A Citroën está sempre envolvida em assuntos que pode resgatar algo do seu passado, e agora a marca francesa volta aos holofotes com esse tema ao falar abertamente sobre as minivans, e até mais do que isso, deixou no ar a possibilidade de ressuscitar um nome pesado da sua história. Sim, o Picasso pode voltar.
Todo esse assunto teve início com o conceito ELO, apresentado no fim do ano passado. O protótipo mostra como a Citroën enxerga uma minivan compacta de seis lugares nos dias de hoje, isso trazendo todo design ousado da marca, o bom espaço interno e soluções inteligentes.
Ainda não há sinal verde para produção, mas o conceito deixou claro que a marca está, no mínimo, testando o terreno. E quando o assunto é sobre minivans da Citroën, é impossível não lembrar da linha Picasso.
Um nome que marcou época na Citroën
![Citroën Xsara Picasso em Brasília [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/10/citroen_xsara_picasso_49-1320x792.webp)
Batizada em homenagem ao artista Pablo Picasso, a linha virou sinônimo de criatividade, modularidade e aproveitamento de espaço. O Citroën Xsara Picasso, lançado em 1999, foi o ponto de partida e rapidamente se tornou um dos carros mais vendidos da marca no início dos anos 2000. No Brasil, foi ainda produzido em Porto Real (RJ), e trouxe o simbolismo de ser o primeiro Citroën nacional.
Depois dele vieram o Citroën C4 Picasso e o Grand C4 Picasso, que ficaram mais sofisticados e soluções super interessantes, como o para-brisa panorâmico Visiospace e versões de sete lugares.
![Citroën Grand C4 Picasso [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/08/citroen_grand_c4_picasso_8_edited-1200x720.jpg)
Já o Citroën C3 Picasso tentou traduzir a ideia de minivan para o uso urbano, inclusive no Brasil, onde deu origem ao C3 Picasso e influenciou diretamente o antigo Aircross. Com o avanço dos SUVs, a Citroën aposentou o sobrenome Picasso em 2018, rebatizando os modelos como SpaceTourer na Europa. A última minivan da marca saiu de linha globalmente em 2022. Desde então, só SUVs e hatch altinho.
O curioso é que o próprio chefe de design da Citroën, Pierre Leclercq, reconhece que a percepção sobre minivans mudou. Em entrevista à Autocar, ele afirmou que hoje já não vê problema algum em chamar o ELO de minivan.

Segundo ele, houve um tempo em que as minivans passaram a ser vistas como algo ultrapassado, pouco desejável, principalmente depois de serem engolidas pelos SUVs.
Mas tem quem diz que esse cenário está mudando, embora isso não se traduza nas vendas. O que vem acontecendo é que os SUVs cresceram bastante de tempos para cá, estão ficando caros, não só no Brasil, mas no mundo todo, e o que faz o consumidor voltar a valorizar sedãs e até minivans.
Picasso pode voltar, mas só se fizer sentido

Questionado diretamente sobre a possibilidade de um retorno do nome Picasso, Leclercq foi direto, sem cravar nada, mas também sem fechar a porta. Um “renascimento de um Picasso legal” é, nas palavras dele, algo totalmente possível.
O freio está na viabilidade. A Citroën acompanha de perto a reação do público ao conceito ELO. Se a recepção for positiva, isso vira munição interna para defender o projeto dentro do grupo Stellantis. A ideia do conceito é justamente essa. Testar, provocar, medir reação. Se o público comprar a ideia, o Picasso pode sim voltar.
O mercado mudou e isso joga a favor

Hoje, o mercado de minivans no mundo no Brasil quase não existe. Por aqui, há apenas o Chevrolet Spin, Kia Carnival e o recente GAC Aion Y. O Aircross é considerado SUV, por isso não entra na lista. Lá na Europa, há o Ford Tourneo Courier e o Citroën Berlingo.
Mas todas lá na Europa tem cara de minivan, projeto que muitas famílias descartam por não gostarem do design. E o Picasso trazia justamente isso: uma minivan com cara de carro, bem resolvida e pensada para a família.

Se a Citroën conseguir unir esse espírito com linguagem atual, eletrificação e preço competitivo, o retorno do Picasso poderia sim acontecer. Porém no Brasil, jamais. Dois motivos: aqui o mercado de SUVs ainda é super saturado; a Citroën tem uma estratégia totalmente diferente no Brasil do que na Europa.
Mas e você: acha que o mercado está pronto para a volta das minivans ou os SUVs ainda vão segurar esse espaço por mais tempo? Deixe seu comentário!



