Dez anos passaram rápido e, à época, em 2016, tive a chance de ficar praticamente uma semana com o BMW i8. Se atualmente ele ainda parece revolucionário, imagine como era sair na rua há uma década. Baixo, com portas que abrem verticalmente no estilo tesoura (butterfly doors), o design foi inspirado pelo conceito Vision Efficient Dynamics, do Salão de Frankfurt de 2009.
O preço em 2016 era de R$ 800.000. Hoje, as poucas unidades à venda no mercado de usados saem na faixa de R$ 530.000. Se você é uma pessoa discreta, esqueça. Afinal, nos dias em que fiquei com ele, arrumei um monte de “amigos” no trânsito e reparei nos olhares maliciosos. Não sou bonito, fato. Mas o BMW i8 é uma nave espacial andando na rua. Um estilo revolucionário tal como foi o Mercedes-Benz C111.

Tecnologia e construção em fibra de carbono
A arquitetura deste híbrido bávaro possui a célula de sobrevivência construída em plástico reforçado com fibra de carbono (CFRP). Uma combinação de materiais também empregada nas portas verticais. O peso de 1.485 kg já inclui as baterias de íons de lítio, instaladas entre os dois propulsores.
Essa mística do BMW i8 vem do motor elétrico na dianteira, que é semelhante ao do BMW i3, com 131 cv e 25,5 kgfm, casado ao propulsor BMW TwinPower Turbo 1.5 de três cilindros com 231 cv e 32,6 kgfm. Juntos, entregam números de desempenho combinados de 362 cv e 42 kgfm.

BMW i8 é o melhor de dois mundos
O fôlego é suficiente para acelerar de 0 a 100 km/h em 4,4 segundos e cravar 250 km/h de velocidade máxima. O câmbio é automático de seis marchas. Mas ele é um híbrido e, portanto, pode rodar sem emitir uma grama de poluentes na atmosfera, certo? Sim. No modo EcoPro, que prioriza a eficiência, o alcance máximo elétrico chega a 37 km.
Eram outros tempos, mas o BMW i8, no programa Comfort, utiliza a energia da bateria até os 65 km/h. Após isso, o motor térmico assume o controle. Foi nesse modo de condução que o computador de bordo indicou médias urbanas acima de 20 km/l. Já o programa Sport é selecionado pela alavanca seletora de marchas e deixa tudo melhor.

Dinâmica de condução
No modo Sport, as respostas ficam intempestivas e o conjunto de suspensões do BMW i8 passa a ler melhor o piso. Ao ser provocado, ele responde de maneira ríspida. O motor de três cilindros não possui o típico ronco metálico deste tipo de propulsor, mas produz uma sinfonia aguda, especialmente nas reduções de marchas. Mesmo com pegada de conceito, ele é um carro mais progressivo do que violento.
A dinâmica é irrepreensível, com suspensão independente de braços sobrepostos à frente e multibraço atrás. Há mínima rolagem de carroceria e este BMW anda pregado no chão. O sistema de tração pode ser traseiro (motor a gasolina), frontal (propulsor elétrico) ou integral (ambos). As rodas de 20 polegadas calçam pneus de medidas pouco usuais: 195/50 no eixo dianteiro e 215/45 no traseiro.

Paralelamente às qualidades, o BMW i8 exige atenção nas valetas, afinal, está a apenas 4,6 cm do chão. Entretanto, a distribuição de peso é ideal, na ordem de 50/50, e a energia dissipada nas frenagens é regenerada para a bateria.
Vida a bordo no BMW i8
A posição de dirigir é baixíssima e o motorista se acomoda em formato de “L”, semelhante aos carros de corrida. Com 4,68 m de comprimento e apenas 1,29 m de altura, o contorcionismo é necessário. No alto dos meus 1,70 m, confesso que precisei de técnica para fechar a porta, mas o show vale a pena. Afinal, ele é um carro único.
Há ainda até dois pequenos bancos traseiros, porém são apenas figurativos. Além disso, os comandos são bem semelhantes aos modelos do fabricante bávaro da época. No final, dirigir o BMW i8 serviu para entender o futuro daquela época, sem esquecer que os motores a combustão interna ainda resistem. Eram tempos, em que tanto a hibridização quanto os carros puramente elétricos ainda estavam ligeiramente distantes.


E para você: o BMW i8 foi o modelo mais revolucionário da marca até hoje? Deixe sua opinião aqui nos comentários!



