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E tem um primo Nissan

Outlander PHEV é um Mitsubishi com complexo de Mercedes | Avaliação

Um SUV de porte, luxuoso e eletrificado parece até coisa de Mercedes-Benz, mas é o Mitsubishi Outlander

8 min de leitura

Depois de um certo tempo à espera de um milagre, a Mitsubishi parece ter virado o jogo no Brasil em 2025. Expandiu sua linha com novas versões do Eclipse Cross, o colocando no radar dos consumidores, lançou a nova Triton e trouxe o Outlander em nova geração. Mas se a Triton foi um salto, o novo Outlander é um capítulo novo para a marca.

Construído sobre a plataforma CMF-C/D, ele é o primeiro modelo da Mitsubsihi a ser desenvolvido em uma plataforma de origem Nissan e Renault. O primeiro verdadeiro, afinal, a Mit está com mania de vender carros da Renault com seu logotipo. Aqui no Brasil, ele é vendido nas versões HPE-S de R$ 374.990 e a testada Signature de R$ 394.990.

Questão de refinamento

O grande ponto sobre o Mitsubishi Outlander é seu refinamento interno. O painel traz uma larga faixa em couro caramelo, que é acompanhado de uma segunda sessão em couro preto e pela porção superior em material macio. As portas são revestidas em couro muito acolchoado, chegando a afundar a mão de tão macio que é. 

interior Mitsubishi Outlander PEHV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Há plástico, mas em poucas áreas e sempre com texturas interessantes e boa montagem. O couro usado nos bancos e no volante também é de qualidade, enquanto as costuras caramelo ajudam a dar um toque a mais de luxo ao interior dele. As linhas horizontalizadas dominam o painel, enquanto o console alto, também com revestimento macio, divide os passageiros. 

A marca também se preocupou em deixar o nível de acabamento na traseira no mesmo nível da dianteira, com portas macias e muito couro. No quesito espaço, a fileira central corre sobre trilhos e pode ser reclinada, maximizando o espaço, que sobra com os bancos todos para trás.

Só quem senta no meio passa aperto, especialmente porque as caixinhas de cinto incomodam bem na lateral da bunda, o assento é alto e o túnel central também. Já a turma do fundão tem bancos pequenos e que exigem que a fileira central esteja avançada pois, senão, será impossível sentar ali. 

Contudo, a montagem deixa a desejar, especialmente na traseira. O Outlander faz muito barulho de acabamento na parte traseira, especialmente nas colunas C e D. Além disso, o sistema de encaixe da última fileira de bancos não deixa os assentos tão fixos. Com isso, ao passar por uma lombada, eles vão pular e fazer barulho de coisa solta.

cabine Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Oi Nissan

Alguns elementos internos do Mitsubishi Outlander são bem Nissan. O painel de instrumentos digital, por exemplo, segue à risca o layout e grafias do painel meio digital que está presente no Sentra. Ele é bem feito, fácil de usar, mas tem uma aparência envelhecida, especialmente por conta da fonte utilizada.

O mesmo vale para a central multimídia, praticamente igual à do Kicks Play no layout. Ambas as telas tem ótima qualidade, mas deixam muito claro que a arquitetura eletrônica da plataforma já está cansada. Pelo menos tem conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay além de várias entradas USB.

Uma grande vantagem do modelo, contudo, é que ele possui muitos botões. O ar-condicionado tem três zonas, duas na dianteira e mais uma na traseira, todas controladas por botões físicos no console central. Há também um botão para seleção do One Pedal e outro para o modo de gerenciamento de bateria, além de um rotor para o modo de condução.

No porta-malas, de 468 litros (ou 217 litros com a terceira fileira armada), o Outlander traz ganchos para pendurar sacolas, dois gatilhos que possibilitam dobrar a segunda fileira apenas os puxando. A tampa, que tem abertura elétrica, também conta com luzes para iluminar a área, facilitando a colocação de compras.

Outro ponto interessante é o sistema de dobra da terceira fileira. É possível armar o banco apenas puxando duas cordas. Depois, para recolher, o processo é praticamente o mesmo, onde o porta-malas parece engolir os assentos extras e provê uma área para cargas totalmente plana. O tampão, contudo, é feito de um tipo de tecido mole e barato. 

União de forças

Diferentemente das gerações anteriores do Mitsubishi Outlander, o novo modelo é vendido somente em motorização híbrida plug-in. Ele combina motor 2.4 quatro cilindros aspirado de 137 cv e 20,9 kgfm de torque com dois motores elétricos. O dianteiro tem 116 cv e 26 kgfm, enquanto o traseiro vem com 136 cv e 19,9 kgfm.

motor Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Ao todo, são 252 cv e 45,9 kgfm. Não é um carro excepcionalmente potente, visto que um GWM Haval H6 PHEV35 também é 4×4 e entrega 393 cv e 78,7 kgfm. Como o Outlander pesa 2.135 kg, sua performance fica no nível a contento. Não é um SUV super ágil e em retomadas parece faltar um certo fôlego, mas está longe de ser manco.

É interessante notar que o motor elétrico é o grande protagonista do Outlander, enquanto o motor a combustão atua somente nos momentos em que um pouco mais de força se faz necessária. Inclusive, nessas situações, ele gosta de mostrar ao que veio pelo barulho que produz. 

Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Oficialmente, o Outlander consegue fazer 11,6 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada. Contudo, durante nossos testes, ele marcou 20,3 km/l na estrada e 22,6 km/l na cidade com a carga completa. Quando a bateria acabou, a média desceu para 11 km/l nas duas situações. Na teoria, ele roda 58 km com uma carga.

O que ajuda muito nessa economia é o sistema regenerativo controlado por paddle-shifts atrás do volante. É possível aumentar a regeneração até o nível 5 ou deixar em 0 com o carro totalmente solto. Isso te permite recuperar bateria ou aproveitar ao máximo a inércia. Depois voltar a um carro sem isso é um tanto quanto difícil.

Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Dinâmica do conforto

Não espere por um Mitsubishi Lancer com cara de SUV no Outlander. Ele é um carro voltado ao conforto, com suspensão macia e confortável, além de direção bem neutra. A suspensão passa sensação de robustez e absorve bem os impactos, apesar de que o barulho do porta-malas atrapalha nessa sensação.

Outro ponto é que a suspensão traseira balança um pouco mais do que deveria, podendo levar os passageiros da segunda e terceira fileira a um certo enjoo. Em contrapartida, o SUV tem ótimos sistemas de auxílio a condução, com piloto automático adaptativo bem ajustado e frenagem autônoma de emergência sem ser invasiva.

Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Já o alerta de ponto cego se torna extremamente necessário visto que o retrovisor do lado esquerdo tem lente com zoom, o que cria um terrível ponto cego. Confesso que fechei um Corolla Cross na estrada com o Outlander porque simplesmente o SUV da Toyota havia sumido do meu campo de visão por conta dessa lente horrível e perigosa.

Itens de série

Por falar nos sistemas de auxílio a condução, o Mitsubishi Outlander ainda conta com 11 airbags, bancos dianteiros com regulagem elétrica (além de aquecimento e memória até para o passageiro), cortina no vidro traseiro, teto panorâmico, alerta de tráfego cruzado com vibração de volante, sistema de câmeras 360 graus, indicador de fadiga e chave presencial.

Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Há ainda freio de estacionamento eletrônico com função auto-hold, porta-malas com abertura elétrica, faróis full-LED com acendimento automático e assistente de luz alta, tração integral, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de head-up display.

Veredicto

O Mitsubishi Outlander é um carro caro. Afinal, entrar na seara dos R$ 400 mil é encarar modelos de luxo da Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volvo, além do superfaturado Toyota SW4. Ele entrega muito luxo, espaço interno farto (se for usado como um SUV para quatro pessoas), motorização adequada e a confiabilidade da Mitsubishi.

Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

O problema é que muitos SUVs chineses apresentam as mesmas qualidades e mais potência cobrando menos. Se a dinâmica fosse mais ao antigo estilo Mitsubishi, poderia até ter um diferencial importante, mas ela está próxima ao que os rivais do país vizinho oferecem. É um excelente carro, mas existem rivais tão bons quanto ele, mas que custam menos. 

Você teria um Mitsubishi Outlander PHEV? Conte nos comentários.


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1 comentário em “Outlander PHEV é um Mitsubishi com complexo de Mercedes | Avaliação”

  1. Marcelo

    A questão é saber se os chineses irão aguentar 4-5 anos sem problema. Temos uma Subaru Forester 17, tirada zero, hj com 135k km…o carro está impecável, anda justo, roda macio…agora será que um chinês aguenta?

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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