Ao vivo
Home » Moto+ » Royal Enfield Guerrilla 450 é a mistura de vários estilos | Avaliação

Moto+

Comparativo: capítulo 2

Royal Enfield Guerrilla 450 é a mistura de vários estilos | Avaliação

Lançada neste ano, o modelo médio da Royal Enfield pode ser classificada como scrambler, naked ou roadster. E encanta. Muito

6 min de leitura

Nota do autor: “Resolvi comprar uma moto de média cilindrada. Fiz uma pesquisa bem meticulosa e encontrei três opções: Bajaj Dominar NS400Z, Royal Enfield Guerrilla 450 e Triumph Speed 400. Todas custam entre R$ 27 mil e R$ 30 mil e pertencem mais ou menos ao mesmo segmento.

Testei as três motos. E vou te contar como é e como anda cada uma delas, em três avaliações distintas. A avaliação da Dominar está neste link. Depois ainda faço um quarto texto para fechar o comparativo e te conto qual escolhi para a minha garagem.”

Apresentada no Brasil durante o Festival Interlagos 2025, a Royal Enfield Guerrilla 450 é um daqueles modelos difíceis de serem enquadrados em um único segmento. Ela é uma roadster moderna, que busca unir estética clássica com soluções contemporâneas de engenharia.

Royal Enfield Guerrilla 450 lateral preta e laranja
Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

Vários estilos

Os pneus e a coifa que recobre as hastes do garfo dianteiro, porém, sugerem tratar-se de uma scrambler, aquele tipo de solução em duas rodas com leve apelo off-road. E há uma pitada de naked em sua proposta estilística.

Não importa o que ela é. Até porque, em qualquer uma das três opções, ela perece bem competente. A proposta real aqui é entregar uma moto ágil e versátil, que se encaixe tanto no caos urbano quanto em viagens mais longas transmitindo personalidade, potência e comportamento afinado para o piloto moderno.

Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

No coração da Guerrilla 450 pulsa um motor refrigerado a líquido, monocilíndrico, com comando duplo no cabeçote (DOHC) e quatro válvulas. Ele entrega 40 cv a 8.000 rpm e torque de 4,08 kgfm a 5.500 rpm.

Graças a essa configuração e a um câmbio de seis marchas com embreagem assistida e slipper clutch, a moto consegue arrancadas vigorosas e retomadas confortáveis, com boa entrega de torque mesmo em rotações médias.

Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

Fôlego

A marca afirma que mais de 85% do torque está disponível a partir de 3.000 rpm, o que confere versatilidade tanto ao rodar urbano quanto em estradas. Na prática, você engrena a sexta marcha, deixa a velocidade cair a 60 km/h… e ela retoma, sem engasgos, com um rendimento exemplar.

Este conjunto motor/transmissão, aliado a um quadro rígido e uma suspensão bem calibrada faz da Guerrilla 450 uma opção sedutora para quem busca mais do que só estilo: ela promete desempenho real e responsivo.

Ciclistica e ergonomia

O chassi é de aço tubular, usando o motor como elemento estrutural. É algo que reforça a rigidez e dá agilidade à condução. Na dianteira, a suspensão telescópica convencional (não é invertida) de 43 mm, enquanto na traseira a Guerrilla dispõe de monoamortecimento.

Vem com rodas de liga leve de 17 polegadas, pneus 120/70 na frente e 160/60 atrás, e freios a disco ventilados: 310 mm na dianteira com pinça de dois pistões e 270 mm na traseira com pinça simples. O sistema de frenagem conta com ABS de dois canais.

Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

A ergonomia foi pensada para ser confortável e prática: assento relativamente baixo (780 mm), pedaleiras centrais e postura ereta. Como o guidão é largo, você se sente quase em uma trail, mesmo que tenha baixa estatura. É extremamente confortável para ser pilotada no trânsito urbano, portanto.

Isso facilita o uso no dia a dia, especialmente no trânsito ou em deslocamentos urbanos, mas sem sacrificar a prazerosa pilotagem em estrada, graças à ciclística estável e equilibrada.

Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

Clássica com alma moderna

Apesar do espírito “roadster retrô”, a Guerrilla 450 abraça o moderno. Painel 100% digital (TFT), com conectividade para smartphone, Google Maps, controles de mídia e porta USB‑C para carregamento. A resolução (nitidez) do quadro de instrumentos é ótima.

Farol e luzes traseiras em LED, escape com visual limpo, tanque de página “gota d’água” e traseira minimalista ajudam a compor um design limpo e atraente. Um equilíbrio entre nostalgia e contemporaneidade. São poucas as modernices superficiais: tudo é funcional, direto do piloto para a estrada, sem plásticos redundantes ou artifícios sem propósito.

Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

Experiência em estrada

A moto empurra forte desde rotações médias, proporcionando acelerações enérgicas e uma resposta ágil no trânsito ou em estradas. O único senão vai para o assento, que poderia ser mais macio. Algumas horas por ali e você sentirá certo desconforto. O tanque de combustível também é apontado como modesto: 11 litros, o que obriga paradas mais frequentes em viagens longas.

Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

Em altas velocidades, a Guerrilla tem um detalhe – também observado na Dominar, mas com mais contundência: acima de 120 km/h, o modelo da Royal Enfield vibra. Mas muito, a ponto de perder o foco nos retrovisores. Ok, você vai andar acima dessa velocidade na eventualidade de uma ultrapassagem e logo retornará ao limite das autoestradas. Mas é bom saber que esse fenômeno ocorrerá.

Veredito

A Guerrilla 450 é ideal para quem busca uma moto de espírito versátil: quem valoriza estilo, presença e desempenho acima da praticidade absoluta. Uma boa escolha para quem gosta de pilotar de verdade, seja no asfalto da cidade ou em pequenas viagens, com uma pegada mais esportiva ou aventureira.

Se você quer uma moto para rodar diariamente, mas com conforto e estilo, ela oferece bom equilíbrio — embora o consumo e o tanque pequeno justifiquem a avaliação de custo‑benefício com mais cuidado. Fiz 25,3 km/l de média, bem abaixo dos 27,4 km/l da rival.

É o tipo de moto que provoca reações apaixonadas. Em uma era saturada de motos “iguais”, cheias de plásticos e funções supérfluas, ela se firma como um contraponto: simples onde importa, moderna onde agrega — e apaixonante onde se revela.

Com motor vigoroso, ciclística afinada e design que mistura respeito às raízes com consciência contemporânea, ela consegue resgatar um pouco do que foi (e ainda deve ser) o prazer de pilotar. Por R$ 28.990 – apenas R$ 2 mil mais cara que a Dominar –, vou te contar: se eu tinha gostado da Bajaj Dominar NS400Z, gostei mais ainda da Guerrilla. Vamos agora ver como se sai a Triumph Speed 400.

Royal Enfield Guerrilla 450 lateral cor bronze
Royal Enfield Guerrilla 450 [Divulgação]

O que voce achou da Guerrilla? Dê sua opinião nos comentários.


YouTube video

2 comentários em “Royal Enfield Guerrilla 450 é a mistura de vários estilos | Avaliação”

  1. Carmelo

    Super moto com preço legal!

  2. Osgood

    Essa moto é bem bacana. Mas ela têm dois poréns. O tanque muito pequeno e a suspensão dianteira que deveria ser invertida. A Himalayan por 1K a mais têm as duas coisas e é mais versátil, pois pode ser usada no off road com mais competência. Seria a minha escolha.

Deixe um comentário

Edu Pincigher

Eduardo Pincigher é jornalista formado pela PUC-SP e atua no setor automotivo desde 1989, sendo o autor da Coluna do Tio Edu com textos divertidos sobre o presente e passado do setor automotivo. Com passagens em diversas publicações e montadoras, hoje trabalha como assessor de imprensa e consultor de diversas empresas

Você também poderá gostar