O Volkswagen T-Cross fechou 2025 como o SUV mais vendido do Brasil pelo quarto ano consecutivo. Toda essa construção de liderança se deu em abril de 2019, quando o modelo foi lançado como linha 2020. Desde então, o T-Cross não mudou de geração, só passando pela reestilização em maio de 2024 como linha 2025. Mas quanto o T-Cross ficou mais caro desde que chegou no mercado?
E mais importante ainda, quanto desse aumento é inflação e quanto é aumento real, acima do custo de vida? É exatamente isso que o Auto+ vai destrinchar, usando o mesmo critério aplicado no Fiat Argo, que é comparar preços de lançamento com os preços atuais, corrigindo pelo IPCA.
Antes de tudo, por que corrigir pela inflação
Entre fevereiro de 2019, quando os preços do T-Cross foram divulgados à imprensa, e dezembro de 2025, o IPCA acumulado foi de 44,6%. Ou seja, algo que custava R$ 100 em 2019 deveria custar R$ 145 se formos pegar de base do a inflação para manter o mesmo valor real, sem ficar mais caro de verdade.
Quando a gente corrige o preço antigo pela inflação, encontra o valor que ele deveria ter hoje se apenas acompanhasse o custo de vida. Tudo o que passa disso é aumento real, aquele que pesa no bolso além da inflação. É com essa régua que o T-Cross é analisado a seguir.
Versões de entrada e que não existe mais

No lançamento, a porta de entrada do Volkswagen T-Cross era a versão 200 TSI manual. Sim, o SUV já teve câmbio manual. Essa configuração custava R$ 84.990 em 2019 e usava o motor 1.0 TSI de 116/128 cv e 20,4 kgfm, combinado a uma caixa manual de seis marchas.
Era um carro bem simples. O painel era o mais básico possível, derivado do Gol, não havia central multimídia, apenas um rádio simples, ar-condicionado manual e volante multifuncional. Ainda assim, era o jeito mais barato de entrar no mundo do T-Cross.

Corrigindo esse preço pela inflação até dezembro de 2025, ele chegaria a cerca de R$ 122.965. Curiosamente, hoje o T-Cross mais barato do catálogo é a versão Sense, destinada ao público PCD, que custa R$ 119.990 e é muito mais equipada, com painel digital, multimídia VW Play, piloto automático, faróis em LED e até frenagem automática de emergência.
O detalhe é que a Sense trabalha majoritariamente com venda direta e descontos, o que dificulta uma comparação justa com o varejo tradicional da época.
T-Cross 200 TSI

A versão que realmente permite uma comparação direta com o varejo é a 200 TSI automática. Em 2019, ela custava R$ 94.490. Corrigido pela inflação, esse valor sobe para aproximadamente R$ 136.710.
Hoje, essa mesma versão 200 TSI custa R$ 161.490. Ou seja, acima da inflação, o Volkswagen T-Cross ficou cerca de R$ 25 mil mais caro em termos reais, algo próximo de 18% acima do IPCA.

É verdade que o carro evoluiu. A versão atual já traz painel digital, central VW Play, piloto automático e frenagem autônoma de emergência, itens que não existiam no modelo de lançamento. Ainda assim, boa parte do aumento vai além da simples adição de equipamentos e passa pelo reposicionamento de preço da própria Volkswagen.
T-Cross Comfortline

Em 2019, o Volkswagen T-Cross Comfortline custava R$ 99.990. Com a correção inflacionária, esse preço chegaria hoje a cerca de R$ 144.668. Atualmente, a Comfortline custa R$ 181.990. Isso representa um aumento real de mais de R$ 37 mil, algo em torno de 26% acima da inflação.
Na época, a Comfortline vinha relativamente simples e diversos itens eram opcionais, como faróis de LED, chave presencial, teto solar, retrovisor fotocrômico e o Park Assist. Só para ter ideia, até o painel de instrumentos ainda não era digital.

Hoje, a Comfortline é praticamente a versão topo com motor 1.0 TSI. Ela já traz painel totalmente digital, VW Play, ar-condicionado digital, carregador por indução, chave presencial, piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência e sensores dianteiros e traseiros. É um carro muito mais completo, mas também mais caro do que seria apenas pela inflação.
T-Cross Highline 250 TSI

No topo da gama, o Volkswagen T-Cross Highline 250 TSI custava R$ 109.990 em 2019. Corrigindo pelo IPCA, esse valor chega hoje a cerca de R$ 159.136. Atualmente, o T-Cross Highline custa R$ 196.290. A diferença real é de aproximadamente R$ 37 mil, algo perto de 23% acima da inflação.
Aqui a comparação é mais equilibrada em proposta, porém distinta quando vemos o que mudou e o preço distante. O motor segue sendo o mesmo 1.4 TSI de 150 cv e 25,5 kgfm, com câmbio automático de seis marchas.

O modelo atual ganhou sistemas de assistência que não existiam antes, como frenagem automática de emergência, assistente de faixa e piloto automático adaptativo. Mas o resto, é praticamente bem parecido em proposta, e até os opcionais da época, como o teto solar e Park Assist, ainda são opcionais. Ou seja, o preço subiu bastante, mas a entrega não cresceu na mesma proporção.
Resumo de tudo isso
O Volkswagen T-Cross não mudou de geração, não cresceu e continua com as mesmas motorizações para o consumidor. Ainda assim, ficou mais caro desde o lançamento. A inflação explica uma parte importante desse aumento, mas não tudo. Em praticamente todas as versões, há um encarecimento em média de 22% acima da inflação, muito graças a pandemia, pelo reposicionamento de mercado, além de mais tecnologia embarcada.

Se formos pegar os preços atuais praticados do T-Cross, é basicamente valores de SUVs maiores. Só por base, na época, o Jeep Compass mais caro, a versão Trailhawk 2.0 Diesel, custava R$ 176.990. Preço mais barato do que um Comfortline atual.
E se o T-Cross fosse lançado hoje, exatamente como era em 2019, ele custaria tudo isso? Deixe seu comentário!
![Volkswagen T-Cross Cinza Oliver Fosco [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Volkswagen-T-Cross-Cinza-Oliver-Fosco.webp)


