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Será que um dia compra?

Geely é obcecada pela Mercedes-Benz e a história prova isso

No fundo, o sonho da Geely deve ser comprar a Mercedes-Benz e, talvez, um dia isso se concretize

5 min de leitura

Toda criança cresce admirando alguém mais velho, quer seja um parente, um personagem da televisão ou uma celebridade. A Geely, fabricante chinesa que vem surpreendendo pelo sucesso no Brasil e em sua terra natal, elegeu a Mercedes-Benz como sua musa inspiradora. E isso ficou evidente várias vezes na história da marca.

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O início entre geladeiras e painéis de metal

Relativamente recente, a Geely nasceu em 1986 como uma fabricante de geladeiras sob o nome Bijihua. O empreendimento feito por Li Shufu enfrentou problemas com sócios na época e com a regulamentação do governo. Por isso, o empresário decidiu estudar engenharia mecânica e montou uma fábrica de painéis de metal.

Essa empresa cresceu rapidamente, mas o objetivo de Li sempre foi fabricar carros. Ele começou a fazer motos em 1994 já sob o nome Geely, sendo que o primeiro modelo foi a Huatian, baseada na Honda CH-125 Spacy. Contudo, rapidamente o projeto voltou-se à fabricação de automóveis.

A fase dos clones e a engenharia reversa

geely mercedes-benz

Fã confesso da Mercedes-Benz, Li comprou unidades do Classe E W210, o clássico dos faróis ovais quádruplos, para os desmontar. Ele fez engenharia reversa e criou clones onde a carroceria era de fibra de vidro e a mecânica baseada no Audi 100 fabricado pela Hongqi.

Essa mistureba, claro, não resultou em algo bom, pois a qualidade de construção era péssima e a produção não era viável. Apesar do nome Geely Yi Hao, que significa Geely Número Um, ele nunca foi produzido em larga escala. O primeiro carro de fato da marca foi o Haoquin, lançado em 1998.

Heely Haqing verde de frente
Heely Haqing [divulgação]

Apesar de ser um hatch compacto, o Haoquin tinha a frente inspirada no Mercedes-Benz Classe S, inclusive com a grade no estilo Mercedes. Depois, em 2005, a marca lançou o CK, modelo que tinha clara inspiração no Classe C para o desenho da dianteira e traseira, mas com proporções deveras estranhas.

A estratégia de compras e a aproximação global

A inspiração em carros da Mercedes não parou, visto que o SC7, lançado em 2011, tinha a traseira de Classe S. Mas antes disso, a marca partiu para o ataque e, em 2010, a Geely comprou a Volvo como uma tentativa de rivalizar com a Mercedes-Benz.

Volvo EX90 Ultra preto parado de frente com muro amarelo e árvores ao fundo
Volvo EX90 Ultra [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ela investiu pesado na marca sueca e a elevou de patamar justamente para a briga premium. Só que tudo que a Mercedes tocou, despertou a atenção da Geely. Tudo começou com a Aston Martin, que passou a comprar motores da Mercedes-Benz em 2013 e, em troca, recebeu 5% das ações da marca britânica.

Gradualmente, a Mercedes-Benz cresceu sua participação na Aston até chegar a 7,5% em 2020. De olho nisso, a Geely comprou 7,6% das ações da marca britânica em 2022 e depois cresceu a oferta para 17%, se tornando a majoritária. Outra montadora que despertou atenção da Geely foi a Renault.

Aston Martin DBX 2024 [divulgação]
Aston Martin DBX [divulgação]

O cerco através da Renault e a jogada na Daimler

Isso ocorre porque, desde 2010, Renault e Mercedes-Benz trabalham juntas no desenvolvimento de motores e plataformas. Inclusive, houve troca de ações entre os grupos Daimler e Aliança. Hoje em dia, elas possuem apenas acordos de desenvolvimento para modelos comerciais e ainda compartilham alguns motores.

Vendo potencial de se aproximar mais da Mercedes-Benz, a Geely comprou 34% da Renault Coreia do Sul em janeiro de 2022 e 26,4% da Renault do Brasil em 2025. Além disso, as duas criaram a Horse em 2023 para o desenvolvimento e fabricação de motores a combustão pelo mundo, motores esses que a Mercedes também usa.

Renault Boreal Iconic azul visto de frente
Renault Boreal Iconic [Auto+ / João Brigato]

Mas a grande sacada de mestre da Geely para ficar verdadeiramente próxima da Mercedes-Benz aconteceu em 2018. A Geely conseguiu 9,69% das ações da Daimler AG e se tornou a maior acionista individual do grupo. No ano seguinte, em 2019, o caminho para ser meio dona da Smart ficou muito mais fácil.

O resgate da Smart e o portfólio de luxo

A marca da estrela de três pontas havia decidido fechar a Smart depois de anos de prejuízo, contudo, a Geely veio ao resgate e propôs comprar metade da fabricante. Hoje em dia, as duas marcas cooperam juntas no desenvolvimento da Smart, unindo o design alemão à tecnologia chinesa.

Smart #1 [divulgação]
Smart #1 [divulgação]

No final das contas, tudo que a Mercedes-Benz coloca a mão, a Geely se interessa. Desde os primórdios, a fabricante chinesa se inspirou na marca alemã e vem tomando ações para se tornar mais próxima de sua musa inspiradora.

Quem sabe, um dia, ela consiga colocá-la em seu portfólio junto de Volvo, Lotus, Proton, Lynk&Co, Polestar e Zeekr.

Geely EX2 na versão de entrada Pro estático na cor cinza
Geely EX2 Pro [Auto+/Luiz Forelli]

Você acredita que a Geely ainda vai ser dona da Mercedes-Benz? Conte nos comentários.


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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