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Corolla Hybrid é um sorvete de creme da Häagen-Dazs | Avaliação

É muito bom e bem feito, mas é caro e sem graça. Uma frase que se aplica tanto ao Toyota Corolla, quanto a um Häagen-Dazs de creme

Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]

Todo adulto quando passa a valorizar seu dinheiro chega a dois dilemas importantes: nunca mais levar sorvete de qualidade duvidosa do mercado e comprar ou não um Toyota Corolla. O primeiro vem do fato de que os atuais ditos “sorvetes” não passam de uma massaroca gordurosa gelada. O segundo é que o Corolla é a compra certa em muitas situações.

Mas, nesse paralelo, me peguei analisando o Toyota Corolla Altis Premium Hybrid. A versão mais cara e equipada do sedã médio, sai por R$ 198.890 se você optar pelo branco sólido. Porque esse azul, chamado de Cinza Celestial, sobe a conta a R$ 200.910. Ele é caro. Mas é bom. E muito bem feito. Igual a um sorvete de creme da Häagen-Dazs. Calma que explico.

Eficiência sem paciência

Debaixo do capô, o Toyota Corolla Hybrid traz motor 1.8 quatro cilindros aspirado flex ligado a um conjunto elétrico. É, basicamente, o mesmo sistema que o Prius passou a usar em 2009 quando chegou a terceira geração. Com apenas 122 cv e sem torque divulgado, ele fica muito atrás de outros modelos (especialmente chineses) em termos de potência e eficiência.

Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]

Segundo a Toyota, os 100 km/h são atingidos, partindo da inércia, em 12 segundos. É apenas 1,5 segundo mais rápido que boa parte dos carros 1.0 aspirados à venda no Brasil. Ou seja, rápido ele não é. Só as retomadas que são relativamente boas por conta do empuxo do motor elétrico para fazê-lo ganhar velocidade. Mas é preciso planejar ultrapassagens.

O consumo, contudo, é bom. Durante nossos testes com etanol, o Toyota Corolla marcou 12,3 km/l de média, sendo a maior parte feita em estrada. Oficialmente são 12,8 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada (lembrando que híbridos gastam mais na rodovia). Mas, um GWM Haval H6 faz parecido com gasolina, sendo maior e bem mais potente.

Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]

O jogo vira

Se a força do motor não é memorável e o consumo é apenas ok, o que faz o Toyota Corolla tão especial? O resto, literalmente. Ele é um carro muito prazeroso ao volante. sendo mais voltado ao conforto do que a uma tocada mais forte. Ainda assim, o Corolla não arrega em curvas fortes, mostrando como um sedã médio ainda é referência nesse quesito.

O rodar deste Toyota é sólido, silencioso e linear. Buracos não são problemas para ele, que absorve bem os impactos. Claro que não como um SUV, mas bem suficiente para não parecer que vai desmontar. Na direção, o Corolla tem respostas agradáveis e rápidas, voltando à neutralidade. Ou seja, não é pesada demais, nem leve e boba.

Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]

Há uma nítida falta de isolamento dos motores para a cabine, sendo possível sentir o momento em que o 1.8 flex entra em ação, sendo fonte de ruído alto e vibração. Um contraste com o bom isolamento acústico de ruídos externos e da própria suspensão. É um carro ótimo para rodar quilômetros a fio sem ficar cansado.

Tecnologia democrática

Uma das mudanças mais bem acertadas pela Toyota na linha 2024 do Corolla foi a inclusão de diversos sistemas de auxílio à condução como item de série para todas as versões. Exemplo do piloto automático adaptativo e da frenagem autônoma de emergência. Dois sistemas que funcionam bem, mas com ressalvas, especificamente para o ACC.

Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]

O sistema usado pela Toyota é mais simples, sem a função stop and go, extremamente útil. Como resultado, abaixo de 20 km/h o Corolla desativa o piloto automático, sendo algo bem irritante no trânsito. Em compensação, o sistema de manutenção em faixa funciona de maneira sublime.

De série, a versão Altis Premium ainda tem faróis com acendimento automático e assistente de luz alta, seis airbags, chave presencial, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, alerta de ponto cego, ar-condicionado digital de duas zonas e banco do motorista com regulagem elétrica.

Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]
Toyota Corolla Altis Premium Hybrid [Auto+ / João Brigato]

É como vinho

Um dos pontos em que a Toyota acertou em cheio no Corolla é em seu interior. O sedã passou por sutis mudanças na linha 2024 que trouxeram alguns acertos, mas alguns erros. A cabine é bem sofisticada, com uma alta dose de materiais macios ao toque, inclusive com qualidade muito superior à do Corolla Cross.

[Auto+ / João Brigato]
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A linha 2024 tem como grande destaque o novo painel de instrumentos totalmente digital. Ele conta com três layouts diferentes e três mostradores que podem ser alterados, gerando mais de 12 combinações diferentes. Ele é fácil de mexer, com ótima tela e intuitivo. O que contrasta com a central multimídia.

Totalmente genérica, ela parece ter sido comprada pela Toyota na 25 de março. Os menus são confusos e ela não é integrada ao carro, fazendo com que o brilho da tela seja sempre exagerado. Outro ponto é a soleira de porta, que ganhou iluminação que não se apaga com a porta fechada, mantendo um friso azul muito forte e que atrapalha na condução noturna.

Um dos pontos interessantes do Corolla é que, fora a central multimídia, tudo é muito intuitivo e fácil de usar. O ar-condicionado tem botões físicos pequenos e fáceis de usar. Na realidade, existem poucos botões no interior do Toyota, mas todos com funções únicas e sem confusão. Até o local para carregar o celular por indução é fácil de achar.

Só o espaço traseiro que é ruim. O banco é muito alto, o que faz com que pessoas de alta estatura raspem a cabeça. Eu, com 1,87 m, não consigo me sentar confortavelmente ali. O encosto de cabeça fixo é uma economia inexplicável da Toyota em um carro que passa de R$ 200 mil. Já o porta-malas, com 470 litros, é bom para a categoria.

[Auto+ / João Brigato]
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Veredicto

Dizer que o Corolla é um sorvete de creme da Häagen-Dazs não é algo pejorativo. Afinal, é um produto de muita qualidade, que é verdadeiramente saboroso e bem feito. Bem acima da média do mercado e com aquele gosto de que comprou algo que foi feito com mais carinho do que os rivais. Só é sem graça, pois há sabores de mais personalidade.

[Auto+ / João Brigato]
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Entretanto, não há absolutamente nada no Brasil que seja como ele no quesito mercado. Anunciar um Corolla de manhã é vendê-lo de tarde. A desvalorização é ridiculamente baixa e ele domina de maneira impressionante sua categoria. Nem o irmão Corolla Cross fez ele perder vendas.

Em suma, é a escolha mais racional e certeira que existe hoje no mercado brasileiro. Uma compra impossível de não ser recomendada para 90% das pessoas que buscam algo até R$ 200 mil. Mas, saiba que, apesar de muito bom e uma escolha segura que agrada a todos, é sem graça. Igual a um sorvete de creme bem feito. 

[Auto+ / João Brigato]
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