Quando se fala na ofensiva chinesa iniciada entre 2023 e 2026, a maioria das montadoras encontrou seu espaço, umas melhores e outras piores, mas se estabeleceram. Porém a Neta foge desse padrão. A marca sofre recuperação judicial na China, problemas comerciais, mas ainda emplaca carros no Brasil, muito graças à locadora.
Em 2025 foram registrados 163 unidades emplacados, segundo dados da Fenabrave. No acumulado mais recente divulgado, do mês de janeiro, constam 32 veículos. Para uma fabricante que iniciou operação em 2024 e tem apenas uma concessionária aberta, é algo que chama atenção. E mesmo praticamente falida na China, a Neta ainda insiste que seguirá no Brasil.
Estrutura mínima
Hoje, a Neta conta com apenas uma concessionária ativa, a Neta Potenza, no Rio de Janeiro. O escritório administrativo funciona na Avenida Paulista, em São Paulo. Não existe rede ampla de lojas nem expansão confirmada no curto prazo.

Os dois modelos oferecidos são o Neta Aya e o Neta X. O Aya, hatch elétrico rival do BYD Dolphin, GWM Ora 03 e Geely EX2, parte de R$ 143.900. Já o Neta X, SUV elétrico com preço inicial de R$ 225.000 na versão Comfort, tenta disputar espaço com modelos como Geely X5, MGS5, Leapmotor B10, BYD Yuan Plus e Chevrolet Captiva EV.
Venda direta para locadoras sustenta os números
Boa parte das unidades que aparecem emplacadas tem sido direcionada a locadoras especializadas em carros elétricos para motoristas de aplicativo.

Segundo apuração do Autoesporte, a empresa LDV adquiriu 250 unidades dos modelos Aya e X. Destas, 110 já estão rodando com motoristas em São Paulo.
Os valores de locação ajudam a entender o apelo. O Neta X custa R$ 1.400 por semana, o que representa R$ 5.600 por mês. O Aya sai por R$ 950 semanais, cerca de R$ 3.800 mensais. As entregas, no entanto, ocorrem em um estacionamento no bairro do Brás, na capital paulista.

A própria LDV informou que busca um endereço fixo para abrir sede na cidade. A empresa tem forte presença nas redes sociais, mas não oferece informações básicas de uma empresa como razão social, CNPJ ou endereço comercial em um site estruturado.
Esse movimento ajuda a entender por que começamos a ver mais Netas nas ruas, inclusive isso foi tema já discutido no podcast do Auto+. Ou seja, não é uma expansão orgânica de concessionárias, e sim venda direta concentrada para motoristas de aplicativo.
Dívidas e acordos rompidos
![Neta X [Divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/08/neta_x_2-1320x792.webp)
A situação financeira da Neta no Brasil também não é simples. A marca acumulou dívidas superiores a R$ 2 milhões com fornecedores de marketing e com uma operadora logística em Cariacica, no Espírito Santo.
Ela também deixou de cumprir acordos comerciais com o grupo Genial, dono da concessionária Potenza, segundo a revista. O site oficial da Neta até chegou a sair do ar, mas voltou a funcionar posteriormente.
Pós-venda ainda é ponto sensível

Um dos maiores questionamentos gira em torno do pós-venda. Hoje, não existe uma rede estruturada nacionalmente. Segundo a revista Quatro Rodas, a marca promete contar com oficinas especializadas parceiras para realizar revisões em garantia.
A Neta trouxe ao Brasil módulos eletrônicos, componentes elétricos e sistemas de assistência à condução para reparos mais complexos. Esse estoque fica no centro de distribuição da empresa em São Bernardo do Campo. As peças de reposição vêm da China.
Neta L híbrido está nos planos para 2026

Apesar do cenário instável, a fabricante projeta lançar em 2026 o Neta L, um SUV híbrido de porte semelhante ao BYD Song Pro. Resta saber se a marca terá estrutura e confiança suficientes no mercado brasileiro para sustentar essa expansão.
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