O universo da mobilidade elétrica no Brasil tem seus nichos bem definidos, principalmente no burburinho urbano. Patinetes, scooters e algumas motos de uso diário já são uma realidade nas cidades. Lá fora, no tabuleiro do mercado mundial, a quantidade de novas marcas que está surgindo com essa nova tecnologia, contudo, é assustadora. Cada dia surge uma novidade.
Verge, BBM, Stark, Hero, Mask… e elas vêm de todos os países que você imaginar. A novidade da vez, ou a de hoje, vem do mercado norte-americano. E com um detalhe: moto para off-road, meu amigo, é outra história. É um território virgem, quase inexplorado pelas montadoras que insistem em enxergar eletrificação sem considerar os desafios reais do mato, da trilha, da poeira e, principalmente, da falta de infraestrutura.
O desafio é brutal: autonomia que resista a longos percursos longe da tomada, resistência mecânica para aguentar o tranco, controle milimétrico e, fundamental, peso baixo. Até hoje, esse segmento é o reino incontestável dos motores a combustão espartanos, simples e robustos.

Torque brutal
É nesse cenário de terra batida e incerteza que a Land District ADV entra no jogo. A aposta vem da Land Moto, uma empresa sediada em Cleveland, Ohio, nos Estados Unidos. A estratégia deles é inteligente. Eles partiram de um princípio básico, mas que muitos esquecem: aventura não é sobre velocidade final. E sim torque, tração e controle. E é aí que o motor elétrico, por sua natureza, tem uma vantagem intrínseca.
O modelo ostenta o que eles chamam de sistema Enduro Evolution. E aqui os números falam alto: um torque declarado de 35,2 kgfm (sim, você leu direito, é mais que muito carro médio por aí, compatível com um esportivo do calibre do VW Jetta GLi!), potência nominal de 16 cv, com picos de até 23 cv, empurrando o conjunto a uma máxima de somente 113 km/h.

A pilotagem promete ser um capítulo à parte. Esqueça embreagem e câmbio, claro. A entrega de torque é imediata, instantânea, caso você precise. Ou progressiva, se você tiver mais juízo. Isso faz uma diferença absurda em subidas técnicas, onde o piloto precisa de tração em os tradicionais engasgos de motores e combustão, ou em terrenos soltos onde a modulação é tudo.
A cereja do bolo da usabilidade fica por conta da frenagem regenerativa e, um detalhe crucial para quem manobra em trilhas apertadas ou aclives acentuados, a marcha à ré. Funcionalidade pura. A ciclística não fica atrás da proposta off-road raiz: suspensões de longo curso e ajustáveis, 23 centímetros de altura livre do solo, rodas raiadas de 17 polegadas — o pacote completo para encarar o que vier pela frente.


Peso-pena
Mas o que realmente faz a moto elétrica Land District ADV se destacar na multidão é a balança: apenas 109 kg. Esse peso é um feito notável, leve para o padrão de motos elétricas e até mesmo para muitas trails a combustão.
A bateria de 5,5 kWh (4,8 kWh utilizáveis) promete 177 km de autonomia no ciclo urbano. No off-road, claro, esse número é relativo e vai depender da mão do piloto e da dificuldade do terreno. A praticidade fecha o pacote: carregador integrado, compatível com qualquer tomada doméstica e painel em TFT.


É uma moto pensada para a função, não para o marketing de alta velocidade. Uma abordagem pragmática para um segmento que exige exatamente isso. Acostume-se. Já já elas começam a percorrer as trilhas no entorno das cidades brasileiras.
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