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Apesar dos elétricos, China está invadindo os mercados com carros a combustão

A China acelera nas exportações de carros a combustão, mudando o equilíbrio do cenário do mercado automotivo global

3 min de leitura

Os carros elétricos viraram uma realidade no Brasil e ao redor do mundo. Muitos falam que o futuro será dominado por carros totalmente livres de poluentes, mas alguns fabricantes já voltaram atrás na estratégia de comercializar apenas modelos movidos a bateria.

Essa popularização dos modelos elétricos foi capitaneada, principalmente, pela China. Porém, apesar do crescimento abaixo do inicialmente previsto dos carros puramente elétricos e da proteção de alguns governos ocidentais contra esse tipo de mobilidade, é justamente a China que vem oferecendo modelos a gasolina para mercados emergentes.

A disseminação da tecnologia elétrica nos carros criou gigantes automotivas, como a BYD, mas, em contrapartida, também gerou perdas a outros fabricantes. Desde 2020, cerca de três quartos das exportações automotivas chinesas são de carros a combustão, segundo a Reuters.

BYD Song Plus 2026 dourado parado de frente com muro e plantas ao fundo
BYD Song Plus 2026 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ou seja, milhões de carros a gasolina vêm sendo enviados a mercados em que outros fabricantes já dominaram. A China passou de exportar um milhão de veículos por ano para cerca de mais de 6,5 milhões neste ano, tornando-se o maior exportador automotivo do mundo.

A gigante China

Os números impressionam. Embora a China tenha moldado um novo mercado automotivo com a eletrificação, ela também está desenhando um novo horizonte com carros a combustão de forma igualmente agressiva. Esse aumento das exportações, associado às políticas chinesas de veículos elétricos, criou uma guerra de preço no mercado, que reduziu as margens dos modelos a combustão interna.

Em vez de fechar fábricas, as marcas chinesas adotaram outra estratégia: colocaram seus produtos em mercados onde a estrutura de carregamento é escassa, a exemplo do Brasil. Ainda assim, os fabricantes chineses continuam ganhando espaço na Europa, América do Sul, África, Sudeste Asiático e Europa Ocidental.

SAIC, Dongfeng, BAIC e Changan dependiam de joint ventures com GM, Nissan e Honda, embora essas parcerias tenham diminuído. De acordo com matéria publicada pelo Carscoops.com, as vendas da SAIC GM no país da Grande Muralha despencaram de mais de 1 milhão por ano para pouco mais de 400.000.

Contudo, exportou mais de um milhão de veículos no ano passado. Além disso, a Chery somou 700.000 vendas globais em 2020 para mais de 2,5 milhões no ano passado. E a maioria de modelos movidos a gasolina. Apesar disso, essa onda chinesa é uma realidade, quer você goste ou não. No México, a participação de mercado chegou a 14%, roubando clientes tanto da Chevrolet quanto da Ford.

BYD Shark branca parada de frente em um estacionamento com uma montanha ao fundo
BYD Shark [Auto+ / João Brigato]

As previsões das consultorias indicaram à Reuters que as montadoras chinesas adicionarão mais quatro milhões de vendas no exterior até 2030. Combinado com o crescimento interno, isso pode dar à China quase um terço do mercado automotivo global em cinco anos.

E você, o que acha dos modelos chineses? Compraria um? Caso seja dono ou ex-proprietário, compartilhe sua experiência nos comentários.


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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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