A Lamborghini lançou nesta quinta-feira (4) o seu mais novo superesportivo híbrido plug-in, o Temerario, sucessor direto do Huracán. O modelo foi apresentado pela primeira vez em 2024, durante o Monterey Car Week, na Califórnia, e agora desembarca oficialmente no Brasil com preço inicial de R$ 5,8 milhões, antes de qualquer personalização de cor, rodas ou interior.
O Temerario é o primeiro Lamborghini de produção com motor V8 biturbo, montado em posição central-traseira desde o clássico Jalpa, nos anos 1980. Ele também é o terceiro modelo da estratégia HPEV (High Performance Electric Vehicle), a estratégia de eletrificação da linha italiana, depois do Revuelto (V12 híbrido) e do Urus SE.
Motor inédito e 10.000 rpm
Sai o V10 aspirado do Huracán e entra um 4.0 V8 biturbo híbrido, projetado do zero em Sant’Agata Bolognese. O novo motor entrega 800 cv entre 9.000 e 9.750 rpm e 74,4 kgfm de torque entre 4.000 e 7.000 rpm, com corte de giro em 10.000 rpm, um número digno de motor de corrida. Ele usa componentes de liga leve, dois turbos de alta pressão (até 2,5 bar) e bielas de titânio, feitas para aguentar rotações altíssimas.

Esse V8 é combinado com três motores elétricos, um posicionado entre o motor e o câmbio, que preenche o torque e recupera energia nas frenagens, e mais dois nas rodas dianteiras, independentes entre si.
Juntos, eles somam 920 cv e 81,6 kgfm de torque, fazendo o Temerario ir de 0 a 100 km/h em 2,7 segundos e de 0 a 200 km/h em 7,3 segundos, com velocidade máxima de 343 km/h. Ou seja, 250 cv a mais que o Huracán Evo, que fazia de 0 a 100 em 2,9 s e 325 km/h de final.

O Temerario é 250 kg mais pesado que o Huracán, aqui são 1.690 kg seco, graças a bateria, de 3,8 kWh que fica alojada no túnel central e pode ser recarregada em 30 minutos via tomada AC de 7 kW, ou em apenas 6 minutos usando o próprio motor V8 como gerador, através do modo Recharge.
O conjunto híbrido é do tipo tração integral sob demanda. As rodas dianteiras são movimentadas pelos motores elétricos, e o V8 faz o trabalho com as rodas traseiras via uma nova transmissão automatizada de dupla embreagem com oito marchas, montada transversalmente.

Esse câmbio não tem marcha à ré mecânica, pois as manobras são feitas pelos motores dianteiros, que giram no sentido inverso, como acontece com a Ferrari SF90 e McLaren Artura.
A suspensão é de duplo braço triangular nas quatro rodas, com amortecedores magneterológicos de ajuste ativo. Tudo foi pensado para ter um perfeito equilíbrio no uso em pista e o conforto em estrada. O Temerario tem quatro modos de condução: Citta (cidade), Strada (conforto), Sport (diversão) e Corsa (pista). Cada modo altera o comportamento do motor, câmbio, direção e suspensão.
Polêmica entre puristas e o novo som do V8

A troca do V10 aspirado pelo V8 biturbo é uma discussão recente entre os puristas devido à eletrificação. Muitos fãs gostam do som característico do Huracán, mas a Lamborghini defende que o novo motor tem o “caráter aspirado” no jeito que entrega potência.
Isso porque os dois turbos grandes só entram em ação em alta rotação para ter uma curva de potência linear e progressiva até os 10.000 rpm, sem buracos de torque, tudo com a ajuda imediata dos motores elétricos em baixa. A marca ainda diz que o Temerario mostra desempenho e experiência sonora ainda envolvente.

Segundo o CEO Stephan Winkelmann, a ideia foi criar um carro que mantivesse a alma de um aspirado, mas com desempenho de nova geração. E os números mostram isso.
Preparado para as pistas
A Lamborghini já confirmou que o Temerario servirá de base para versões de competição. Uma variante GT3 está em desenvolvimento para estrear em 2026, substituindo o Huracán GT3, usando o mesmo V8 biturbo, mas sem o sistema híbrido, proibido nas categorias de corrida. A marca já lançou o Temerario Super Trofeo, também sem eletrificação, para o campeonato monomarca da Lamborghini, sucedendo o Huracán Super Trofeo.
Estrutura mais rígida e aerodinâmica refinada

O Temerario usa um novo chassi Space Frame de alumínio, 50% menos componentes e 80% menos soldas que o Huracán. Desta forma, tem 20% mais rigidez torcional e uma redução de peso. O uso de peças fundidas sob alta pressão e extrusões de alumínio de parede fina faz uma base mais leve, segura e estável.
Já em relação às dimensões, o carro cresceu, agora tendo 4,70 metros de comprimento, 2,65 m de entre-eixos (3,8 cm a mais que o Huracán), 1,99 m de largura e 1,20 m de altura. A silhueta é mais baixa e larga, para trazer aquela clássica proporção de um superesportivo. E, segundo a Lamborghini, o Temerario é “o supercarro mais emocional do mundo”.

A aerodinâmica também tem uma engenharia de bater palma junto com o design. As luzes de LED diurnas em forma de hexágono funcionam também como entradas de ar para permitir downforce e resfriar os freios.
O teto côncavo canaliza o ar para a asa traseira integrada, enquanto o assoalho com difusores ativos e geradores de vórtices ajuda no fluxo e na estabilidade. O resultado é 118% mais downforce que o Huracán Evo, podendo chegar a 158% com o pacote aerodinâmico avançado.
A Lamborghini ainda oferece o pacote Alleggerita, voltado para quem quer ainda mais performance. Ele adiciona asa traseira maior, splitter dianteiro, saias laterais e tampa do motor em fibra de carbono, além de escapamento de titânio e vidros laterais mais leves. O kit reduz até 25 kg e aumenta a carga aerodinâmica em 67% em alta velocidade.
Interior de caça e tecnologia italiana

O interior do Temerario segue a filosofia Feel Like a Pilot, com três telas digitais. Uma para o painel de 12,3 polegadas com três modos de visualização, tela central vertical de 8,4 e uma tela dedicada ao passageiro de 9,1 polegadas, que pode espelhar dados do painel ou mostrar informações de desempenho. O sistema de som é assinado pela Sonus Faber, e há suporte a Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além de um pacote completo de telemetria para uso em pista.
Rivalidade
O Temerario é o modelo de entrada da Lamborghini entre os superesportivos, abaixo do Revuelto (V12 híbrido). Na Europa, custa a partir de 315.250 euros (cerca de R$ 2 milhões), mais caro que o antigo Huracán, e chega para brigar com Ferrari 296 GTB e McLaren Artura.

A Ferrari 296 usa um V6 3.0 biturbo híbrido de 830 cv e acelera de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos, enquanto a McLaren Artura tem 680 cv do mesmo tipo de conjunto e também faz 0 a 100 em 2,9 s. O Lamborghini supera ambas em potência e velocidade final.
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