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Sandero GT Line: como anda o hatch 1.0 mais caro do Brasil? – Avaliação

Entre os modelos aspirados, não há hatch 1.0 disponível no Brasil mais caro que o Renault Sandero GT Line. Será que vale à pena gastar tanto?
Renault Sandero GT Line 2021 [Auto+ / João Brigato]
Renault Sandero GT Line 2021 [Auto+ / João Brigato]

Na faixa dos carros populares, o preço é algo bastante sensível. Por isso, há tantas versões de entrada capadas em itens de série para custar barato. O que não é o caso do Renault Sandero GT Line. Com visual esportivo cativante, itens interessantes e interior diferenciado, ele é o hatch 1.0 aspirado mais caro do Brasil.

Começando em R$ 67.690 ele supera o Volkswagen Polo MPI de R$ 67.220. Mesmo modelos como Fiat Argo S-Design 1.0 (R$ 67.460), custa menos que o Sandero GT Line. Até mesmo o Hyundai HB20 1.0 Evolution Pack (R$ 62.790) ou o Chevrolet Onix LT (R$ 62.990) são mais baratos.

Mas para ter o modelo idêntico ao avaliado pelo Auto+, a conta sobe mais um pouquinho: é que a Renault deixou as rodas de liga-leve de 16 polegadas e interior GT Line que fazem a conta encostar nos R$ 70 mil. Mas ainda assim vale à pena?

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Atração visual

Apesar de o Sandero não ser o hatch compacto que mais desperta emoções nas ruas, a versão GT Line é exemplo de bom gosto visual. Ele tem uma abordagem esportiva sem ser exagerada e de linhas atraentes. A versão conta com rodas diferenciadas (tanto as de 15 polegadas de série quanto as escurecidas opcionais de 16 polegadas).

Há também saia lateral e retrovisor cinza. Na traseira, você pode até se confundir com um Sandero RS, pois o aerofólio, lanternas escurecidas e para-choque modificado são os mesmos. O GT Line só não tem saída de escape aparente – algo que seu motor 1.0 não necessita tanto assim.

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O conjunto geral agrada e o Sandero ainda tem como atrativo o fato te ser o único hatch compacto do mercado a contar com luzes diurnas de LED e lanternas traseiras com luz guia de LED. A única questão é que o catálogo de cores se resume a branco, prata e preto – cores nada emocionantes para um pseudo-esportivo.

Melhor que nunca

Desde a última reestilização do Sandero, a cabine do hatch compacto evoluiu, mas isso fica ainda mais evidente no GT-Line. Essa variante conta com volante revestido em couro com costuras aparentes, detalhes em preto brilhante em diversas partes internas e painel de instrumentos diferenciado com aro azul.

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O pacote opcional de R$ 300 adiciona bancos revestidos em tecido, couro e imitação de fibra de carbono. É um gasto que se torna válido pois o efeito visual é agradável e tira boa parte da aparência simples da cabine do Sandero GT Line.

O acabamento é apenas ok para a categoria, conta com muito plástico duro e uma discreta inserção de tecido imitado fibra de carbono nas portas. Mas tudo parece bem montado e no lugar certo. Só está um pouco datado e contrasta bastante com o volante de desenho moderno e qualidade acima do nível do restante da cabine.

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Só que o Sandero GT Line não escapou de alguns vacilos. O volante não regula em profundidade, só em altura e os retrovisores tem ajuste manual. A manopla de câmbio é bizarramente grande e há pouco espaço para objetos no console central.

A central multimídia também não é das mais modernas. Tem definição ok da tela, mas os menus são claros e fáceis de usar. Não faz muito além do básico com Android Auto e Apple CarPlay, mas não decepciona em velocidade do uso dos aplicativos – só a qualidade do som que poderia ser melhor.

Além disso, a entrada USB na parte superior e o próprio posicionamento da tela em uma parte baixa do painel mostram que o interior do Sandero pertence a uma outra década.

Como compensação, o Sandero entrega espaço interno como nenhum outro hatch compacto. Sentar na segunda fileira de bancos não é um sacrifício e o espaço para cabeça e pernas é muito bom. O porta-malas também é grande e carrega até 320 litros.

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De série, o Renault Sandero GT Line vem com um pacote sucinto. Traz ar-condicionado, sensor de ré, central multimídia, vidros elétricos nas quatro portas com função um toque, luz diurna de LED, volante revestido em couro,

Esportivo 1.0

A reorganização da gama Renault no Brasil levou a um paradoxo bizarro com o Sandero no Brasil. Agora o modelo é vendido somente com motor 1.0 SCe três cilindros aspirado de 82 cv e 10,5 kgfm de torque. Se quiser algo a mais, tem de apelar para o Stepway ou para o esportivo (de verdade) Sandero RS com motor 2.0 da Scénic.

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Com isso, o GT Line se tornou o ponto mais alto da gama Sandero sem grandes modificações mecânicas. O motor é esperto e entrega performance até mais animada que alguns rivais 1.0 aspirados. Destaque para o bom trabalho da Renault em conter as típicas vibrações de motores três cilindros, sendo o Sandero uma das referências nesse quesito.

Na cidade ele vai bem, ganhando velocidade com agilidade. Mas o motor apresenta um estranho buraco de torque entre 2.000 e 2.500 giros, quando ele parece se arrastar e perder o fôlego. Acima dos 3.500 rpm é que ele verdadeiramente engrena e tem disposto todo o seu torque.

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Por conta disso, é preciso bastante trabalho da transmissão manual de cinco marchas em estradas e ultrapassagens. O bom é que, apesar da manopla desnecessariamente grande, ele tem engates curtos, precisos e bem escalonados. É um câmbio gostoso de usar.

A relação de marchas é curta, fazendo com que o Sandero GT Line berre na estrada a 4 mil giros quando chega a 120 km/h. Isso acaba por prejudicar o consumo que, durante nossos testes com etanol, marcou 11 km/l. Na cidade ele se manteve em 10 km/l, mostrando qual é verdadeiramente seu ambiente.

 [Auto+ / João Brigato]
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Potencial explorado

A versão GT Line deixa claro em alguns pontos o potencial de esportivo que o Sandero tem – algo muito bem explorado no RS. Ele tem suspensão mais firminha que alguns rivais, o que faz com que ele contorne bem as curvas e não fique suscetível a ventos laterais. Contribui também para isso o bom conjunto de pneus.

Como parte da boa fama do Sandero, ele se mostra robusto ao volante. A suspensão não reclama de buracos mais pesados e não bate seco em solavancos. O hatch transmite uma sensação de robustez e de certa solidez vista, geralmente, em SUVs e modelos maiores. O bom isolamento acústico também contribui para isso.

 [Auto+ / João Brigato]
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Já a direção eletro-hidráulica pode decepcionar na hora de fazer manobras por ser mais pesada do que deveria, mas na condução do dia-a-dia se revela com peso exato para o Sandero. Na estrada se mantém firme e em curvas mais rápidas, responde com agilidade.

Veredicto

Robusto, com bom conjunto mecânico, espaço interno farto e até uma tocada levemente esportiva para as limitações que um (bom) motor 1.0 três cilindros aspirado tem, são os atrativos do Renault Sandero GT Line. Mas o preço é alto demais para um modelo que não tem tanta tecnologia ou modernidade no conjunto geral.

 [Auto+ / João Brigato]
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João Brigato

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