engenharia. Na versão Endurance da Toro, a Fiat instalou um rack de teto reduzido apenas para suportar a luz de freio elevada. Já no caso da sua prima mais luxuosa, a marca optou por abdicar do item para manter um visual mais limpo e alinhado ao estilo das caminhonetes americanas de maior porte.
Design versus funcionalidade
Embora a lei permita a ausência, a discussão sobre a segurança permanece. Em veículos de passeio, a eficácia da terceira luz de freio na prevenção de engavetamentos é comprovada por diversos estudos de tráfego. No caso das picapes modernas, que circulam cada vez mais em ambientes urbanos e em altas velocidades, a falta de um ponto de luz elevado pode retardar o tempo de reação de quem vem atrás, especialmente em situações de visibilidade reduzida.

Ademais, a estratégia da Stellantis mostra como as marcas aproveitam as nuances da classificação tributária e técnica para otimizar o desenho de seus produtos. Enquanto a Rampage foca no apelo premium e na estética bruta, a segurança luminosa fica restrita apenas às lanternas laterais, que seguem rigorosamente o padrão exigido para a categoria N1.
Você acredita que a terceira luz de freio deveria ser um item obrigatório para todos os veículos, independentemente do tipo de caçamba ou categoria comercial? Conte sua opinião nos comentários.



