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Jeep Commander diesel: porque chique, é ser versátil | Avaliação

Grande, refinado e com motor diesel, o Jeep Commander diesel consegue ser vários carros em um só. Especialmente na versão Overland

9 min de leitura

Quando um carro é desenvolvido no Brasil, ele tem um apelo diferente. Muito porque a montadora olha diretamente para a necessidade nacional e faz um produto que se encaixa. E o Jeep Commander diesel é exatamente um exemplo disso. Um tipo de carro que se encaixa em diversas situações.

O Jeep Commander, como um todo, já é esse tipo de carro, mas o diesel vai além. Trata-se de um SUV médio de sete lugares que quase flerta com o segmento grande. Ele carrega o DNA mais sofisticado e robusto da Jeep para construir um patamar acima do Compass e que, querendo ou não, até rouba clientes de marcas premium.

Mas, ao partir de R$ 313.190, será que a Stellantis não pesou a mão no preço do Overland diesel? E será que essa estratégia de manter somente uma versão com motor diesel faz sentido para um modelo com volume de vendas relativamente alto para sua categoria?

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

O fôlego que faltava

Quando o Jeep Commander foi originalmente lançado no Brasil em agosto de 2021, ele veio equipado com motor 1.3 quatro cilindros turbo flex e 2.0 quatro cilindros turbo diesel. Ainda que o motor diesel desse conta do recado, ao contrário do flex, ele sempre pareceu um carro um pouco mais fraco do que deveria.

Mas isso tudo mudou com o novo 2.2 quatro cilindros turbo diesel que está presente nele, man Ram Rampage, na Fiat Toro e também nas médias Titano e Dakota. Esse motor entrega 200 cv e 45,9 kgfm de torque, que já chega cedo a 1.500 rpm. Como antes, é gerenciado por um câmbio automático de nove marchas e tração 4×4.

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

Mesmo o Commander sendo um peso pesado de 1.943 kg, o motor 2.2 brilha. Ele acelera forte e sem medo, entregando performance forte mesmo carregado com sete pessoas. Um ponto interessante é que esse motor não produz ruído característico de diesel ouvindo por dentro, entregando uma experiência próximo ao que fazem marcas premium.

Na estrada, o Jeep Commander diesel mostra que o 0 a 100 km/h em 9,7 segundos é cumprido com total facilidade. As retomadas são ágeis, com direito a fôlego sobrando em ultrapassagens e momentos em que o pé fica pesado. Aliás, por conta de seu porte generoso e entre-eixos grande, ele adora uma estrada andando rápido.

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

O consumo também é algo muito bom no SUV de sete lugares da Stellantis. Oficialmente, ele marca 10,3 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada. Entretanto, durante nossos testes em estrada ele conseguiu ficar em 12,9 km/l, enquanto na cidade, mesmo com sete pessoas, manteve 11,4 km/l.

Sensação busônica

Com 4,76 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,70 m de altura e 2,79 m de entre-eixos, o Jeep Commander é um carro grande. Mas por ser mais longo do que largo, ele passa uma sensação de ser um ônibus, algo que chamo de sensação busônica. 

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

É o jeitão norte-americano de SUV e que combina com seu porte avantajado. Algo que está presente em alguns carros de mesmo porte, como GWM Haval H6, mas que não é visto em modelos como BYD Song Plus. É interessante que essa sensação busônica traz vantagens e desvantagens.

Na estrada, o porte generoso do Commander faz com que ele seja extremamente confortável e gostoso de dirigir por várias horas. Ele não cansa, entregando ótima estabilidade mesmo em velocidades mais altas e estradas sinuosas. Ao mesmo tempo que, na cidade, ele parece um elefante em uma loja de cristal.

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

Preparado para tudo

Algo inerente a todo modelo da Stellantis com a plataforma Small Wide é a robustez. O Jeep Commander é um dos maiores modelos com essa base, sendo o maior SUV já feito com a plataforma no mundo. Mas, tal qual um Renegade, é valente. Buracos, vias ruins e até lombadas podem ser ignoradas por ele tranquilamente.

A direção segue nessa proposta, entregando certa firmeza para manter a sensação de um carro mais parrudo. Ao mesmo tempo, é leve para tentar facilitar um pouco a vida na hora das manobras. Ajuda também o volante de tamanho adequado, aro grosso, mas couro com qualidade que deixa a desejar.

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

Outro ponto incômodo é o sistema de manutenção em faixa. Ele é mal calibrado, fazendo com que o volante dê socos para corrigir a trajetória ou, quando encontra a faixa, fique muito pesado para depois soltar, como se estivesse grudado. O sistema é tão irritante que, depois de testado propriamente, o desativei.

Já o piloto automático adaptativo funciona bem, e só nessa situação que a atuação no volante faz sentido para o carro. O Commander ainda conta com frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado, alerta de ponto cego, sistema de câmeras 360 graus, entre outros itens de segurança.

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

Por falar nos itens

Sendo a versão mais equipada do Jeep Commander, a Overland, o modelo diesel conta com ar-condicionado digital de duas zonas, faróis full-LED com acendimento automático e assistente de luz alta, monitoramento de pressão dos pneus, carregador de celular por indução com ventilação e chave presencial.

Traz ainda itens como bancos dianteiros elétricos com memória para o motorista, teto solar panorâmico, partida remota, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, saída de ar para a segunda fileira com comando de ventilação, revestimento interno de couro e suede, retrovisor eletrocrômico, porta-malas elétrico, sistema de som Harman Kardon e central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. 

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

Refinamento Jeep

O Jeep Commander é um carro verdadeiramente sofisticado. Apesar de usar muitos componentes internos do Compass, o SUV de sete lugares ganhou alguns detalhes de acabamento que elevaram seu padrão. A versão Overland conta com revestimento em couro marrom com suede. 

Tanto o couro, quanto o suede, tem qualidade exemplar (exceto no volante). Os bancos contam com costuras do tipo diamante com bordas em suede, mesmo material usado na faixa macia do painel. Temos ainda material emborrachado nas portas dianteiras e no painel.

Um dos pontos mais interessantes visualmente falando é a faixa central do painel que traz elementos em cobre e em imitação de madeira. Além disso, a central multimídia, elevada, tem bordas com material imitando metal, que traz uma elegância extra. Console central alto, agora com manopla de câmbio rotativa, completa o conjunto.

Pena que a qualidade de acabamento vai piorando a cada fileira. Enquanto o pessoal da frente tem portas com material macio, a segunda fileira perde o revestimento acolchoado na parte superior, mantendo apenas o couro. Já o fundão tem plásticos duros com rebarbas aparentes. 

Padrão

A Jeep merece muitos elogios por conta da central multimídia usada no Commander. Ela tem alta definição, fácil de usar e muito rápida no uso de Android Auto ou Apple CarPlay. Além disso, fica posicionada no alto, o que ajuda na visualização de mapas e sistemas.

Já o painel de instrumentos digital deixa a desejar. Ainda que a tela tenha bom brilho, a definição não é tão boa. Várias letras ficam pixelizadas e até difíceis de enxergar, especialmente em menus menores e itens de menor uso. Além disso, é lenta para transitar de um menu para o outro.

Um, dois, três

Um carro grande como o Jeep Commander entrega bom espaço, certo? De certa maneira sim. Quem senta à frente pode desfrutar de volante com regulagem de altura e profundidade verdadeiramente amplo, além de vastidão de regulagens para os bancos. 

Na segunda fileira, o Commander tem bancos sobre trilhos e que podem ser reclinados em diferentes ajustes. O acesso à terceira fileira é apertado, enquanto a turma do fundão precisa lidar com falta de espaço para os pés, mas tem uma boa área para os joelhos.

No porta-malas, o SUV da Stellantis entrega 233 litros com a terceira fileira armada, enquanto com cinco lugares ele amplia o espaço para 661 litros. Mas algumas escolhas são questionáveis. Primeiro é o botão de abertura do porta-malas, que fica na lateral do bagageiro ou, por dentro, lá no teto.

Já outra é que a Jeep tirou o tampão do porta-malas na linha 2026. Isso que eles desenvolveram um sistema prático de armazenamento do tampão para que, mesmo com sete lugares em uso, a peça ficasse dentro do Commander para uso posterior. Uma economia nada justificável. 

Veredicto

De fato o Jeep Commander Overland diesel é um carro caro. Especialmente por passar de R$ 300 mil. Mas ele entrega refinamento digno do valor que cobra. Além disso, a autonomia longa do motor diesel e a disposição próxima ao Blackhawk faz com que essa seja a versão mais equilibrada do SUV brasileiro.

No final das contas, ele atende quem precisa de sete lugares ou de um porta-malas espaçoso, é um carro grande por dentro e por fora, anda bem, é refinado e muito bem equipado. Nessa faixa de preço, a não ser que queira muito um híbrido, o Commander é uma escolha sem erro. 

Você teria um Jeep Commander? Conte nos comentários. 


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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