Tal qual o mundo dos automóveis, os fabricantes mundiais de motocicletas adotam com profusão a criação de motos-conceito. Além de anunciarem novas tecnologias e tentarem associar a imagem da marca a recursos cada vez mais high-techs, essas empresas usam as “concept-bikes” para ensaiarem novas propostas estéticas que irão (ou não) compor o estilo de modelos já previstos, no forno, prontos para serem lançados.
Mas tem de tudo, na verdade. Tem que invista mais no rompimento de paradigmas, com o objetivo de mostrar alta tecnologia; ou quem queira testar propostas; ou ainda quem só queira “chutar o pau da barraca”, chocando o mercado com propostas extremamente exóticas.
E por que isso? Provavelmente para reverter a imagem de uma marca desconhecida e criar um efeito “trending topic”. Conheça três exemplos recentes mostrados fora do Brasil.



Honda EV Outlier Concept
A Honda EV Outlier Concept é daquelas ideias que parecem ter saído de um estúdio de ficção científica, mas que carregam a assinatura pragmática da Honda. No Japan Mobility Show, a marca mostrou que, quando se livra das amarras do motor a combustão, o desenho das motos pode finalmente respirar.
No lugar do conjunto clássico de cilindro, tanque e escape, surge um pack de baterias elegantemente instalado sob um chassi de alumínio, enquanto dois motores elétricos nos cubos das rodas permitem algo que o motociclismo raramente viu: tração dianteira e traseira. Não é só sobre desempenho; é sobre reescrever o código-fonte da moto.

Com pernas estendidas, assento baixíssimo e carenagens translúcidas que revelam o movimento, o Outlier rompe com a silhueta que definimos como “motocicleta” há um século. Sem números oficiais, o conceito funciona como declaração de intenções — a Honda indica um futuro de baterias mais leves, arquiteturas mais soltas e novas maneiras de pensar a dinâmica das motos elétricas.
Italjet Roadster 400
Na outra ponta do espectro — e talvez no extremo oposto da filosofia — surge a Italjet Roadster 400, uma escultura em movimento que transforma exagero em assinatura estética. Treliça exposta, monobraço dianteiro com Öhlins, disco generoso com pinça Nissin, rodas de 13 polegadas com Pirelli Diablo Rosso Scooter e um monocilíndrico de 394 cc que entrega 41,6 cv via CVT.
Nada aqui tenta ser discreto. A traseira, com o Akrapovič duplo escalando a carroceria como se buscasse ar fresco, reforça a aura de supercarro compactado. Full-LED, ABS, controle de tração, painel TFT circular e revisões a cada 9.000 milhas completam o pacote.

A Roadster é a prova de que a Italjet segue fiel ao propósito de criar máquinas que dividem opiniões antes mesmo de serem ligadas.
Scoox Zero X7
E, enquanto o Ocidente debate futuro e espetáculo, a China apresenta o Scoox Zero X7, um laboratório urbano sobre duas rodas. Compacto, com motor Bosch de 3 kW e velocidade de 90 km/h, o modelo aposta em uma direção por cubo central — solução usada mais em experimentos do que em ruas reais. O design, cheio de volumes futuristas e um assento ajustável que lembra uma bicicleta premium, reforça o caráter conceitual.

Traz TFT de 7″, conectividade, sensores contra movimentação e ABS, mas esconde justamente o essencial: autonomia, bateria e recarga. Lançamento previsto para 2026 na China, testes públicos antes disso e ambição de criar uma família de versões. Mas o desafio permanece: o público quer inovação, desde que pareça familiar. E o Zero X7, por enquanto, parece mais manifesto do que meio de transporte.
Você acha que essas propostas mais exóticas influenciam no mercado? Dê sua opinião nos comentários.


