Se para alguns menos é mais, na guerra dos motores o número de cilindros ainda é um desafio cultural. Só compro se tiver quatro cilindros, já ouvi algumas vezes de consumidores que ignoram a eficiência desses projetos. Para entender o Volkswagen Tera, contudo, basta olhar o vidro traseiro: lá está o easter egg com o Fusca e o Gol, posicionando ele como um próximo capítulo dessa linhagem.
O Volkswagen Tera oferece quatro versões, com preços entre R$ 105.626 e R$ 144.390. Sob o capô, usa motor 1.0 de três cilindros, nas opções naturalmente aspirada ou turbo, combinados às transmissões de cinco marchas ou automática de seis. Se antigamente era impossível ter assistentes de condução em uma versão de entrada, agora o jogo virou.
Afinal, esta versão inicial MPI já inclui de série a frenagem autônoma de emergência, detector de fadiga do motorista e de pedestres, bem como assistente de partida em aclives, seis airbags (frontais, laterais e de cortina), bloqueio eletrônico do diferencial, controles eletrônicos de tração e estabilidade. Só cobra por isso: a partir de R$ 105.626.

À época do lançamento, em maio do ano passado, foi oferecido inicialmente por R$ 99.990. Um tempo que pode não voltar mais, afinal, com a inclusão da cor metálica azul Ártico (R$ 1.750) sobe para R$ 107.376. O Fiat Pulse Drive 1.3 manual parte de R$ 102.990. Ao escolher pelo tom metálico cinza Silverstone (R$ 1.990), sai por R$ 104.980.
O consagrado EA211
Falando especificamente de configurações de entrada na faixa dos R$ 100.000, o Renault Kardian divide as atenções, sendo a opção manual disponível na Evolution MT (R$ 113.690), que une a caixa de seis marchas ao motor 1.0 turbinado, oferecendo 125 cv e 22,4 kgfm quando abastecido com etanol.
Sob o capô do Volkswagen Tera, está o consagrado motor 1.0 naturalmente aspirado da família EA211 com injeção multiponto e duplo comando de válvulas com variação na admissão. Em trabalho conjunto ao câmbio manual de cinco marchas MQ200, aparecem 84 cv (etanol)/77 cv (gasolina) a 6.450 rpm e torque de 10,3 kgfm e 9,4 kgfm, na ordem.


O Volkswagen Tera MPI não é um carro de desempenho, mas sim para te levar do ponto A ao B transmitindo técnica, seja do estilo da carroceria à dinâmica. Uma das características está na arquitetura MQB, que sustenta e assegura essa condução precisa. Não estamos falando de números, porém, da forma como tudo é transmitido.
A base Modularer Querbaukasten (MQB), aplicada também em outros carros, como o Polo e o Virtus, é o ponto-chave. Ela transmite a conhecida solidez da marca, bem como não sofre de ruídos aerodinâmicos vindos da carroceria de 4,14 m de comprimento. Ou seja, o Tera é maior comparado ao Polo Track 1.0 MPI, que parte de R$ 95.490 e mede 4,07 m.

Volkswagen Tera MPI na prática
Com uma relação peso-potência de 12,83 kg/cv, o Volkswagen Tera MPI atua bem nos médios giros onde ganha desenvoltura. Com 84 cv bebericando o combustível vegetal, o responsável por tornar prazerosa a dirigibilidade é a caixa MQ200. Um pináculo da engenharia pelos engates extremamente leves.
Fica a sensação que ao engatar uma marcha ela é puxada tamanha a precisão. Além disso, a posição dos pedais do acelerador, freio e embreagem não cansam após longos períodos em congestionamentos. Aliás, este último tem um ponto baixo favorecendo a movimentação do carro com o mínimo de retirada do pé do pedal.


Só que ao encarar uma subida íngreme é preciso movimentar a alavanca de câmbio e, dependendo da situação, passar da terceira para a primeira para retomar o fôlego. Nessa situação, o ruído do 1.0 de três cilindros invade a cabine, apesar de não incomodar os até cinco ocupantes. Ok, não existe almoço grátis.
Paralelamente, as suspensões adotam a clássica arquitetura McPherson no eixo dianteiro e eixo de torção atrás. O conjunto filtra e absorve bem as irregularidades do piso e ainda coopera em segurar a carroceria do Volkswagen Tera nas curvas contornadas mais rapidamente. A direção é assistida eletricamente.

Só quem procura um carro com motor 1.0 naturalmente aspirado está interessado no consumo. De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o Volkswagen Tera MPI crava 9,1 km/l (cidade) e 10,2 km/l (estrada), com etanol, e 13,2 km/l e 14,7 km/l, na gasolina, na ordem. O tanque de combustível é de 49 litros.
Conforto e espaço interno
O contato do solo é beneficiado pelos pneus de medidas 185/65 e o perfil 65 ajuda o conjunto de suspensões a trabalharem. O Volkswagen Tera é firme na medida certa, o que ajuda na desenvoltura em curvas, mas sem esquecer do conforto para quem está a bordo. Contudo, há três curiosidades.




Uma delas, está nos freios traseiros a tambor ao invés dos discos das configurações e as rodas presas por quatro parafusos contra cinco do restante da gama. Apesar disso, a lanterna muda a posição da iluminação ao pisar no pedal do freio. Já a bordo aparece uma boa habitabilidade pelas dimensões. Aliás, na ponta da fita métrica ele mede 4,14 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,47 m de altura e 2,56 m de entre-eixos.
São medidas maiores em relação ao Polo Track, que emprega a mesma mecânica EA211, oferecendo 4,07 m de comprimento, 1,75 m de largura, e os mesmos 1,47 m de altura e 2,56 m de entre-eixos. No desafio do porta-malas, o compartimento do Tera possui uma capacidade volumétrica de 350 litros contra 300 do Polo, ambos VDA. O Citroën Basalt, que oferece a opção Feel 1.0 MT (promocionais R$ 96.690) possui 490 litros.

Quem viaja na segunda fileira encontra um bom espaço para as pernas e joelhos, sendo o entre-eixos do Volkswagen Tera superior ao do Fiat Pulse (2,53 m), enquanto o Renault Kardian (2,60 m). O porta-malas de ambos oferecem 320 e 358 litros, respectivamente, para comparar.
Itens de série do Volkswagen Tera
Paralelamente à segurança garantida pela frenagem autônoma de emergência, pelo detector de fadiga do motorista e de pedestres, além dos seis airbags, o Volkswagen Tera ainda contempla alguns equipamentos de conforto e de conveniência, bem como houve uma melhora na qualidade dos plásticos empregados no acabamento.
Eles são texturizados e os comandos estão posicionados à mão. A ergonomia ainda é favorecida pela coluna de direção ajustável em altura e em profundidade. Não há carregador de smartphone por indução logo abaixo dos comandos manuais do ar-condicionado. No lugar há um espaço para guardar chaves ou o celular. Não há saídas de ar dedicadas à segunda fileira e a tampa do porta-malas exibe lata exposta.




Além disso, os bancos são inteiriços e revestidos em tecido mostrando a porção superior finalizada em um padrão que lembra jeans. O do motorista é regulável em altura. A densidade das espumas agrada pela maciez e o desenho não cansa após longas horas ao volante. Aliás, há quadro de instrumentos digital de oito polegadas e multimídia VW Play de 10,1 polegadas.
O equipamento possui conectividade Android Auto e Apple CarPlay sem fio, bem como aparecem alguns easter eggs, além do encontrado no vidro traseiro mostrando o Fusca, o Gol e o Tera. Internamente, o primeiro deles estpa perto na maçaneta com a frase See You Soon (Vejo você em breve), enquanto no porta-malas a inscrição trip mode: on! (viagem: modo ativo) acima da iluminação âmbar do compartimento de bagagens.

Veredicto
O Volkswagen Tera MPI seduz pela quantidade de itens em uma versão de entrada. Antes difícil de imaginar, ele entrega um pacote robusto, incluindo frenagem autônoma de emergência, detector de fadiga do motorista e de pedestres, seis airbags, quadro de instrumentos digital e multimídia com tela de mais de 10 polegadas. Além disso, são cinco estrelas no Latin NCAP.
Ou seja, itens de segmentos superiores em uma versão de entrada. Mas, o desempenho desta configuração MPI é apenas condizente à proposta. Caso ele custasse os R$ 99.990 da época do lançamento não teria dúvidas em recomendar. Mas, pelos atuais mais de R$ 105.000 indicaria ir para o Tera TSI ou embarcar em um Renault Kardian Evolution MT ou o Citroën Basalt para quem prioriza espaço no porta-malas.


Você pagaria mais de R$ 105.000 no Volkswagen Tera MPI ou optaria por outro modelo à venda em nosso mercado? Compartilhe sua opinião nos comentários.




Eu teria sim .que comprei um tou amando ele é lindo e muito econômico e confortável
Eu também comprei o MPI brancooooo…lindo!!!
Super econômico 16km por litro…suave na direção…
Apaixonada pelo me TERA!!!