Como diz o ditado popular, “em time que está ganhando não se mexe”. A Jaguar, no entanto, optou por seguir o caminho oposto. A marca britânica iniciou uma estratégia agressiva de rebranding, abandonando traços clássicos de sua identidade histórica e encerrando, de forma definitiva, a produção de veículos com motores a combustão para ingressar de vez na era dos elétricos.
Embora o plano inicial previsse a apresentação do novo modelo antes do fim do ano passado, o cronograma foi revisto, e a estreia acabou sendo adiada para o final de 2026. Antes mesmo de a Jaguar se reposicionar oficialmente como uma fabricante de superluxo, parte da rede de concessionários demonstra cautela em relação aos novos rumos da marca.
Essa insegurança foi retratada pelo jornal alemão Automobilwoche, que ouviu representantes do varejo sob condição de anonimato. Segundo um deles, ainda não há clareza sobre a viabilidade do novo modelo de negócios. “No momento, não existe um caso de negócio concreto com a marca. Só após conhecermos a estratégia completa será possível decidir se faz sentido continuar com a Jaguar”, afirmou.

Apesar das incertezas, o tom adotado por Andreas Everschneider, CEO da Associação de Revendedores Alemães de Jaguar e Land Rover, é de cauteloso otimismo. Para ele, o reposicionamento representa um recomeço, ainda que envolva riscos. “Estamos diante de uma nova Jaguar, mas ainda não sabemos exatamente quem será o público-alvo nem qual fatia de mercado será atendida”, avaliou.
Indefinições sobre o futuro da Jaguar
A indefinição sobre o perfil do futuro consumidor também preocupa Salvatore Colangelo, diretor-gerente da Glinicke British Cars. Segundo ele, o caráter disruptivo dos novos modelos levanta dúvidas sobre a receptividade do mercado. “É um caminho totalmente novo. A pergunta é simples: quem serão os clientes?”, questionou.
Outro ponto sensível diz respeito à estratégia comercial. De acordo com Everschneider, a Jaguar não pretende vender o novo grand tourer elétrico de forma tradicional, priorizando contratos de leasing. A iniciativa indicaria uma tentativa da marca de manter maior controle sobre o mercado de usados, mas, ao mesmo tempo, pode comprometer os valores residuais dos veículos, conforme informações do Motor1.com.


Esse fator, inclusive, pode se tornar um obstáculo às ambições da Jaguar de se posicionar como rival direta de marcas como Bentley no segmento de superluxo. Além disso, a nova fase do fabricante após o rebranding não prevê produção em grande escala. Diferentemente de Audi, BMW e Mercedes-Benz, a Jaguar projeta um volume anual limitado a cerca de 10.000 unidades, reforçando a exclusividade como pilar da nova estratégia.
A rede de concessionários ainda aguarda treinamentos específicos para lidar com o novo posicionamento da marca. Um processo que deve iniciar ainda neste mês, enquanto a abertura dos pedidos é esperada para março ou abril. Os clientes interessados terão que pagar valores a partir de US$ 130.000. E a marca já confirmou que o Type 00 de produção será comercializado exclusivamente como um elétrico.

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