Ao vivo
Home » Avaliação » Mercedes-AMG G 63 custa mais que dois Porsche 911 Carrera e é um colosso | Avaliação

Avaliação

Brutalidade exclusiva

Mercedes-AMG G 63 custa mais que dois Porsche 911 Carrera e é um colosso | Avaliação

O Mercedes-AMG G 63 é o puro veneno da brutalidade. O canhão de linhas quadradas entrega 585 cv e 86,7 kgfm em uma carroceria atemporal

10 min de leitura

As décadas passam e o design segue, preservando a essência. Junto do Porsche 911, o Mercedes-AMG G 63 não pode mudar. Afinal, linhas quadradas associadas a um desempenho colossal compõem sua aura. A partir de R$ 2.090.900 é mais caro que o S 63 E Performance (R$ 1.731.900). Inclusive custa mais que três Mercedes-AMG GLB 35 (R$ 559.900). Ele, aliás, também cobra mais que dois Porsche 911 Carrera (parte de R$ 980.000).

YouTube video

Só que o Mercedes-AMG G 63 transmite uma condução altamente sui generis. Algo dele e não visto ou replicado por ninguém. Nasceu com proposta militar em 1979 a pedido do então rei do Irã Mohammad Reza Shah. Dos campos de batalhas caiu nas graças das celebridades e do público apto a desembolsar por um carro, que não assistiu ao tempo passar, embora tenha batido à porta da eletrificação com sistema MHEV de 48V, sem capacidade de tração, casado ao propulsor V8 4.0 biturbo.

Um coração valente, com a dupla de turbocompressores de duplo fluxo instalados entre as bancadas do V do propulsor M177, feito artesanalmente e assinado, com 585 cv e 86,7 kgfm nesta geração W465. Ou seja, mesmo com a modernidade, não alterou os números de desempenho diante da carroceria W463. É a engenharia de Affalterbach provando que o V8 sobrevive, mesmo cercado por baterias e o perfume dos novos tempos.

Mercedes-AMG G 63 dos novos tempos, porém, sem perder a essência

O sistema híbrido-leve de 48V, em determinadas situações, adiciona 20 cv e 21,4 kgfm, bem como gerencia de forma mais eficiente o funcionamento do start-stop (reduz o consumo e a emissão de poluentes na atmosfera durante breves paradas), como nos semáforos. Um balé, cuja orquestração fica a cargo do câmbio automático de nove marchas (9G-Tronic) e a sonoridade emitida pelas características saídas de escape nas laterais.

Algo tão icônico quanto as luzes de direção sobre os para-lamas e os faróis redondos. Um Classe G não pode mudar. Isso é fora de cogitação, da mesma forma que a construção de carroceria sobre chassi. Entretanto, a carroceria W465 também trouxe, além do sistema MHEV, novas grades laterais do para-choque e também uma nova posição da câmera de ré, passando a incluir o lavador.

Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

De resto no exterior, apenas. Só que a brutalidade do Mercedes-AMG G 63 inicia logo nos primeiros metros pelo ronco borbulhante do propulsor com oito cilindros em V sobrealimentado por dois turbocompressores. Um canhão com relação peso-potência de 4,51 kg/cv e peso-torque de 30,4 kg/kgfm fazendo de 0 a 100 km/h em apenas 4,4 segundos.

Essa performance em um carro de mais de duas toneladas exige um gerenciamento térmico, algo que foi refinado. O fluxo de ar foi otimizado para manter o V8 em temperatura ideal mesmo sob uso severo, garantindo que a entrega de potência seja consistente. Cada aceleração é um lembrete de que o Mercedes-AMG G 63 não segue as regras comuns do mercado, transformando tudo em puro entretenimento sonoro.

Construção não mudou

O Mercedes-AMG G 63 segue feito com a construção de carroceria sobre chassi e ao volante o comportamento brutal exige braço, principalmente ao dirigir de modo mais extremo. Afinal, é um jipe e as reações são diferentes em relação a um esportivo mais próximo do piso. E ao aplicar meio curso no pedal do acelerador, o Mercedes-Benz G 63 já mostra o poderio que tem.

Arranca com vigor acompanhado do ronco borbulhante e característico dos modelos Mercedes-AMG. Uma fórmula que não foi perdida com a adoção dos turbocompressores tampouco do sistema MHEV. O G 63 torna-se ainda mais intenso ao acelerar com o pé no porão. Aí, caro amigo leitor, a conversa muda. E muda drasticamente para um outro nível.

Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Saindo da imobilidade, ele rasga o asfalto parecendo um T-Rex em busca da presa, e fazendo perder brevemente a visão periférica. Já embalado, salta dos 100 km/h a velocidades impublicáveis em uma fração de tempo. Uma pegada envolta pelo ronco rasgado do V8 com os pipocos saindo pelas saídas de escape. Assim como a Ram 1500 TRX ou um Porsche 911 Turbo S 992.1, tudo acontece de forma fantasticamente rápida. E isso fica mais radical ao colocar no programa de condução mais bestial.

Essa brutalidade é controlada por uma eletrônica que trabalha para manter o Mercedes-AMG G 63 na trajetória. O resultado é uma experiência de direção visceral, onde o motorista sente cada quilo do carro, exigindo respeito ao volante. Da mesma forma, que ao volante de um Maserati.

Brutalidade sui generis

A expressão monstro é a que mais representa o Mercedes-AMG G 63. Confesso que já havia guiado o jipão em outras ocasiões, mas ele tem o poder de me surpreender em todas as ocasiões. Configurado no programa mais intenso, ele acelera acima do limite da via e também do bom senso de maneira sensorial. Claro, devido ao tamanho e da construção, é preciso antecipar algumas situações.

Apesar da altura em relação ao solo e o peso em ordem de marcha de 2.640 kg, até que não deixa a dianteira mergulhar, apesar de sentir toda a inércia do conjunto. No entanto, a introdução do sistema MHEV também veio acompanhada do novo sistema AMG Active Ride Control, que reúne amortecedores adaptativos e barras estabilizadoras trocadas por sistemas hidráulicos.

Mercedes-AMG G 63 cinza parado de frente-lateral com árvores ao fundo
Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

As suspensões são voltadas para o conforto e, dependendo da velocidade, a carroceria rola nas curvas. É um comportamento próprio. No uso urbano elas permitem andar isolado do meio exterior, da mesma forma que assegura uma extrema capacidade no off-road. Não à toa o Mercedes-AMG G 63 é um case de sucesso ao redor do globo. Um carro tirado do mundo militar que se transformou em um jato executivo do asfalto.

O sistema AMG Active Ride Control é um dos diferenciais dinâmicos. Ao eliminar as barras estabilizadoras físicas, a Mercedes conseguiu dar ao jipe uma dualidade impressionante: estabilidade em alta velocidade e uma articulação de eixos fenomenal para transpor obstáculos. É a tecnologia servindo para manter o Classe G absurdamente eficiente em qualquer terreno.

Mercedes-AMG G 63 é nada discreto

Parado no semáforo, andando ou chegando a um local, você vira o centro das atenções. Primeiro, ele custa a partir de mais de R$ 2.000.000. Uma cifra que pode aumentar dependendo do nível da customização escolhido. Soma-se a isso a carroceria atemporal que não mudou praticamente em nada desde 1979, assim como as linhas quadradas que transmitem uma habitabilidade espaçosa.

Aliás, embarcar no Mercedes-AMG G 63 é diferente de entrar em um Porsche Cayenne. Primeiro, o clique da maçaneta é algo que nunca pode mudar, assim como o barulho seco da batida de porta, com as dobradiças expostas. Uma vez dentro, você dirige enxergando o capô, como em todo jipe, enquanto o para-brisa fica mais próximo. Os bancos frontais seduzem pelo conforto e pela forma que te abraçam.

Painel do Mercedes-AMG G 63
Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ele recebe até cinco passageiros com um nível de luxo extremo e o cheiro da cabine remete diretamente aos helicópteros e jatos executivos. O Classe G recebeu o sistema multimídia MBUX com tela de 12,3 polegadas e Apple CarPlay/Android Auto sem fio, enquanto o som assinado pela Burmester 3D com 18 alto-falantes e 760W toca do Heavy Metal ao Eletrônico com absoluta fidelidade.

O isolamento acústico é refinado e o acabamento mescle materiais e cores. Uma pena que o relógio analógico IWC foi tirado de cena e virou um IWC digital encontrado no menu central. Além disso, o local onde ficam os botões foi atualizado, incluindo os comandos do ar-condicionado de três zonas. Logo acima, estão os comandos do travamento mecânico dos diferenciais (dianteiro, central e traseiro). À frente dos olhos do condutor está o quadro de instrumentos também de 12,3 polegadas.

Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Cabine executiva

Uma curiosidade mantida no Mercedes-AMG G 63 de geração W465 está nos comandos elétricos dos vidros e dos retrovisores na porção superior das portas, assim como dos ajustes do banco nas laterais de portas. Ou seja, um clássico não dá adeus; ele se reinventa. Apesar disso, o volante de três raios passou a ter comandos sensíveis ao toque, além das saídas de ar centrais exibirem pequenas mudanças no desenho.

Contudo, na ponta da fita métrica, o Mercedes-AMG G 63 mede 4,87 m de comprimento, 1,98 m de largura, 1,97 m de altura e 2,89 m de entre-eixos, enquanto o porta-malas oferece uma capacidade volumétrica de volumosos 640 litros e a porta oferece abertura lateral. A ambientação do habitáculo transpira luxo com materiais empregados aos acabamentos e arremates de alto padrão.

Se os modos de condução possibilitam alternar o comportamento dinâmico e os bloqueios de diferenciais dianteiro, central e traseiro permitem enfrentar o fora de estrada, bem como há ângulos de entrada de 27,2º, de saída de 29,9º e uma altura em relação ao solo de 244 mm. As rodas de 20 polegadas calçam pneus de medidas 275/50 com banda de rodagem com desenho assimétrico.

Enfim, o Mercedes-AMG G 63 é um carro que não mede consequências para ser algo totalmente fora da caixa e um ícone imortal. Essa capacidade de transitar entre um lamaçal profundo e o asfalto é o que torna único. Poucos carros no mundo conseguem manter sua dignidade e eficiência em cenários tão opostos, entregando uma versatilidade que beira o absurdo!

Veredicto

O Mercedes-AMG G 63 é sui generis das rodas à capota. Começando pelo design quadrado da carroceria, chegando ao luxo extremo com o tempero da divisão esportiva de Affalterbach. Um ode ao desempenho, que não encontra limites em um jipe capaz de seduzir qualquer consumidor apto a desembolsar a partir de R$ 2.090.900.

Grande e potente é algo para dar graças pela ousadia nos tempos em que a indústria vai para o lado do minimalismo, assim como o desenho dos carros cada vez mais arredondado e escondendo até os para-choques. Algo fora da caixa, mas que exala exclusividade e uma dirigibilidade que só ele oferece. De novo, vai me deixar com saudades.

Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

E você, o que acha do Mercedes-AMG G 63? Caso o dinheiro não fosse um impeditivo, escolheria ele? Escreva sua opinião nos comentários!

Deixe um comentário

Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

Você também poderá gostar