A BMW Motorrad não pretende eletrificar sua principal família de modelos — e faz questão de deixar isso claro. Em declaração direta e sem espaço para interpretações, o CEO da divisão de motocicletas do grupo alemão, Markus Flasch, afirmou que uma GS elétrica simplesmente “não faz sentido”. O posicionamento, revelado em entrevista ao site italiano Moto.it, coloca um ponto final em especulações sobre uma eventual big trail elétrica.
Mais do que uma decisão técnica, a fala de Flasch reflete uma visão estratégica bastante definida sobre o futuro da marca. Para o executivo, eletrificação em motos de grande cilindrada não se alinha ao propósito da BMW Motorrad, especialmente em segmentos nos quais autonomia, versatilidade, robustez e capacidade de uso em longas distâncias são atributos centrais. No caso da família GS, esses valores são inegociáveis.
A negativa também se estende a outras frentes. Flasch descartou qualquer movimento em direção a alternativas como hidrogênio e foi igualmente enfático ao rejeitar estratégias de baixo custo. “Se você quer uma BMW, compra uma BMW”, afirmou, reforçando que a marca não pretende diluir sua identidade premium para ampliar volumes ou competir por preço, seja em mercados emergentes ou em segmentos mais acessíveis.

Essa postura ajuda a entender por que a BMW Motorrad segue distante de alianças industriais com fabricantes asiáticos para o desenvolvimento de produtos “low cost”, caminho adotado por diversas marcas europeias nos últimos anos. Questionado sobre essa possibilidade e uma eventual ampliação da oferta de modelos mais baratos, Flasch foi categórico: não há planos nesse sentido.
Sem pressa para as médias
Nem mesmo o debate sobre os segmentos intermediários arrancou promessas do executivo. Embora reconheça que exista espaço entre as faixas de 400 e 700 cc — mais especificamente entre 450 e 900 cc —, Flasch evitou antecipar lançamentos ou indicar uma ofensiva clara nessa direção. A mensagem é clara: a BMW só entrará onde fizer sentido estratégico e onde puder entregar um produto alinhado à sua identidade.


Nesse contexto, a família GS segue como eixo central da estratégia global da BMW Motorrad. Flasch citou a recém-apresentada BMW F450 GS como exemplo dessa visão. Segundo ele, a proposta não é criar uma enduro especializada ou um modelo “simplificado”, mas uma GS legítima, capaz de funcionar como porta de entrada ao universo mais emblemático da marca.
“Queríamos atrair novos clientes para o universo GS”, explicou, destacando que quem ingressa nesse segmento tende a permanecer nele ao longo do tempo.

Elétrica? Só scooter
No campo da eletrificação, a abordagem da BMW permanece pragmática. Atualmente, o único modelo elétrico da marca é o scooter CE 04, concebido para uso urbano, onde limitações de autonomia e infraestrutura são menos críticas. Fora desse contexto, projetos como uma GS elétrica simplesmente não entram no radar. Para Flasch, nem toda tendência precisa ser seguida, especialmente quando não combina com a essência da marca.
Ao descartar uma GS elétrica, a BMW Motorrad reafirma sua convicção de que coerência de produto e identidade valem mais do que atender pressões momentâneas do mercado. Em um cenário de rápidas transformações na indústria, a mensagem da marca alemã é clara: evolução, sim, mas sem abrir mão daquilo que construiu sua reputação.
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