A mobilidade elétrica de duas rodas acaba de ganhar um novo capítulo. E, ao menos no discurso, bastante ousado. A startup espanhola BBM Motorcycles afirma ter encontrado a solução para um dos gargalos que ainda freiam a proliferação das motos elétricas: o tempo de recarga.
A marca apresentou seu primeiro modelo, Hiro, uma street naked de proposta premium, que chega equipada com uma bateria de 12,96 kWh e capacidade para carregar 80% em apenas 15 minutos via DC Fast Charge. O dado impressiona não só pelo número, mas pelo contexto. Hoje, mesmo entre motos elétricas de ponta, a recarga ultrarrápida ainda é exceção, e quase sempre limitada por arquiteturas elétricas mais baixas.
A BBM aposta em uma plataforma de 360V, valor bem acima dos 100 a 150V que dominam o mercado. Isso permite trabalhar com correntes maiores e reduzir drasticamente o tempo de espera. Em termos práticos, a empresa garante que é possível devolver 100 km de autonomia em menos de dez minutos em estações rápidas.

Desempenho acima da média
A Hiro não foca apenas na recarga. A ficha técnica também mira o topo do segmento elétrico. Ela desenvolve potência de 93,9 cv, torque máximo de 15,2 kgfm e a autonomia declarada é de cerca de 220 km Com esses números, a BBM posiciona a moto entre as esportivas elétricas médias, competindo com modelos que custam, hoje, entre 20 e 30 mil euros na Europa.
Em carregadores domésticos, a marca informa tempos mais realistas: 78 minutos para atingir o mesmo nível de carga em AC e 2h40 numa tomada 220V convencional.

A influência das competições
Por trás da iniciativa estão os irmãos franceses Guillaume e Benoit Barras, figuras conhecidas no universo da customização por comandarem a Angry Lane, oficina criada em Hong Kong em 2012. A migração para o mundo elétrico surgiu, segundo a dupla, ao perceber que o mercado oferecia opções pesadas, com pouca autonomia e recargas intermináveis, características que, no uso real, afastam muitos motociclistas da transição energética.
Para transformar ambição em engenharia, a BBM buscou apoio da belga Saroléa, nome histórico do motociclismo europeu e que, nos últimos anos, concentrou esforços no desenvolvimento de motos para o TT Zero, categoria elétrica do lendário TT da Ilha de Man.

A expertise da Saroléa ajudou a moldar a bateria da Hiro, que utiliza células de alta densidade e um sistema de gerenciamento capaz de monitorar temperatura, tensão e corrente em tempo real, ampliando segurança e vida útil. Dois pontos sensíveis em baterias de uso intenso.
Planos industriais
O roadmap da BBM prevê concluir cinco protótipos homologados até junho de 2026. A produção em série deve começar no início de 2027. As vendas serão voltadas inicialmente para a Europa, mas a startup já menciona intenção de atuar em outros mercados, especialmente na Ásia, onde o segmento elétrico cresce de forma agressiva.

Com uma proposta que combina design de nicho, tecnologia de competição e promessa de recarga ultrarrápida, a Hiro tenta ocupar um espaço ainda pouco explorado. Se os números se confirmarem na prática, a BBM pode estar pavimentando o caminho para uma nova leva de elétricas mais leves, desejáveis e sobretudo compatíveis com a pressa de quem depende da moto todos os dias.
Você acha que a receptividade de motos elétricas será igual a dos carros? Conte nos comentários.



As motos elétricas será uma promessa futura porém ainda enfrenta barreira em relação ao autonomia para longa distância, mas para o dia a dia nos grandes cento urbanos, mas acho que a cereja do bolo são os motores híbridos, ai Simm, porém as motos elétricas e só uma questão de cultura que vai se estabelecer.