A Honda Motos fechou 2025 com o que a empresa gosta de chamar de desempenho histórico. Nos números frios, a coisa é impressionante: 1,4 milhão de motocicletas emplacadas no Brasil. Um crescimento de 14% que, convenientemente, supera o recorde anterior de 2012.
Quatro anos seguidos acima da marca de 1 milhão. Liderança absoluta? Sim, mas é aquela liderança que beira o monopólio (67% em 2025), onde o concorrente vê a poeira de longe e a Honda, essencialmente, compete consigo mesma.
O bom momento mensal, com 139 mil unidades em outubro (melhor mês desde março de 2012), mostra o aquecimento do mercado. Ou talvez apenas demonstre a eficiência da máquina de vendas da gigante japonesa em um país que, por razões logísticas e econômicas, segue abraçando a motocicleta como solução de mobilidade.

E o plano para sustentar esse crescimento? Mais do mesmo, mas em maior escala. A Honda anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 1,6 bilhão até 2029. O dinheiro vai, em grande parte, para a expansão da fábrica de Manaus (AM).
A meta é atingir 1,6 milhão de unidades por ano. Trata-se de uma aposta na perpetuação do atual modelo de negócios, que inclui “lançamentos de novos modelos”, o que, na prática da Honda no Brasil, muitas vezes significa um novo grafismo ou um motor ligeiramente atualizado, e melhorias nos processos industriais, com foco em eficiência, flexibilidade e competitividade. Em outras palavras: produzir mais e gastar menos.

Maior rede autorizada do país
O pilar da liderança continua sendo um portfólio amplo e diversificado (leia-se: conseguimos vender desde uma cinquentinha até motos maiores, mas o grosso é a base da pirâmide). A rede de 1.100 pontos de venda garante capilaridade inquestionável.
Mas o grande segredo da Honda tem nome e sobrenome: CG 160, que já foi 150 e, mais lá atrás, 125. Com mais de 478 mil unidades vendidas em 2025, ela representa quase um terço das vendas totais da marca. Sozinha, a CG vende mais que Yamaha e Shineray (2ª e 3ª colocadas no ranking de emplacamentos das marcas de motos). É o veículo mais vendido do Brasil desde que Dom Pedro II usava velotrol.

Lançada em 1976, a linha CG é a prova viva de que, no Brasil, o que funciona (e bem) não se mexe. A linha Biz e a Pop 110i ES completam o pódio da praticidade e da economia, garantindo a fidelidade da massa consumidora.
Banco, Consórcio, Seguros…
Além das motos, a Honda avança no ecossistema de apoio para o foco central dos negócios. Quase metade das vendas passa pela Honda Serviços Financeiros. O Consórcio Honda vendeu 1,1 milhão de cotas. O Banco Honda assinou 224 mil contratos. A Seguros Honda cresceu 30%.


É a estratégia de aprisionamento do cliente funcionando a pleno vapor: o sujeito compra a moto, financia com eles, faz o consórcio com eles e ainda contrata o seguro na mesma casa. Um círculo virtuoso para a empresa, claro. E, certamente, vantajoso para o cliente, visto que tanta gente continua fiel à marca.
A produção em Manaus acompanhou o ritmo, com alta de 17% e o melhor resultado desde 2011. Em 2026, a Honda celebra 50 anos de produção nacional, justamente o jubileu da CG.

As expectativas são positivas, embaladas na promessa de novos lançamentos e o fortalecimento da motocicleta como solução de mobilidade econômica, eficiente e cada vez mais tecnológica.
E você, o que acha das motocicletas da Honda? Caso seja dono, compartilhe sua experiência nos comentários.


