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Citroën Picasso pode deixar de ser saudades e voltar ao mercado

Montadora do grupo Stellantis volta a flertar com o segmento e admite que o retorno do Picasso não está descartado

4 min de leitura

A Citroën está sempre envolvida em assuntos que pode resgatar algo do seu passado, e agora a marca francesa volta aos holofotes com esse tema ao falar abertamente sobre as minivans, e até mais do que isso,  deixou no ar a possibilidade de ressuscitar um nome pesado da sua história. Sim, o Picasso pode voltar.

Todo esse assunto teve início com o conceito ELO, apresentado no fim do ano passado. O protótipo mostra como a Citroën enxerga uma minivan compacta de seis lugares nos dias de hoje, isso trazendo todo design ousado da marca, o bom espaço interno e soluções inteligentes. 

Ainda não há sinal verde para produção, mas o conceito deixou claro que a marca está, no mínimo, testando o terreno. E quando o assunto é sobre minivans da Citroën, é impossível não lembrar da linha Picasso.

Um nome que marcou época na Citroën

Citroën Xsara Picasso em Brasília [divulgação]
Citroën Xsara Picasso [divulgação]

Batizada em homenagem ao artista Pablo Picasso, a linha virou sinônimo de criatividade, modularidade e aproveitamento de espaço. O Citroën Xsara Picasso, lançado em 1999, foi o ponto de partida e rapidamente se tornou um dos carros mais vendidos da marca no início dos anos 2000. No Brasil, foi ainda produzido em Porto Real (RJ), e trouxe o simbolismo de ser o primeiro Citroën nacional.

Depois dele vieram o Citroën C4 Picasso e o Grand C4 Picasso, que ficaram mais sofisticados e soluções super interessantes, como o para-brisa panorâmico Visiospace e versões de sete lugares. 

Citroën Grand C4 Picasso [divulgação]
Citroën Grand C4 Picasso [divulgação]

Já o Citroën C3 Picasso tentou traduzir a ideia de minivan para o uso urbano, inclusive no Brasil, onde deu origem ao C3 Picasso e influenciou diretamente o antigo Aircross. Com o avanço dos SUVs, a Citroën aposentou o sobrenome Picasso em 2018, rebatizando os modelos como SpaceTourer na Europa. A última minivan da marca saiu de linha globalmente em 2022. Desde então, só SUVs e hatch altinho.

O curioso é que o próprio chefe de design da Citroën, Pierre Leclercq, reconhece que a percepção sobre minivans mudou. Em entrevista à Autocar, ele afirmou que hoje já não vê problema algum em chamar o ELO de minivan.

Citroën Elo laranja visto de frente e com iluminação acesa
Citroën ELO [Divulgação]

Segundo ele, houve um tempo em que as minivans passaram a ser vistas como algo ultrapassado, pouco desejável, principalmente depois de serem engolidas pelos SUVs. 

Mas tem quem diz que esse cenário está mudando, embora isso não se traduza nas vendas. O que vem acontecendo é que os SUVs cresceram bastante de tempos para cá, estão ficando caros, não só no Brasil, mas no mundo todo, e o que faz o consumidor voltar a valorizar sedãs e até minivans. 

Picasso pode voltar, mas só se fizer sentido

Citroën ELO laranja visto de lado
Citroën ELO [Divulgação]

Questionado diretamente sobre a possibilidade de um retorno do nome Picasso, Leclercq foi direto, sem cravar nada, mas também sem fechar a porta. Um “renascimento de um Picasso legal” é, nas palavras dele, algo totalmente possível.

O freio está na viabilidade. A Citroën acompanha de perto a reação do público ao conceito ELO. Se a recepção for positiva, isso vira munição interna para defender o projeto dentro do grupo Stellantis. A ideia do conceito é justamente essa. Testar, provocar, medir reação. Se o público comprar a ideia, o Picasso pode sim voltar.

O mercado mudou e isso joga a favor

Interior do Citroën ELO com bancos alaranjados
Interior do Citroën ELO [Divulgação]

Hoje, o mercado de minivans no mundo no Brasil quase não existe. Por aqui, há apenas o Chevrolet Spin, Kia Carnival e o recente GAC Aion Y. O Aircross é considerado SUV, por isso não entra na lista. Lá na Europa, há o Ford Tourneo Courier e o Citroën Berlingo.

Mas todas lá na Europa tem cara de minivan, projeto que muitas famílias descartam por não gostarem do design. E o Picasso trazia justamente isso: uma minivan com cara de carro, bem resolvida e pensada para a família.

Painel do Citroën ELO com telas ligadas
Painel do Citroën ELO [Divulgação]

Se a Citroën conseguir unir esse espírito com linguagem atual, eletrificação e preço competitivo, o retorno do Picasso poderia sim acontecer. Porém no Brasil, jamais. Dois motivos: aqui o mercado de SUVs ainda é super saturado; a Citroën tem uma estratégia totalmente diferente no Brasil do que na Europa

Mas e você: acha que o mercado está pronto para a volta das minivans ou os SUVs ainda vão segurar esse espaço por mais tempo? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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