Ao vivo
Home » Avaliação » Leapmotor B10 mostra maturidade para o Brasil, mas carrega vícios chineses | Impressões

Avaliação

Peca em detalhes

Leapmotor B10 mostra maturidade para o Brasil, mas carrega vícios chineses | Impressões

SUV elétrico de R$ 182.990 aposta em tração traseira e bom acerto de suspensão, mas peca em detalhes chatos

7 min de leitura

A Leapmotor desembarcou no Brasil no fim de 2025 com o C10 e já havia deixado claro que o B10 viria no início de 2026. E ele chegou. O SUV elétrico estreia por R$ 182.990 e foi até apelidado no passado como o Compass elétrico, embora não tenha nada a ver, exceto o tamanho.

YouTube video

Apesar da ligação com a Stellantis, que detém 51% da marca, o B10 é um projeto totalmente chinês feito pela Leapmotor, montadora essa nascida em 2015 e ainda em forte expansão. Mas foi justamente essa Stellantis que colocou a mão no carro para adaptar ao gosto brasileiro. Tivemos um primeiro contato com o SUV elétrico para entender onde o B10 acerta e onde ainda precisa evoluir.

Acerto de suspensão 

Aos pequenos quilômetros rodados com o B10, o que se percebe é o bom acerto de suspensão. A Stellantis mexeu bastante aqui. Houve ajuste de molas, amortecedores recalibrados, buchas traseiras modificadas e até o sistema de direção foi redesenhado, tudo com base em testes para o nosso mercado.

Leapmotor B10 estático no gramado para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Na prática, o resultado aparece com a suspensão McPherson na dianteira e multilink atrás, uma combinação mais sofisticada, e entrega exatamente aquele meio-termo que o brasileiro gosta. 

Não é molenga, não fica quicando, mas também não é seco. Ele absorve buracos com suavidade, filtra bem as irregularidades, mas ainda deixa você sentir o que está acontecendo com o solo, sem isolar demais. Os pneus 235/50 R18 ajudam nesse equilíbrio, com perfil mais alto que ajuda no conforto e contato com o solo. 

Tração traseira muda a sensação de desempenho

Leapmotor B10 estático no gramado para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Debaixo do carro temos um motor elétrico traseiro com 218 cv e 24,5 kgfm, alimentado por uma bateria de 56,2 kWh. No papel, o torque até parece baixo perto dos rivais, que normalmente passam dos 30 kgfm. Só que na prática ele não parece fraco.

Como a tração é traseira, a distribuição de torque acontece de forma mais eficiente. O peso do carro joga carga no eixo traseiro durante aceleração, aumentando a aderência. Isso dá um resultado que aparenta que o carro empurra melhor que os modelos com motor dianteiro e até passa a sensação de ter mais força do que os números indicam.

Leapmotor B10 estático no gramado para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Obviamente também por ser um elétrico, ele tem sua característica inerente ao torque instantâneo, diferente de um motor a combustão. Ao pisar, o SUV entrega tudo que há disponível na hora.

Na cidade, isso é excelente. Você sai de qualquer situação com facilidade, entra em cruzamento sem esforço e responde rápido no trânsito. Na estrada, segue a mesma lógica, com retomadas rápidas e as ultrapassagens são tranquilas. O 0 a 100 km/h de 8,5 segundos não impressiona no papel, mas na prática o carro é esperto.

Direção artificial, mas seguro

Leapmotor B10 interior para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

A direção é um ponto típico de carro chinês, embora não seja tão molenga. Na verdade, o peso aqui até que está ideal para o nosso gosto, mas ela ainda passa aquela sensação artificial. Nesse caso, a assistência elétrica filtra muito as informações que vêm das rodas, o que faz ter um pouco do ponto morto no centro, com pequeno atraso quando você faz correções suaves. 

Só que o conjunto compensa. O centro de gravidade baixo, por causa da bateria no assoalho, ajuda muito. Com 1.890 kg bem distribuídos, o carro fica bem plantado. Em curvas, ele tem uma leve rolagem de carroceria, normal para um SUV, mas pouco percebido. 

Leapmotor B10 frunk
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Ele faz curva bem, permanece na trajetória e passa segurança. Na estrada, também se comporta bem, não flutua, não pula, e sem parecer instável em qualquer velocidade.

Tecnologia que ajuda… e atrapalha

Por dentro, o primeiro impacto é a ausência de botões. E aqui começa um problema. Tudo é feito pela multimídia de 14,6 polegadas que, nesse modelo, recebeu Apple Carplay e Android Auto sem fio, enquanto o C10 ainda fica de fora. Ajuste de retrovisor, iluminação, modos de condução, ar-condicionado e funções básicas. E isso irrita muito no dia a dia.

Leapmotor B10 interior para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Não é só questão de costume, é questão de segurança. Você precisa tirar o olho da estrada para mexer em funções simples. E isso não faz sentido, principalmente em um carro que tem tantos sistemas de assistência. E aí entra outro ponto irritante. Os assistentes de condução são bons, mas exagerados. O carro apita demais, corrige demais e interfere demais. E caso você desligue, quando ligar o carro de novo, tudo volta.

O piloto automático adaptativo funciona bem, a centralização de faixa também quando você quer usar. Há ainda frenagem automática, alerta de ponto cego e tráfego cruzado. É um pacote bom, mas a calibração é bem exagerada. 

Leapmotor B10 porta-malas
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

O painel digital de 8,8 polegadas é simples, mas funcional. Os bancos têm ajustes manuais e até encontra uma posição de dirigir razoável. Só que o volante tem ajuste limitado de profundidade e altura. Para quem tem 1,88 m, como eu, fica um pouco desconfortável.

Todavia, o espaço traseiro é ótimo, com quase um palmo de distância entre meu joelho e o banco da frente regulado para mim. O porta-malas, por outro lado, oferece pequenos 365 litros de capacidade.

Autonomia abaixo entre os rivais

Leapmotor B10 estático no gramado para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Um ponto negativo de fato, ao colocar o B10 contra os rivais, é sua autonomia. Segundo o Inmetro, são 288 km. E isso coloca o B10 abaixo dos grandes rivais, como o Geely EX5 com 413 km, do Omoda E5 com 345 km, Chevrolet Captiva EV com 303 km, e até do GAC Aion Y com 318 km.

Na recarga, ele vai bem e aceita até 11 kW em AC e até 84 kW em DC. Segundo a marca, vai de 30% a 80% em cerca de 16 minutos, o que é um bom número.

Veredicto

Leapmotor B10 estático no gramado para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

O Leapmotor B10 chega como uma proposta interessante, assim como seu preço agressivo, bom acerto de suspensão, desempenho esperto e dinâmica bem equilibrada. Não é perfeito. A autonomia decepciona e o excesso de comandos na tela incomoda bastante.

Mas no geral, é um carro que mostra potencial. Para quem quer entrar no mundo dos SUVs elétricos sem gastar mais de R$ 200 mil, ele se coloca como uma opção bem válida. 

Leapmotor B10 estático no gramado para avaliação e impressão
Leapmotor B10 [Auto+/Luiz Forelli]

Entrega mais do que a ficha técnica sugere e, no uso real, funciona melhor do que o esperado em relação a outros chineses, graças a boa mão da Stellantis.

E você, compraria um SUV elétrico, um Leapmotor B10? Deixe seu comentário!

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar