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Sorte não está com ele

Henrik Fisker: o homem que faliu duas marcas e processou a Tesla

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas Henrik Fisker conseguiu falir duas marcas e brigar com o dono da Tesla

5 min de leitura

Decerto, grandes empresários costumam criar diversas empresas antes de alguma dar verdadeiramente certo. Isso aconteceu com Henry Ford, que precisou de duas tentativas para o oval azul prosperar. Mas Henrik Fisker não teve a mesma sorte. Ele criou duas companhias com seu próprio nome e, surpreendentemente, viu as duas falirem.

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Quem foi Henrik Fisker

Designer automotivo de renome, Henrik Fisker nasceu em 1963 e já ocupou o cargo de chefe de design da BMW entre 1999 e 2001. Posteriormente, ele trabalhou na Ford e na Aston Martin. Seu último trabalho antes de abrir a própria empresa ocorreu na Tesla, onde o designer auxiliou na criação do Model S. E foi justamente nessa época que ele enfrentou os primeiros problemas com Elon Musk.

A primeira Fisker

Quando Henrik decidiu abrir sua própria empresa, ele fundou a Fisker Coachbuild. A companhia se especializou em modificar carros de luxo para que eles adotassem uma identidade visual própria feita pelo designer. O primeiro modelo apresentado foi o Tramonto, um Mercedes-Benz SL55 AMG modificado. Depois surgiu o Latigo CS, baseado em um BMW Série 6, do qual a marca fabricou apenas 17 unidades ao todo.

Fisker Karma prata de frente
Fisker Karma [divulgação]

A empresa evoluiu para a Fisker Automotive em 2007 com o lançamento do sedan híbrido Karma. Antes mesmo de a Tesla se tornar a gigante que conhecemos e de a BYD pensar em dominar o mundo, os carros parcialmente eletrificados representavam a grande moda. Tanto que o fundo Kleiner Perkins Caufield & Byers e o ator Leonardo DiCaprio investiram 90 milhões de dólares na Fisker.

Além disso, a companhia contraiu um empréstimo vultoso para finalizar o desenvolvimento do Karma e erguer sua fábrica. Promessas foram feitas e as expectativas do mercado eram altas. Entretanto, o Fisker Karma só ganhou as ruas em 2011 e saiu de linha logo em 2012 com a falência da empresa. Como a organização não pagou os empréstimos, a Fisker Automotive pediu concordata.

Henrik deixou o cargo na empresa em 2013 e a chinesa Wanxiang comprou os pertences da marca por 149,2 milhões de dólares. Como uma fênix, o Fisker Karma voltou às lojas como Karma Revero em 2016 exatamente como havia saído de linha. Mais tarde, o carro recebeu atualizações em 2021, quando ganhou o nome GS-6, e agora em 2025 mudou novamente para Gysera.

A segunda Fisker

Depois de voltar a personalizar carros com foco em modelos norte-americanos, Henrik decidiu trazer novamente uma marca com seu sobrenome. Assim surgiu a Fisker Inc., criada em sociedade com sua esposa Geeta Gupta-Fisker. Dessa vez, o casal traçou planos bem mais ambiciosos.

Fisker Ocean Big Sur Blue Matte in Rabbit Lake
Fisker Ocean [divulgação]

Henrik conseguiu levantar 50 milhões de dólares em financiamento, além de outros aportes de investidores. Além disso, o executivo buscou uma oferta pública inicial de ações para capitalizar a companhia. Um dos resultados imediatos foi a criação de um centro tecnológico em São Francisco em 2020 e uma nova sede em Los Angeles.

Ademais, a companhia entrou para o Russel 3000 Index e prometeu 10 milhões de investimentos em uma rede de carregamento. Tudo parecia correr bem, com direito à produção de uma família de carros na China e planos de exportação global. Mas as coisas começaram a desandar com uma rapidez impressionante.

Fisker Ocean [divulgação]
Fisker Ocean [divulgação]

Fisker recorreu à Magna Steyer, na Áustria, para produzir o seu primeiro e único carro dessa nova fase, o SUV elétrico Ocean. Todavia, ao cair nas mãos da imprensa, o veículo recebeu duras críticas. A qualidade de montagem era ruim, os sistemas eletrônicos não funcionavam corretamente e o preço se mostrava exageradamente alto frente a um Tesla.

Como resultado, a Fisker Inc. pediu falência em 2024. A marca repassou todos os Ocean não vendidos a uma companhia de leasing por módicos 14 mil dólares a unidade. Inclusive, a companhia compradora assumiu a responsabilidade por atualizações e manutenções do carro enquanto ocorria a liquidação da empresa de Henrik.

Fisker Ocean [divulgação]
Fisker Ocean [divulgação]

Processo contra a Tesla

E o processo contra a Tesla? Bem, o imbróglio ocorreu em 2008 durante o desenvolvimento do Model S e do Karma. Henrik possuía um contrato para desenhar o interior e o exterior do Tesla Model S, o que lhe deu acesso antecipado a diversas tecnologias da marca de Elon Musk. Por esse motivo, o dono do X (antigo Twitter) processou Henrik ao ver o lançamento do Karma.

Apesar de os modelos terem porte semelhante, o preço e a proposta eram totalmente diferentes. Enquanto o Tesla era puramente elétrico, o Fisker era híbrido e custava 20 mil dólares a mais. No final das contas, a justiça considerou infundadas as alegações da Tesla sobre violação da Lei Uniforme de Segredos Comerciais. Com a vitória de Henrik no tribunal, Musk teve de pagar cerca de 1,2 milhão de dólares ao rival.

Tesla Model S vermelho andando na estrada
Tesla Model S [Divulgação]

Será que Henrik Fisker vai tentar criar uma marca de carros pela terceira vez ou o mercado finalmente perdeu a paciência? Conte sua aposta nos comentários.


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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