Enquanto o mercado global insiste em transformar qualquer carro em SUV, a Renault decidiu seguir por outro caminho na Europa. Por lá, a Dacia, marca romena do grupo, prepara uma nova perua compacta que quer fazer justamente o oposto da moda atual. Menos altura, muito espaço e preço acessível.
O modelo ainda não tem nome oficial e atende internamente pelo codinome C-Neo. Ele foi flagrado em testes no fim de novembro e agora reaparece novamente pelo site Carscoops.
Ele chegará para ocupar um espaço acima do Jogger, aproveitando o bom momento do Dacia Bigster, ou como podemos chamar, o Duster de nova geração expandido. A estreia deve acontecer em 2026, voltada exclusivamente para o mercado europeu.
Uma perua em pleno 2026, e isso é proposital

A ideia da Dacia é simples e, ao mesmo tempo, ousada. Ainda existe demanda por carros compactos, baratos e espaçosos na Europa, algo que SUVs médios já não conseguem entregar sem estourar o preço.
A CEO da Dacia, Katrin Adt, deixou isso claro ao comentar o projeto, dizendo que “existe uma demanda clara por carros acessíveis nesse segmento” e que a marca quer ocupar esse espaço. Já o chefe de vendas, Frank Marotte, disse que a intenção é “construir em cima do sucesso do Bigster”.
Plataforma conhecida

A nova perua usa a plataforma CMF-B, a mesma que sustenta Sandero, Duster, Bigster e, aqui no Brasil, o Renault Kardian, conhecida como RGMP. É uma arquitetura moderna, modular, leve e barata de produzir, exatamente o que a Dacia precisa para ter preços agressivos.
Visualmente, o protótipo abandona o formato de hatch alongado e assume de vez o perfil clássico de station wagon. Frente reta, faróis angulares com a assinatura atual da marca, grade superior estreita e para-lamas levemente musculosos.

A Dacia também decidiu puxar um pouco do visual aventureiro do Dacia Sandero Stepway, mas sem cruzar a linha do SUV. A ideia é parecer robusto mas ao mesmo tempo prático, e não alto e pesado.
Na parte mecânica, nada de surpresas. A perua terá a mesma família de motores já usada pela marca. Ou seja, motores a gasolina, versões a gás (LPG), sistema semi-híbrido e um híbrido pleno, esse que consegue tracionar as rodas, todos baseados no motor 1.2 turbo de três cilindros do grupo Renault. A potência deve variar entre 130 e 155 cv e tração integral.
Concorrência de peso

Mesmo sendo uma Dacia, rivais não vão faltar, porque na Europa esse desejo de uma station wagon ainda existe. A nova perua da Dacia vai brigar com Skoda Octavia Combi, Seat Leon Sports Tourer, Toyota Corolla Touring Sports e Hyundai i30 Tourer.
A diferença vai ficar no posicionamento, pois enquanto esses modelos pesam no preço, a Dacia quer fazer algo acessível e racional, claro tendo menos luxo e tecnologia, porém também não pelado.

Na Europa, a meta da Dacia é vender essa perua por valores abaixo de 25 mil libras, algo em torno de R$ 175 mil em conversão direta. Isso coloca o modelo bem abaixo de SUVs médios e até de algumas peruas tradicionais.
E o Brasil, mais uma vez, fica de fora
Por aqui, a história é bem diferente. O brasileiro praticamente exterminou o segmento de peruas. Hoje, tudo virou SUV, e qualquer tentativa de vender uma station wagon nova no país seria prejuízo certo.

Por isso, não há qualquer plano da Renault de trazer essa perua baseada no Kardian para o Brasil. Ela nasce e morre como um produto europeu.
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