Poucos nomes pesam tanto no imaginário do brasileiro quanto Dakota. E é exatamente por isso que a nova Ram Dakota chegou cercada de desconfiança antes mesmo de pisar nas concessionárias. No setor automotivo, muita gente ainda está com um pé atrás. Não necessariamente pelo produto em si, mas pelo que esse nome representa.
Há anos se fala que a Ram faria uma picape média para o Brasil. Durante muito tempo, especulou-se que a Rampage poderia se chamar Dakota. Depois, surgiram rumores de uma média global da Ram. A volta da Dakota virou quase uma lenda urbana. Agora ela existe de fato. E o choque veio quando se entendeu de onde ela nasce.
Por que o nome Dakota pesa tanto
A Dakota não é um nome qualquer. Ela nasceu como Dodge Dakota, criada pela Chrysler em 1986 como modelo 1987. A ideia era inaugurar um novo segmento nos Estados Unidos, posicionando-se entre as picapes compactas da época e as grandes, como a Dodge Ram.

Era uma picape média, com estrutura parruda, motores grandes e proposta claramente voltada a quem queria força, mas não precisava de uma full size.
No Brasil, a Dakota foi produzida em Campo Largo, no Paraná, entre 1998 e 2001. O interessante é que ela entrou para a história por aqui por ser a última picape nacional a oferecer motor V8. A versão R/T trazia o Magnum 5.2, algo impensável hoje. Naquele tempo, nenhuma rival oferecia algo parecido.
![Dodge Dakota [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/03/dodge_dakota_sport_quad_cab_1_edited-1200x720.jpg)
Isso criou um símbolo, pois a Dakota virou objeto de desejo. Cara, forte, refinada para os padrões da época e com DNA americano. Nos Estados Unidos, ela viveu até 2011. Em terras tupiniquins, saiu de cena em 2002 devido a reestruturação da marca com cortes de custos e também o cenário econômico, mas jamais saiu da memória.
A ironia do destino da nova Dakota
Curiosamente, enquanto o mercado brasileiro especulava o retorno da Dakota, a Ram nos Estados Unidos também discutia internamente a criação de uma picape média. O motivo era porque as picapes grandes estão ficando caras demais. Falava-se em Rampage, falava-se em Dakota, falava-se em algo intermediário. Mas quem saiu na frente foi a América do Sul.

Do nada, começaram a surgir flagras de uma picape média rodando. Quando se confirmou que era uma Ram, o mistério diminuiu e o nome Dakota foi especulado até que no final de 2025 foi confirmado, mas o debate da sua origem atrelado ao nome forte é o que começou o debate. Ela será produzida em Córdoba, na Argentina. E aí ficou claro que ela não nascia de um projeto americano.
A origem chinesa que incomodou o mercado
A nova Ram Dakota deriva diretamente da Fiat Titano. A Titano, por sua vez, deriva da Peugeot Landtrek. A Landtrek nasceu da parceria entre a antiga PSA e a chinesa Changan. E lá na origem de tudo está a Changan Hunter, também conhecida como Kaicene K70.

Esse encadeamento foi suficiente para acender o alerta. Não porque ser chinesa seja um problema em si. O mercado brasileiro já entendeu que os produtos chineses evoluíram muito. O ponto sensível é que a picape média não vive só de conforto, multimídia e acabamento. Ela precisa aguentar tranco, carga, trilha, uso severo e trabalho pesado.
E historicamente, o foco da indústria chinesa esteve mais em conforto, eletrificação e tecnologia embarcada do que em veículos de trabalho bruto. É aí que nasce o receio.

A Ram sempre foi vista como marca premium dentro do universo das picapes, e por isso ter uma Ram é sinônimo de status, força e presença. É uma marca associada a motores grandes, som encorpado, sensação de poder ao volante.
Colocar o nome Dakota, carregado desse histórico, em uma picape de origem chinesa pareceu, para muitos, ousadia demais. Dá para misturar um nome tão tradicional, quase sagrado para o picapeiro, com uma plataforma que não nasceu dentro desse universo? Depende.
O que a realidade já mostrou com a Titano



Antes de condenar a Dakota, vale olhar para o que já existe. A Fiat Titano mostrou que o projeto funciona, principalmente depois que abandonou o antigo 2.0 turbodiesel Multijet e adotou o novo 2.2 turbodiesel.
Com esse motor, a Titano ficou mais equilibrada, mais confiável e mais coerente com a proposta. Não virou referência do segmento, mas deixou claro que a base não é frágil. Só que uma coisa é ser uma Fiat Titano. Outra bem diferente é ser uma Ram.
O que a Ram promete mudar

A Ram deixou claro que, embora a plataforma seja a mesma, a Dakota terá acertos específicos da marca. E é aí que mora toda a esperança do projeto. Ou seja, suspensão, calibração, isolamento acústico, direção e comportamento dinâmico são pontos onde a Ram pode, de fato, transformar o produto. A traseira lembra a Titano e a Landtrek, isso é inegável. Mas a picape não se define só pelo desenho.
O motor será o conhecido 2.2 turbodiesel, com 200 cv e 45,9 kgfm de torque, ligado ao câmbio automático ZF de oito marchas. Nada de V6, nada de V8. Isso já está fora de cogitação. O 0 a 100 km/h deve ficar na casa dos 9,9 segundos, próximo do que a Rampage entrega. Não é esportividade, mas totalmente coerente dentro do mercado.

São 5,35 metros de comprimento, cerca de 1,88 m de largura, 1,82 m de altura e 3,18 m de entre-eixos. A caçamba comporta 1.210 litros, com 1.020 kg de carga útil. Ou seja, tamanho e capacidade não são o problema. A pré-venda já começou. A Dakota chega em duas versões. R$ 289.990 na Warlock e R$ 309.990 na Laramie.
E você, acha que a Ram acertou em trazer uma picape chinesa com nome forte para cá? Deixe seu comentário!



