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5 carros chineses que copiaram descaradamente modelos famosos

De Porsche Cayenne a Range Rover Evoque, conheça os carros chineses que ignoraram a propriedade intelectual e copiaram marcas de luxo

6 min de leitura

Demorou, mas atualmente as montadoras chinesas evoluíram bastante. Hoje, os veículos chineses entregam design próprio, identidade visual forte e, em vários casos, produtos competitivos de verdade. Basta observar nomes como BYD, GWM, Zeekr, Caoa Chery e outras fabricantes que ainda desembarcam no Brasil.

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Todavia, nem sempre o cenário foi positivo. No passado, principalmente nos anos 2000 e início da década passada, a história era diferente. Copiar era quase uma regra de mercado. E não se tratava de uma inspiração distante, e sim um plágio explícito. O motivo para isso é complexo.

A cultura industrial chinesa, por muito tempo, manteve um nível de proteção à propriedade intelectual muito mais frouxo do que o padrão europeu ou americano. Se o custo de copiar fosse menor do que desenvolver um projeto do zero, a conta simplesmente fechava. Há quem diga, inclusive, que algumas empresas chinesas viam a cópia como um elogio ao fabricante original.

Atualmente o cenário mudou, embora ainda há detalhes pontuais, como partes do interior do Foton Tunland que remetem à Mercedes-Benz ou o logotipo da Changan que se assemelha ao da Acura. Entretanto, o passado deixou registros curiosos e constrangedores. O Auto+ separou cinco desses casos.

Zotye SR9 é o Porsche Cayenne de 42 mil reais

Zotye SR9
Zotye SR9 [Divulgação]

O primeiro exemplo é um dos mais escancarados da indústria. O Zotye SR9 basicamente utilizou o visual do Porsche Cayenne e do Porsche Macan para chegar ao mercado chinês em 2016. Na época, o modelo custava cerca de R$ 42 mil em conversão direta, o que permitia ter um visual de SUV de luxo pelo preço de um hatch popular.

A dianteira apresentava faróis no mesmo formato arredondado, grade ampla e proporções praticamente idênticas às da Porsche. No perfil lateral, a semelhança era tamanha que um olhar rápido confundia o modelo com o utilitário alemão. A traseira também seguia a lógica das lanternas horizontais da marca de Stuttgart.

Zotye SR9
Zotye SR9 [Divulgação]

Contudo, o interior era o ponto onde a homenagem perdia qualquer pudor. O painel imitava o desenho da Porsche, com o console elevado e comandos distribuídos ao redor da alavanca de câmbio. A diferença ficava no acabamento, composto por plásticos duros e, em algumas versões, câmbio manual.

Landwind X7, a Evoque com outro nome

Landwind X7
Landwind X7 [Divulgação]

Se existe um caso clássico de pirataria automotiva, é o do Landwind X7. O veículo era uma cópia quase literal do Range Rover Evoque de primeira geração. A linha de cintura elevada, o teto inclinado e o formato das janelas laterais eram idênticos ao modelo britânico.

Até o nome Landwind carregava uma alusão direta à Land Rover. A dianteira possuía faróis um pouco mais largos, mas o conjunto visual era inconfundível. 

Landwind X7
Landwind X7 [Divulgação]

Na traseira, as lanternas eram interligadas, algo que não existia na Evoque original daquela época, mas a estrutura geral do carro não deixava dúvidas sobre a origem do design. A lanterna inclusive lembra bastante a primeira geração do Ford Territory.

Mas a situação foi tão explícita que gerou até uma disputa judicial internacional. A Land Rover levou o caso aos tribunais chineses e, anos depois, conseguiu uma decisão favorável que obrigou a Landwind a interromper as vendas do modelo. Foi um dos raros momentos em que o plágio deu consequências na China.

K-One e a adaptação do Mercedes-Benz GLA

K-One
K-One [Divulgação]

O terceiro caso envolve a K-One seu SUV. Visualmente, o veículo lembrava muito o Mercedes-Benz GLA. A grade frontal imitava o estilo da marca alemã, com o desenho centralizado e faróis semelhantes aos modelos daquela safra.

Retrovisores e proporções laterais seguiam a mesma lógica do SUV da Mercedes. Embora a linha de cintura fosse um pouco mais alta e o teto tivesse um desenho ligeiramente diferente, o conjunto geral deixava pouca margem para coincidências. Na traseira, a semelhança era menor, mas os traços ainda remetiam ao padrão visual germânico.

HuoYun Electromobile e o Smart Fortwo

HuoYun Electromobile
HuoYun Electromobile [Divulgação]

Neste exemplo, a cópia foi direcionada ao segmento dos microcarros. O HuoYun Electromobile era praticamente uma versão alternativa do Smart Fortwo. O veículo era minúsculo, com apenas duas portas e proposta estritamente urbana.

A silhueta e as proporções remetiam diretamente ao modelo da Smart. O carrinho era elétrico, com autonomia de aproximadamente 120 km e velocidade máxima limitada aos 50 km/h. O design parecia uma tentativa pouco refinada de reproduzir o modelo europeu e resultou em um visual desproporcional.

BYD Yuan e a inspiração no Ford EcoSport

BYD Yuan [divulgação]
BYD Yuan [divulgação]

Para encerrar a lista, uma marca que hoje é referência global em eletrificação, inclusive no Brasil. A BYD também passou por sua fase de cópias antes de atingir o patamar atual. Um exemplo foi o BYD Yuan, que em sua primeira geração exibia uma inspiração evidente no Ford EcoSport de segunda geração.

As proporções, a silhueta e, principalmente, o estepe pendurado na tampa traseira eram idênticos ao SUV desenvolvido pela Ford no Brasil. Até a maçaneta disfarçada junto ao conjunto de lanternas traseiras era uma reprodução fiel do modelo da Ford.

O que mudou de lá para cá

Omoda 7 PHEV [Divulgação]

É importante ressaltar que as montadoras chinesas não são mais as mesmas de 15 anos atrás. O salto tecnológico e de qualidade é evidente em produtos que hoje possuem centros de design globais e assinatura própria.

Antigamente, copiar era uma estratégia de mercado para acelerar o crescimento. Algumas dessas empresas desapareceram, enquanto outras evoluíram e aprenderam com os processos judiciais.

E você, tem mais algum carro chinês que gostaria de ver na lista? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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