Ao vivo
Home » Novidades » Muito além do conserto: saiba como o recall pode travar a vida do motorista

Novidades

O chamado

Muito além do conserto: saiba como o recall pode travar a vida do motorista

Ignorar o recall pode travar o licenciamento e impede a venda do veículo Saiba como consultar pendências e o passo a passo para o conserto

4 min de leitura

Recall é um termo que constantemente está em pauta. Do inglês “chamar de volta”, trata-se de uma convocação pública feita por um fabricante quando se descobre um defeito que coloque em risco a saúde e a segurança do consumidor. Por lei, ele é 100% gratuito, sendo a marca obrigada a trocar a peça defeituosa, mesmo que o veículo esteja fora do período de garantia.

YouTube video

Segundo os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), aproximadamente 3,5 milhões de carros rodam com o recall pendente no Brasil. Portanto, tenha atenção: o recall deve ser realizado, seja para corrigir o sistema de freio, de airbag ou de direção, entre outros, em um determinado lote de veículos.

Os riscos de rodar sem fazer o recall

Se antes alguns condutores não faziam o recall por esquecimento ou, no pior dos casos, por negligência, a regra mudou. Desde a alteração do Código Brasileiro de Trânsito (CTB) em 2021, não atender ao chamado de recall do fabricante impacta diretamente no licenciamento, não sendo possível emitir o CRLV nem realizar a transferência de propriedade.

Ao ignorar o recall por mais de um ano, o Senatran bloqueia a renovação do licenciamento anual. Caso o motorista seja parado em uma blitz com o licenciamento vencido, justamente porque o recall travou o sistema, a infração é gravíssima.

Não atender ao chamado de recall do fabricante pode bloquear o documento do carro
[Reprodução]

A multa é de R$ 293,47, com sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da possibilidade de apreensão do veículo. Ou seja: rodar com o veículo sem ter realizado o recall é uma ameaça à própria segurança, à de terceiros e também para o bolso.

Casos históricos: Do “banco que pica” ao airbag mortal

A história desse tipo de ação é antiga. O primeiro recall automotivo de que se tem notícia aconteceu em 1915, com o Ford Model T. Henry Ford, decidiu utilizar musgo espanhol, um material natural e abundante no sul dos Estados Unidos, para o enchimento dos bancos.

O que Ford não sabia é que esse musgo era o habitat natural de minúsculos ácaros. Assim que os clientes compravam o carro e se acomodavam, os insetos saíam do estofamento e começavam a picar os ocupantes. Após uma enxurrada de reclamações de motoristas e passageiros, Ford ordenou que os veículos voltassem à fábrica para substituir o enchimento por outros materiais.

Ford T preto parado de frente com árvores ao fundo foi o modelo com o primeiro recall da indústria
Ford T [Divulgação]

No Brasil, o primeiro recall foi em 1970, quando o Ford Corcel 1968 sofria de um desgaste excessivo dos pneus dianteiros. Ao longo dos anos, outros casos mexeram com os clientes. Entre eles, os airbags da Takata, que atingiram quase todas as marcas do país, como Chevrolet, BMW, Ford, Honda, Nissan e Toyota. Os insufladores podiam explodir excessivamente em caso de colisão, lançando fragmentos metálicos contra os ocupantes.

Outro caso envolveu a Volkswagen, em 2008: ao tentar rebater o banco do Fox, o dedo do usuário podia prender na engrenagem, o que causou casos de decepamento. Mais de 190.000 unidades foram convocadas para a instalação de uma peça de proteção e novo manual. Outro carro, o Fiat Uno, esteve relacionado com os temidos airbags da Takata.

Volkswagen Fox vermelho parado de frente foi um dos carros com o maior número de recalls no Brasil
Volkswagen Fox [Divulgação]

Como saber se preciso realizar o recall?

Para consultar se o veículo precisa realizar um recall, o caminho das pedras é simples. O aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT) envia notificações diretas ao smartphone do proprietário assim que um novo chamado é anunciado para o chassi do veículo.

Além disso, é possível consultar a situação no portal da Senatran ou nos sites oficiais das montadoras, apenas digitando os 17 caracteres da identificação do carro. Vale lembrar que o serviço de reparo é sempre gratuito, independentemente do modelo estar ou não no período de garantia, sendo a única forma de garantir que o veículo continue legalizado e, principalmente, seguro para rodar.

[Divulgação]

E você, já teve que levar o seu carro para uma campanha de recall? Conta para a gente aqui nos comentários


YouTube video

Deixe um comentário

Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

Você também poderá gostar