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Jeep Renegade Willys é o SUV compacto mais raiz do Brasil | Avaliação

Com tração 4x4, modos off-road e motor 1.3 turbo, o Renegade Willys prova que ainda existe SUV compacto pensado para sair do asfalto

13 min de leitura

Quando olhamos para os SUVs compactos hoje, quase 100% do segmento é pensado para o rodar confortável nas cidades/estradas e, no máximo, encarar uma estrada de terra leve. O próprio Jeep Renegade carregou por muito tempo a fama de SUV de shopping, algo que muitos associaram ao modelo com o motor 1.8 e.torQ. A virada se deu na linha 2022, quando o SUV recebeu a reestilização e o motor 1.3 turbo.

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Um motor que o Jeep Renegade, de fato, merecia. Na mesma fase, o antigo 2.0 turbodiesel de 170 cv e 35,7 kgfm saiu de cena por causa das exigências do Proconve L7, encerrando a fase diesel do SUV. Isso também fez desaparecer a antiga edição Renegade Willys lançado em 2019 com esse conjunto mecânico.

Mesmo assim, a Jeep decidiu resgatar novamente esse nome em 2024 e trouxe o Renegade Willys para a linha. Hoje ele acaba ficando esquecido dentro da gama, já que as vendas se concentram nas versões Sport e Longitude, naturalmente mais baratas

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Só que por R$ 189.490, o Jeep Renegade Willys entrega algo que praticamente nenhum rival oferece no segmento, a tração 4×4. Rivais com nome aventureiro, como o Volkswagen T-Cross Extreme, mesmo custando R$ 203.490, não chegam perto dessa capacidade, o que faz do Renegade um dos SUVs compactos mais legais de se ter, por um preço considerável razoável entre seus concorrentes

Um canhãozinho

Sob o capô está o motor 1.3 turbo flex T270 com injeção direta, que gera 180/185 cv a 5.750 rpm e 27,5 kgfm já aos 1.750 rpm. São números fortes para um SUV de 1.643 kg. Essa versão não recebeu a redução de potência como os outros modelos da Stellantis.

Motor Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Inclusive, esse propulsor equipa todas as versões do Renegade, mas aqui ele ganha dois aliados fundamentais. O primeiro é a tração integral, o segundo é o excelente câmbio automático ZF de nove marchas. Esse último merece elogios de todas as formas, pois é um conjunto que casa perfeitamente no dia a dia.

A primeira marcha é bem curta e acaba funcionando como uma reduzida eletrônica, algo que ajuda em situações mais difíceis fora do asfalto. Na cidade, o resultado é um carro muito suave e prazeroso de dirigir. As saídas são rápidas, sempre espertas, ótimas para arrancar em cruzamentos ou escapar de situações de trânsito mais pesado. 

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

O câmbio mantém as rotações sempre baixas na condução tranquila, tendo um rodar silencioso. Existe um leve atraso quando se pisa fundo no acelerador, algo típico dos motores turbo menores, mas assim que o motor sobe de rotação vem aquela puxada forte, que faz até esquecer parte do peso do carro. 

A tração integral ajuda bastante nesse momento, porque a força chega ao chão sem cantada de pneu, com a dianteira até levantando levemente nas arrancadas mais fortes. Boa parte dessa competência de saídas bruscas em baixa vem também do sistema MultiAir III, o comando variável de válvulas usado pela Stellantis

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Na prática, ele controla a abertura das válvulas de admissão de forma independente, ajustando o fluxo de ar dentro do motor conforme a demanda. Isso melhora as respostas, ajuda a entregar torque em rotações mais baixas e deixa o motor mais responsivo no uso cotidiano

Na estrada, esse conjunto mostra ainda mais serviço. O Renegade acelera de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos, um número bem honesto para o tamanho e o peso do carro. Mais importante que isso são as retomadas. Em velocidades mais altas ele sobe a velocidade com facilidade, o câmbio reduz marchas com rapidez e as ultrapassagens acontecem de forma segura.

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

O comportamento dinâmico também passa confiança, já que o SUV permanece firme em linha reta, sem vibrações ou flutuação de carroceria. A altura livre de 213 mm, não prejudica a estabilidade, nem mesmo em velocidades mais altas. Mérito também da plataforma Small Wide, usada no Compass, Commander e Rampage

Suspensão robusta

Em curvas existe a leve inclinação lateral, típica de SUVs, mas ele continua bem preso ao chão e segue a trajetória, mesmo em curvas mais fechadas. A tração integral auxilia o carro a ficar mais plantado nas mudanças de direção.

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

A direção não é das mais comunicativas e demora um pouco para responder, mas também não chega a ser um problema. O Renegade nunca foi pensado para ter uma pegada esportiva, e sim uma calibração para trazer conforto e segurança, algo que faz muito bem, com um peso correto em diferentes velocidades, sem ser leve nem pesado. 

E falando em conforto, a suspensão acaba sendo um dos grandes pontos fortes do SUV. Mesmo nas versões mais simples, o Renegade usa suspensão independente nas quatro rodas, algo raro nesse segmento.

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

A suspensão tem aquela característica mais firme típica da marca, passa sensação de robustez e encara buracos ou irregularidades sem transmitir pancadas secas para a cabine e filtrando bem as imperfeições. Ele trabalha com um curso relativamente longo, algo importante para deixar as rodas sempre em maior contato com o solo.

SUV de shopping ficou para trás

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Essa característica aparece ainda mais no fora de estrada. Em um trajeto que peguei com descidas e buracos, o Jeep Renegade passou por praticamente todos os obstáculos sem dificuldade. Em alguns trechos de subida mais íngreme, senti necessidade de mais aderência e então acionei o modo Sand/Lama. 

Nesse modo o painel muda de cor, o controle eletrônico altera a entrega de torque e o sistema trabalha para simular o bloqueio do diferencial, distribuindo melhor a força entre as rodas. O resultado foi imediato, o carro subiu sem esforço, sempre com boa tração. 

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Nem foi necessário acionar o bloqueio do 4×4. Já nas descidas, o assistente de descida funcionou bem, controlando a velocidade sozinho enquanto o carro descia. E aí que os números de geometria ajudam bastante, pois o Renegade Willys oferece suspensão mais elevada que as outras versões, com ângulo de ataque de 31° e ângulo de saída de 33,6°. 

Na prática, ele passa por obstáculos que muitos concorrentes nem tentariam enfrentar, e ainda por cima sem raspar. E foi nesse momento, depois de uma bela trilha, que passou pela minha cabeça, que a velha fama de SUV de shopping ficou realmente no passado.

Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

O sistema ainda oferece outros modos de condução. O Snow, pensado para pisos de baixíssima aderência, o Sport, que faz o motor ter rotações mais altas e deixa o acelerador mais sensível, e o modo Auto, que é o principal do carro e ajusta tudo automaticamente. 

No uso normal ele já entrega acelerações fortes e boas respostas, além do rodar silencioso, ajudado também pelo bom isolamento acústico. Os freios, com discos ventilados na frente e sólidos atrás, trabalham bem, sempre com resposta na sensibilidade certa, firmes e previsível.

Consumo cobra seu preço

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Se existe um ponto realmente negativo no conjunto, ele aparece no consumo. Durante os testes consegui apenas 5,5 km/l na cidade. Em momentos de trânsito mais livre chegou perto de 6 km/l. Na estrada o resultado melhora e chegou a 11 km/l. 

Mesmo assim, os números ficam abaixo do que o Inmetro divulga. Segundo o instituto, o Renegade faz 9,2 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada com gasolina. No etanol os números oficiais são 6,3 km/l e 7,4 km/l. Com o tanque de 55 litros, isso resulta em nossos testes uma autonomia de cerca de 300 km na cidade e aproximadamente 600 km na estrada com gasolina.

Interior conhecido

Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Ao entrar no Jeep Renegade Willys, você percebe aquilo que ajudou o SUV a se consagrar desde sua chegada ao Brasil. A posição de dirigir é alta, o teto também é bem alto, e a sensação é de estar sempre acima dos carros ao redor. No caso da versão Willys isso fica ainda mais evidente.

O SUV mede 4,26 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,73 m de altura e 2,57 m de entre-eixos. A posição de condução é fácil de se achar, com bancos de ajuste manual que permitem bom recuo e um volante com regulagem de altura e profundidade bem ampla.

Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Já quem vai atrás não encontra o mesmo cenário. Para quem é alto, como no meu caso com 1,88 m, o espaço traseiro fica apertado, algo que rivais do segmento conseguem resolver melhor. Falta também um cuidado maior com quem senta ali, já que não há saída de ar-condicionado e existe apenas uma porta USB. 

O porta-malas segue a mesma linha e também fica abaixo da média da categoria. São apenas 314 litros, um volume pequeno comparado até com hatches que possuem quase a mesma litragem. Até um SUV subcompacto, como o Fiat Pulse, oferece mais com 370 litros.

Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

No acabamento, porém, o Renegade tem um bom nível de construção. O painel e o tabelier têm revestimento macio ao toque, enquanto a parte superior das portas usa plástico rígido, mas com aparência de boa qualidade. Tudo parece bem encaixado, sem rebarbas ou peças mal ajustadas. 

O quadro de instrumentos é digital de sete polegadas, o mesmo visto em alguns modelos da Fiat, simples de usar e fácil de entender. Já a central multimídia Uconnect tem 8,4 polegadas, responde rápido aos comandos e conecta o celular de forma rápida e sem travamentos, no caso com Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

Entre os equipamentos, o Jeep Renegade Willys traz ar-condicionado digital de duas zonas, chave presencial com botão de partida, teto solar panorâmico de série e freio de estacionamento eletrônico. Só que aqui aparece uma ausência curiosa que pode fazer falta para muitos — o Auto Hold.

No entanto, a tendência é que isso seja corrigido na linha 2027, quando o modelo vai adotar o novo interior usado no Compass, conforme a apuração exclusiva do Auto+.

Outro ponto que poderia evoluir é o pacote de assistências à condução. O Renegade até oferece frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, alerta de mudança de faixa com assistente de permanência, além de faróis com acendimento automático, comutação automática de facho alto e sensor de chuva. Mas falta justamente o piloto automático adaptativo, algo que vários rivais já oferecem.

Homenagem ao Willys original

Por outro lado, o Renegade Willys compensa com sua personalidade. O interior está cheio de referências ao Jeep Willys original, criado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Foi ele que ajudou a consolidar a imagem da Jeep como marca ligada ao fora de estrada, depois que o Exército americano pediu um veículo robusto para uso militar no início dos anos 1940. 

No Jeep Renegade atual, essa herança aparece em vários detalhes. A cor verde Recon faz referência direta ao jipinho original. A alça no painel do lado do passageiro lembra a pá usada no Willys de 1941. Há adesivos no para-brisa, capô e nas laterais com o nome Willys, além da inscrição 1941 na coluna C. 

As saídas centrais de ventilação remetem aos óculos usados pelos soldados da época, já que o jipe militar não tinha capota. No interior também aparecem pequenos easter eggs, como a silhueta do Jeep no banco do passageiro, a inscrição 1941 no console e até desenhos inspirados no galão de combustível do Willys nas lanternas traseiras e nas borrachas dos porta-copos.

Do lado de fora, a proposta aventureira continua com a dianteira tendo a tradicional grade de sete fendas com faróis redondos, uma assinatura clássica da Jeep. Para reforçar o visual off-road, o modelo dispensa detalhes cromados e usa retrovisores e maçanetas em plástico preto. 

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

As rodas de 17 polegadas vêm calçadas com pneus all-terrain 225/65 R17, mais adequados para passar em estradas de terra e trilhas, algo que combina perfeitamente com a proposta da versão Willys.

Veredicto

Em geral, o Renegade Willys acaba ocupando um espaço bem específico no mercado brasileiro, pois só ele se coloca como veículo 4×4 mais barato à venda no Brasil. Esqueça do Suzuki Jimny Sierra, que já trabalha em estoques remanescentes. Diante disso, ver um SUV compacto oferecer tração integral, bom motor, confortável e um pacote relativamente completo por menos de R$ 190 mil, acaba sendo algo bem interessante, ainda mais onde SUVs compactos já ultrapassam R$ 200 mil. 

Jeep Renegade Willys 2026 estático na cor verde Recon para avaliação
Jeep Renegade Willys [Auto+/Luiz Forelli]

No uso diário, ele mostra um conjunto bastante equilibrado. Ao mesmo tempo, quando sai do asfalto ele mostra exatamente o motivo de existir. Ou seja, ele consegue ser um carro versátil. Por outro lado, ele não é um carro para todo mundo. Quem não pretende usar o 4×4 dificilmente vai aproveitar o principal diferencial da versão Willys. Nesse caso, versões 4×2 do próprio Renegade já cumprem bem o papel e custam menos. 

E para quem tem família ou precisa de mais espaço interno, um Jeep Compass Sport (R$ 174.990), acaba sendo uma escolha mais racional, já que oferece o mesmo motor, suspensão e um pacote de equipamentos equivalente. Mesmo assim, o Renegade Willys é um carro único no mercado brasileiro, com atributos que rivais sequer tentam oferecer

E você, compraria um Jeep Renegade Willys? Compartilhe sua opinião nos comentários!


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4 comentários em “Jeep Renegade Willys é o SUV compacto mais raiz do Brasil | Avaliação”

  1. Pedrão

    Sim!! Sem dúvida. Ótimo veículo oara um off road moderado.

  2. Adalberto

    Tenho um Trailhawk 2024 porque moro em zona rural e nunca tive problema, nem na lama, nem com excesso de poeira que deixa o chão bem escorregadio.
    Se tudo der certo pretendo troca-lo pelo modelo Willys 2027.

  3. Wagner

    O Renegade willys teve a potência do motor alterada sim, passando a ter 176cv com gasolina ou etanol.

  4. Rogério

    Tenho uma Compass série S mas sou apaixonado por este Renegade Willys. Se pudesse teria os dois.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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