Confesso que nutro um carinho especial pelas decisões questionáveis da indústria automotiva francesa. Especialmente quando as fabricantes parecem tomar decisões após um excesso de queijo brie vencido. No início dos anos 2000, a Renault atravessou uma fase de criatividade absoluta, resultando em veículos icônicos e, simultaneamente, desprovidos de qualquer sentido prático. O Renault Clio V6 representa o ápice desse período de ousadia.
Se a ideia de converter um carro comum em esportivo já parece ousada, o que a marca francesa realizou com este hatch está em outro patamar. Lançado oficialmente em 2001, o projeto nasceu de uma parceria técnica entre a Tom Walkinshaw Racing e a divisão RenaultSport. Inicialmente, o objetivo focava na promoção do modelo de segunda geração por meio de uma categoria de competição exclusiva. Assim surgiu o Clio Trophy, um bólido de pista com motor central que apenas lembrava visualmente o modelo que levava as pessoas ao trabalho.
![Renault Clio V6 Trophy [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/12/renault_clio_v6_v6_trophy_edited-1200x721.jpg)
O hatch que exagerou na creatina
A Renault se empolgou tanto com a recepção do carro de corrida que decidiu levá-lo para as concessionárias. Para viabilizar o projeto, a engenharia utilizou a carroceria do Clio de duas portas, mas alargou cada painel de forma substancial. Os novos para-lamas ficaram tão proeminentes que criaram uma saliência agressiva próxima aos faróis. Certamente, o visual de carro de Uber passou longe dessa configuração.
Essa mudança drástica servia para acomodar as entradas de ar do motor, posicionadas logo atrás das portas. O volume lateral transformou o compacto em um veículo de ancas largas e intimidadoras. Enquanto o Clio convencional possuía 1,63 m de largura, a variante V6 atingia impressionantes 1,94 m. Inegavelmente, o carro ficou 21 cm mais largo que o modelo original, exigindo cuidado redobrado em garagens apertadas.
![Renault Clio V6 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/12/renault_clio_v6_68_edited-1200x720.jpg)
Performance de motor central e tração traseira
Diferente de qualquer outro hatch da história moderna, o Renault Clio V6 abrigava o motor logo atrás dos bancos dianteiros, sacrificando totalmente o banco traseiro e o porta-malas. Na chamada Fase 2 do modelo, a fabricante aprimorou o propulsor V6 para entregar 255 cv. Esse número garantiu a ele o título de hatch mais potente do mundo naquela época.
Consequentemente, o pequeno monstro acelerava de 0 a 100 km/h em apenas 5,9 segundos e alcançava uma velocidade máxima de 246 km/h. Por outro lado, dirigir essa máquina exigia respeito. Com o entre-eixos curto e o motor central, o carro apresentava um comportamento arisco que punia motoristas excessivamente confiantes em curvas fechadas. Ademais, a Renault aplicou melhorias na suspensão durante a reestilização para tornar o veículo um pouco mais estável e prazeroso de guiar no dia a dia.
![Renault Clio V6 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/12/renault_clio_v6_9_edited-1200x720.jpg)
O fim de uma era de ouro
O modelo também recebeu a nova identidade visual da marca em sua fase final, adotando faróis mais angulares. Por se tratar de um veículo de imagem com custo de produção elevado, a Renault fabricou poucas unidades. Apenas 1.309 exemplares da Fase 2 saíram da linha de montagem entre 2003 e 2005. Depois disso, nunca mais uma fabricante teve a coragem de instalar um motor de seis cilindros no meio de um carro compacto.
Você já conhecia a história do lendário Renault Clio V6 ou achava que o Sandero RS era o limite da loucura francesa no Brasil? Conte sua opinião nos comentários.
![Renault Clio V6 Phase II [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/12/renault_clio_v6_26_edited-1200x719.jpg)
![Renault Clio V6 Phase II [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/12/renault_clio_v6_5_edited-1200x719.jpg)


