As décadas passam e o design segue, preservando a essência. Junto do Porsche 911, o Mercedes-AMG G 63 não pode mudar. Afinal, linhas quadradas associadas a um desempenho colossal compõem sua aura. A partir de R$ 2.090.900 é mais caro que o S 63 E Performance (R$ 1.731.900). Inclusive custa mais que três Mercedes-AMG GLB 35 (R$ 559.900). Ele, aliás, também cobra mais que dois Porsche 911 Carrera (parte de R$ 980.000).
Só que o Mercedes-AMG G 63 transmite uma condução altamente sui generis. Algo dele e não visto ou replicado por ninguém. Nasceu com proposta militar em 1979 a pedido do então rei do Irã Mohammad Reza Shah. Dos campos de batalhas caiu nas graças das celebridades e do público apto a desembolsar por um carro, que não assistiu ao tempo passar, embora tenha batido à porta da eletrificação com sistema MHEV de 48V, sem capacidade de tração, casado ao propulsor V8 4.0 biturbo.
Um coração valente, com a dupla de turbocompressores de duplo fluxo instalados entre as bancadas do V do propulsor M177, feito artesanalmente e assinado, com 585 cv e 86,7 kgfm nesta geração W465. Ou seja, mesmo com a modernidade, não alterou os números de desempenho diante da carroceria W463. É a engenharia de Affalterbach provando que o V8 sobrevive, mesmo cercado por baterias e o perfume dos novos tempos.



Mercedes-AMG G 63 dos novos tempos, porém, sem perder a essência
O sistema híbrido-leve de 48V, em determinadas situações, adiciona 20 cv e 21,4 kgfm, bem como gerencia de forma mais eficiente o funcionamento do start-stop (reduz o consumo e a emissão de poluentes na atmosfera durante breves paradas), como nos semáforos. Um balé, cuja orquestração fica a cargo do câmbio automático de nove marchas (9G-Tronic) e a sonoridade emitida pelas características saídas de escape nas laterais.
Algo tão icônico quanto as luzes de direção sobre os para-lamas e os faróis redondos. Um Classe G não pode mudar. Isso é fora de cogitação, da mesma forma que a construção de carroceria sobre chassi. Entretanto, a carroceria W465 também trouxe, além do sistema MHEV, novas grades laterais do para-choque e também uma nova posição da câmera de ré, passando a incluir o lavador.

De resto no exterior, apenas. Só que a brutalidade do Mercedes-AMG G 63 inicia logo nos primeiros metros pelo ronco borbulhante do propulsor com oito cilindros em V sobrealimentado por dois turbocompressores. Um canhão com relação peso-potência de 4,51 kg/cv e peso-torque de 30,4 kg/kgfm fazendo de 0 a 100 km/h em apenas 4,4 segundos.
Essa performance em um carro de mais de duas toneladas exige um gerenciamento térmico, algo que foi refinado. O fluxo de ar foi otimizado para manter o V8 em temperatura ideal mesmo sob uso severo, garantindo que a entrega de potência seja consistente. Cada aceleração é um lembrete de que o Mercedes-AMG G 63 não segue as regras comuns do mercado, transformando tudo em puro entretenimento sonoro.


Construção não mudou
O Mercedes-AMG G 63 segue feito com a construção de carroceria sobre chassi e ao volante o comportamento brutal exige braço, principalmente ao dirigir de modo mais extremo. Afinal, é um jipe e as reações são diferentes em relação a um esportivo mais próximo do piso. E ao aplicar meio curso no pedal do acelerador, o Mercedes-Benz G 63 já mostra o poderio que tem.
Arranca com vigor acompanhado do ronco borbulhante e característico dos modelos Mercedes-AMG. Uma fórmula que não foi perdida com a adoção dos turbocompressores tampouco do sistema MHEV. O G 63 torna-se ainda mais intenso ao acelerar com o pé no porão. Aí, caro amigo leitor, a conversa muda. E muda drasticamente para um outro nível.

Saindo da imobilidade, ele rasga o asfalto parecendo um T-Rex em busca da presa, e fazendo perder brevemente a visão periférica. Já embalado, salta dos 100 km/h a velocidades impublicáveis em uma fração de tempo. Uma pegada envolta pelo ronco rasgado do V8 com os pipocos saindo pelas saídas de escape. Assim como a Ram 1500 TRX ou um Porsche 911 Turbo S 992.1, tudo acontece de forma fantasticamente rápida. E isso fica mais radical ao colocar no programa de condução mais bestial.
Essa brutalidade é controlada por uma eletrônica que trabalha para manter o Mercedes-AMG G 63 na trajetória. O resultado é uma experiência de direção visceral, onde o motorista sente cada quilo do carro, exigindo respeito ao volante. Da mesma forma, que ao volante de um Maserati.


Brutalidade sui generis
A expressão monstro é a que mais representa o Mercedes-AMG G 63. Confesso que já havia guiado o jipão em outras ocasiões, mas ele tem o poder de me surpreender em todas as ocasiões. Configurado no programa mais intenso, ele acelera acima do limite da via e também do bom senso de maneira sensorial. Claro, devido ao tamanho e da construção, é preciso antecipar algumas situações.
Apesar da altura em relação ao solo e o peso em ordem de marcha de 2.640 kg, até que não deixa a dianteira mergulhar, apesar de sentir toda a inércia do conjunto. No entanto, a introdução do sistema MHEV também veio acompanhada do novo sistema AMG Active Ride Control, que reúne amortecedores adaptativos e barras estabilizadoras trocadas por sistemas hidráulicos.

As suspensões são voltadas para o conforto e, dependendo da velocidade, a carroceria rola nas curvas. É um comportamento próprio. No uso urbano elas permitem andar isolado do meio exterior, da mesma forma que assegura uma extrema capacidade no off-road. Não à toa o Mercedes-AMG G 63 é um case de sucesso ao redor do globo. Um carro tirado do mundo militar que se transformou em um jato executivo do asfalto.
O sistema AMG Active Ride Control é um dos diferenciais dinâmicos. Ao eliminar as barras estabilizadoras físicas, a Mercedes conseguiu dar ao jipe uma dualidade impressionante: estabilidade em alta velocidade e uma articulação de eixos fenomenal para transpor obstáculos. É a tecnologia servindo para manter o Classe G absurdamente eficiente em qualquer terreno.


Mercedes-AMG G 63 é nada discreto
Parado no semáforo, andando ou chegando a um local, você vira o centro das atenções. Primeiro, ele custa a partir de mais de R$ 2.000.000. Uma cifra que pode aumentar dependendo do nível da customização escolhido. Soma-se a isso a carroceria atemporal que não mudou praticamente em nada desde 1979, assim como as linhas quadradas que transmitem uma habitabilidade espaçosa.
Aliás, embarcar no Mercedes-AMG G 63 é diferente de entrar em um Porsche Cayenne. Primeiro, o clique da maçaneta é algo que nunca pode mudar, assim como o barulho seco da batida de porta, com as dobradiças expostas. Uma vez dentro, você dirige enxergando o capô, como em todo jipe, enquanto o para-brisa fica mais próximo. Os bancos frontais seduzem pelo conforto e pela forma que te abraçam.

Ele recebe até cinco passageiros com um nível de luxo extremo e o cheiro da cabine remete diretamente aos helicópteros e jatos executivos. O Classe G recebeu o sistema multimídia MBUX com tela de 12,3 polegadas e Apple CarPlay/Android Auto sem fio, enquanto o som assinado pela Burmester 3D com 18 alto-falantes e 760W toca do Heavy Metal ao Eletrônico com absoluta fidelidade.
O isolamento acústico é refinado e o acabamento mescle materiais e cores. Uma pena que o relógio analógico IWC foi tirado de cena e virou um IWC digital encontrado no menu central. Além disso, o local onde ficam os botões foi atualizado, incluindo os comandos do ar-condicionado de três zonas. Logo acima, estão os comandos do travamento mecânico dos diferenciais (dianteiro, central e traseiro). À frente dos olhos do condutor está o quadro de instrumentos também de 12,3 polegadas.



Cabine executiva
Uma curiosidade mantida no Mercedes-AMG G 63 de geração W465 está nos comandos elétricos dos vidros e dos retrovisores na porção superior das portas, assim como dos ajustes do banco nas laterais de portas. Ou seja, um clássico não dá adeus; ele se reinventa. Apesar disso, o volante de três raios passou a ter comandos sensíveis ao toque, além das saídas de ar centrais exibirem pequenas mudanças no desenho.
Contudo, na ponta da fita métrica, o Mercedes-AMG G 63 mede 4,87 m de comprimento, 1,98 m de largura, 1,97 m de altura e 2,89 m de entre-eixos, enquanto o porta-malas oferece uma capacidade volumétrica de volumosos 640 litros e a porta oferece abertura lateral. A ambientação do habitáculo transpira luxo com materiais empregados aos acabamentos e arremates de alto padrão.


Se os modos de condução possibilitam alternar o comportamento dinâmico e os bloqueios de diferenciais dianteiro, central e traseiro permitem enfrentar o fora de estrada, bem como há ângulos de entrada de 27,2º, de saída de 29,9º e uma altura em relação ao solo de 244 mm. As rodas de 20 polegadas calçam pneus de medidas 275/50 com banda de rodagem com desenho assimétrico.
Enfim, o Mercedes-AMG G 63 é um carro que não mede consequências para ser algo totalmente fora da caixa e um ícone imortal. Essa capacidade de transitar entre um lamaçal profundo e o asfalto é o que torna único. Poucos carros no mundo conseguem manter sua dignidade e eficiência em cenários tão opostos, entregando uma versatilidade que beira o absurdo!




Veredicto
O Mercedes-AMG G 63 é sui generis das rodas à capota. Começando pelo design quadrado da carroceria, chegando ao luxo extremo com o tempero da divisão esportiva de Affalterbach. Um ode ao desempenho, que não encontra limites em um jipe capaz de seduzir qualquer consumidor apto a desembolsar a partir de R$ 2.090.900.
Grande e potente é algo para dar graças pela ousadia nos tempos em que a indústria vai para o lado do minimalismo, assim como o desenho dos carros cada vez mais arredondado e escondendo até os para-choques. Algo fora da caixa, mas que exala exclusividade e uma dirigibilidade que só ele oferece. De novo, vai me deixar com saudades.

E você, o que acha do Mercedes-AMG G 63? Caso o dinheiro não fosse um impeditivo, escolheria ele? Escreva sua opinião nos comentários!


