O Brasil é o país das ruas esburacadas, das enchentes nas cidades grandes e da mania nacional de achar que um carro precisa atender a todo e qualquer tipo de uso. Por conta disso, em geral, nossos carros são mais simples de manutenção e mais robustos.
Nesse contexto, se tem um carro que é a cara do Brasil e funciona para muita coisa, essa certamente é a Fiat Toro Ranch. Ela consegue equilibrar a força necessária para o trabalho com o conforto exigido para o uso diário em centros urbanos.
Tabelada em R$ 233.990, mas facilmente encontrada nas concessionárias da Stellantis na faixa de R$ 200 mil, a Toro Ranch representa o pico dos carros da Fiat. É o modelo de passeio mais caro e sofisticado da marca italiana atualmente.

Recentemente, a picape passou por uma repaginação visual de estilo um tanto questionável, mas que não apagou suas excelentes qualidades dinâmicas. O modelo continua sendo a referência para quem busca versatilidade sem o tamanho exagerado das picapes médias.
Conjunto mecânico competente
Desde que a Fiat estreou a Toro em 2016, o motor diesel sempre foi seu melhor aliado. Primeiro, a marca utilizou o 2.0 MultiJet II, que entregava bons números, mas nada extraordinário para o peso total do veículo carregado.

Agora, todavia, a Stellantis conseguiu dar um passo além com a introdução do motor 2.2 Pratola Serra. Com 200 cv e 45,9 kgfm de torque, o câmbio automático de nove marchas comanda o conjunto com extrema eficiência e suavidade nas trocas.
O grande trunfo do motor diesel da Fiat Toro é a sua suavidade de funcionamento. Com os vidros fechados, você pode até suspeitar estar dirigindo a versão flex da picape por conta do baixo ruído. O típico ‘clec clec’ só invade a cabine se você abrir os vidros.

Inegavelmente, a Toro diesel consegue entregar torque farto em baixa rotação, ao mesmo tempo que mantém um bom apetite para altas velocidades. Oficialmente, a Stellantis declara 9,8 segundos para chegar aos 100 km/h, o que é excelente para a categoria.
As retomadas da picape são seu destaque principal, especialmente porque o câmbio trabalha bem com toda força disponível do 2.2 sem reduzir marcha desnecessariamente. Como consequência, a disposição da Toro Ranch faz com que você não precise acelerar demasiadamente.

Dessa forma, o consumo se mantém baixo na maioria das situações de uso. Oficialmente, a marca declara 10,5 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada. Entretanto, durante nossos testes, ela marcou absurdos 18,7 km/l na estrada e 12,3 km/l no ciclo urbano.
Mesmo carregada, Fiat Toro segue entregando
Confesso que a Fiat Toro auxiliou na minha mudança, tendo sua caçamba preenchida por três vezes com tralhas residenciais variadas. Mesmo carregada em todos os seus 937 litros e atingindo 1.010 kg de capacidade, ela manteve a boa performance nas subidas.

Nessa situação específica de carga máxima, o consumo caiu naturalmente, mas ainda manteve uma bela média de 9,9 km/l. Ela não sentiu falta de força em nenhum momento, provando que o novo motor 2.2 foi uma escolha acertada da engenharia.
Base bem nascida
Construída sobre a plataforma Small Wide, que receberá uma nova geração no Brasil em breve, a Fiat Toro conserva as boas características dessa base modular. A caminhonete é nitidamente robusta, aguentando buraqueiras sem reclamar e terrenos de baixa aderência.

Além disso, a base te possibilita passar mais rápido do que deveria em uma lombada sem sofrer pancadas secas. Não há rangido de carroceria ou suspensão batendo, nem nada que incomode, mesmo em momentos nos quais a caminhonete está sendo castigada.
Nas curvas, ela segura bem a carroceria e não transmite insegurança ao motorista. Claro que não é um sedan, nem uma Ford Maverick, mas certamente não te dará sustos como as caminhonetes médias tradicionais costumam fazer em velocidades mais altas.

A direção é bem calibrada, sendo extremamente leve nas manobras e firme na estrada, o que mantém a condução agradável. Entretanto, o sistema de manutenção em faixa é mal calibrado, exagerando na dose de força que coloca no volante para corrigir a trajetória.
Por falar nisso, nada de piloto automático adaptativo, alerta de ponto cego ou alerta de tráfego cruzado nesta versão. O máximo que a Fiat Toro Ranch oferece é a frenagem autônoma de emergência, que sob chuva moderada ou sol forte, simplesmente não funciona.
Acabamento na medida
![interior Fiat Toro Ranch [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/02/fiat-toro-ranch-azul-jazz-07-1320x743.webp)
Do Argo para cima, a Fiat consegue dominar a arte de fazer interiores com quase nada de material macio, mas que transmitem qualidade. Tal qual a Ford Maverick, a Toro Ranch tem cabine dominada por plásticos rígidos, porém todos são bem montados.
Não há rebarbas aparentes ou peças frouxas, garantindo uma sensação geral positiva ao condutor. Especialmente por conta da qualidade do couro marrom usado nos bancos e portas. Só que o acabamento que imita madeira parece um metal arranhado e é um tanto cafona.
![cabine Fiat Toro Ranch [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/02/fiat-toro-ranch-azul-jazz-09-1320x743.webp)
Na reestilização, a Fiat Toro ganhou freio de estacionamento eletrônico, o que garantiu a ela novos porta-objetos úteis. A manopla de câmbio parece ter vindo de um descarte do Alfa Romeo Tonale, aparentando fragilidade e ficando totalmente fora de contexto no interior.
As telas Stellantis
Um ponto a ser elogiado na Fiat Toro fica por conta da qualidade das telas disponíveis. O painel de instrumentos ganhou novos grafismos para facilitar a leitura, embora as animações ainda sejam um pouco lentas e o espaço vazio entre as informações deixe a desejar.


Já a central multimídia com tela vertical, exclusividade da Ranch e da Ultra, é um show à parte no painel. O display tem ótima definição e é muito fácil de mexer. Além disso, conta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio para maior praticidade.
Espaço é o que falta
Na dianteira, motorista e passageiro desfrutam de um bom espaço interno e ergonomia exemplar para viagens longas. A Fiat deixou comandos físicos para o rádio e ar-condicionado, o que facilita o uso. Todavia, a haste de seta continua mole demais para o farol alto.


Em contrapartida, o banco traseiro é bem apertado e o assento é muito reto, criando desconforto em trajetos longos. O joelho fica tão apertado quanto em uma poltrona de avião na classe econômica. Além disso, não há saída de ar para quem senta atrás.
Por outro lado, o fato de a tampa traseira ser dividida ao meio é uma solução genial da marca. Esse recurso permite acessar mais facilmente o interior da caçamba e ocupa menos espaço de abertura em garagens apertadas, sendo ideal para o uso urbano.
![Fiat Toro Ranch [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/02/fiat-toro-ranch-azul-jazz-20-1320x743.webp)
Vale lembrar que todas as versões trazem capota marítima e protetor de caçamba como itens de série de fábrica. Ela também conta com iluminação interna na caçamba, facilitando o uso do compartimento de carga durante o período da noite.
Itens de série: Fiat Toro Ranch
- Seis airbags
- Controle de tração e estabilidade
- Chave presencial
- Partida remota
- Vidros elétricos nas quatro portas
- Retrovisor elétrico
- Bancos revestidos em couro marrom
- Banco do motorista com regulagem elétrica
- Ar-condicionado digital de duas zonas
- Frenagem autônoma de emergencia
- Farol com acendimento automático
- Sistema de manutenção em faixa
- Tração 4×4
- Freio a disco nas quatro rodas
- Roda de liga-leve de 18 polegadas
- Auto-hold
- Painel digital
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Carregador de celular por indução com ventilação
![Fiat Toro Ranch [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/02/fiat-toro-ranch-azul-jazz-32-1320x743.webp)
Veredicto
Robusta, muito econômica e boa de dirigir, a Fiat Toro atende aos anseios brasileiros de ter um carro pau para toda obra (às vezes quase que literalmente). Custando na vida real menos de R$ 200 mil, ela se torna uma alternativa interessante até mesmo aos novos SUVs chineses híbridos.
Mas, atente-se aos detalhes antes de fechar o negócio. Se precisa levar mais do que uma carona regularmente ou se faz questão de sistemas ADAS modernos, é melhor buscar uma caminhonete maior ou partir para a concorrência direta da Ford Maverick.
![Fiat Toro Ranch [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/02/fiat-toro-ranch-azul-jazz-16-1320x743.webp)
Ficha técnica Fiat Toro Ranch
- Motor: 2.2 quatro cilindros turbo diesel
- 200 cv e 45,9 kgfm de torque
- Câmbio automático de nove marchas
- Tração 4×4
- 0 a 100 km/h em 9,8 segundos
- Consumo: 10,5 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada
- Medidas: 4,95 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,67 m de altura e 2,98 m de entre-eixos
- Caçamba de 937 litros com até 1.010 kg de capavidade
- Capacidade de reboque sem freio: 400 kg
Você teria uma Fiat Toro Ranch na sua garagem ou prefere o status de uma caminhonete média usada? Conte nos comentários.


