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Toyota tem tecnologia única que as montadoras correm atrás desesperadas

A Toyota abriu a porta e o resto do mercado corre atrás; a diferença é que, por enquanto, só ela conseguiu atravessar a porta inteira

5 min de leitura

A Toyota colocou o Brasil no mapa quando juntou o etanol e eletricidade no sistema híbrido flex que ninguém tinha conseguido desenvolver. Isso aconteceu em 2019, com o Corolla híbrido, que virou o primeiro carro do planeta capaz de funcionar com motor elétrico e um motor a combustão flex. A tecnologia foi criada aqui, com apoio da engenharia japonesa, e é algo que quase todas montadoras estão correndo atrás.

Dois anos depois, em 2021, a marca repetiu a receita com o Corolla Cross. Agora, em 2026, será a vez do Yaris Cross, que também chega com essa mesma combinação. Até o momento, nenhuma outra montadora tem um híbrido flex real rodando nas ruas. Todo o resto do mercado tenta chegar perto, mas ainda está em fases de estudos, testes ou adaptações.

Como funciona o sistema híbrido-flex

O híbrido flex é um conjunto diferente do híbrido tradicional. O sistema junta um motor elétrico alimentado por bateria e um motor a combustão que aceita etanol e gasolina. 

Toyota Corolla Cross XRX HEV [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Cross XRX HEV [Auto+ / João Brigato]

Nos modelos atuais da Toyota, o 1.8 flex rende 98/101 cv (gasolina/etanol), trabalhando junto com dois motores elétricos (MG1 e MG2, um gerador outro de tração) que faz a potência combinada para 122 cv. A bateria recarrega sozinha, sem tomada, usando frenagens e o próprio funcionamento do motor a combustão.

O flex surgiu em 2003, quando o Gol virou pioneiro. Depois, Fiat e outras marcas embarcaram nessa tecnologia. Só que juntar o etanol a um sistema elétrico é outra história. O etanol exige peças mais resistentes, porque é corrosivo. 

Motor do Toyota Corolla GLi
Toyota Corolla GLi Hybrid [Divulgação]

Em um híbrido, o desafio é maior, já que tudo precisa conversar em tempo real. É preciso controlar temperatura, ignição, gerenciamento elétrico e recarga da bateria usando um combustível que queima mais rápido que gasolina e tem menor densidade energética. Desta forma, é necessário sensores caros, peças específicas, materiais nobres e um software mais avançado.

Stellantis, Honda, Volkswagen correm atrás

Enquanto isso, as rivais vão ajustando o que dá para ajustar. A Fiat e Peugeot apostaram em sistemas semi-híbridos com bateria de 12 volts que só ajudam na partida e no consumo. Eles adotam alternadores mais fortes e pequenos motores elétricos de apoio, mas que não movem o carro em momento nenhum. 

Protótipo do Jeep Renegade camuflado, visto de frente e com faróis acesos
Protótipo do Jeep Renegade reestilizado [Autos Segredos/ Reprodução]

Pelo menos até agora. A Stellantis trabalha no sistema Bio-Hybrid de 48 volts, previsto para modelos como Compass, Commander e Renegade. Nesse caso, é especulado que o sistema consiga dar leves impulsos e mover as rodas, mas ainda longe de um híbrido pleno.

A Honda também está correndo atrás. Roberto Akiyama, vice-presidente da marca, já disse que o híbrido flex da Honda chega apenas em 2028. A Volkswagen segue na mesma linha. O T-Cross e o Nivus híbridos flex só são esperados para 2028, com plataforma MQB Hybrid e até opção plug-in em desenvolvimento.

Volkswagen T-Roc sistema motor 1.5 TSI Evo2
Sistema motor 1.5 TSI Evo2 [Divulgação]

As chinesas são as que estão mais perto de conseguir isso. A BYD prometeu um híbrido flex e deve aplicar a tecnologia em 2026 no Song Pro, modelo esse que rodou na COP 30 já com o facelift e, esperado possivelmente no King. 

A GWM também desenvolve o sistema para futuros modelos e a Caoa Chery já anunciou o Tiggo 5X híbrido pleno flex para 2026. A Omoda e & Jaecoo também já planeja montar carros híbridos flex no país

CAOA Chery Tiggo 5X 2027 cinza com iluminação acesa visto de frente
CAOA Chery Tiggo 5X 2027 [Divulgação]

Mesmo assim, ninguém entregou nada parecido com o que a Toyota já tem na rua desde 2019. Parte disso é herança do conhecimento acumulado. A marca estreou o Prius em 1997 e trouxe o modelo ao Brasil em 2013. 

Essa experiência serviu de base para criar um híbrido flex que funcionasse de verdade. Com isso, o Corolla híbrido faz cerca de 16 km/l com gasolina em nossos testes, já usando etanol, consegue reduzir emissões em mais de 70% considerando todo o ciclo da cana.

E por que toda essa demora?

Emblema da Toyota
Toyota Corolla GLi Hybrid [Divulgação]

O grande entrave para os rivais é o custo. Fazer motor flex já não é simples. Fazer motor flex híbrido é ainda mais caro. Peças resistentes ao etanol custam mais. Sensores custam mais. Bateria e eletrônica ainda vêm de fora. Nacionalizar tudo isso leva anos. 

E a conta final pesa no preço. Não adianta lançar um híbrido flex caro demais para o consumidor brasileiro, porque a proposta do flex é justamente oferecer custo-benefício e eficiência.

Toyota Yaris Cross [Divulgação]

A Toyota domina a parte técnica e também domina a produção local. A Sttelantis investe R$ 30 bilhões no Brasil entre 2025 e 2030 para o desenvolvimento dessa tecnologia; a Volkswagen coloca aqui R$ 20 bilhões na região. Outras montadoras seguem em ritmo parecido. Mas nenhuma delas, por enquanto, conseguiu repetir a combinação que tornou o híbrido flex tão viável no país.

O futuro dessa tecnologia deve estar presente em alguns anos. O Yaris Cross será o híbrido flex de entrada da Toyota já apresentado mas com vendas apenas em 2026. Rivais trabalham para entregar algo semelhante, mas tudo indica que só veremos híbridos flex plenos de outras marcas lá para 2027 ou 2028.

E você, utiliza etanol com sistema híbrido flex em sue carro, ou utilizaria? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Estudante de jornalismo, sempre foi fascinado por carros desde pequeno. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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