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Mercedes-Benz EQS SUV: um universo de carro | Avaliação

São tantos mundos diferentes representando o Mercedes-Benz EQS SUV, esse elétrico é uma espécie em evolução
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
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Apesar de não usarmos esse termo no Brasil, crossover significa um carro que mistura diversas categorias diferentes. E talvez o modelo que mais represente isso seja o super luxuoso Mercedes-Benz EQS SUV. Por mais que seu nome tente indicar ao mundo que ele pertence, existem muitos universos dentro desse alemão.

Vendido no Brasil unicamente na versão 450+ de R$ 998.900, o EQS SUV é o maior e mais caro SUV elétrico da Mercedes-Benz. Basicamente ele é o Classe S dos SUVs, ou talvez o equivalente elétrico do GLS, ou simplesmente o irmão SUV do EQS. Está entendendo o motivo pelo qual esse carro tem tantos universos paralelos dentro dele?

Minivan ou SUV

Um dos pontos mais interessantes sobre a evolução dos SUVs ao longo dos anos, é que eles tomaram o lugar das minivans. Elas eram veículos essencialmente urbanos com espaço interno gigantesco e carroceria volumosa. Já os SUVs deveriam ter aptidão off-road, carroceria mais parruda e quadrada e não necessariamente um interior grande.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Olhando para o EQS SUV em comparação ao GLS, o modelo elétrico tem um visual mais próximo a uma minivan como uma Kia Carnival, mas com um pouco mais de plástico preto. O capô é grande, mas bem inclinado, enquanto a carroceria, em geral, é volumosa e bem arredondada. Um contraste com o irmão que é um SUV de fato.

Isso se reflete em alguns pontos do interior. A posição de dirigir é tipo cadeirão, bem alta. Só que, diferentemente do EQS sedã, que te passa uma sensação terrível de painel mais alto do que deveria e falta de conexão com o motorista, o SUV é mais coerente. Você de fato se senta alto e vê tudo que passa pela frente, mas de maneira típica para uma minivam.

O mesmo vale para o espaço interno, que beira o ridículo. Já volto a falar do banco dianteiro, que tem suas peculiaridades, mas atrás quem se senta é rei. Os bancos são regulados eletricamente e permitem que um passageiro de mais de 1,90 m de altura se sente atrás de um motorista de mesmo porte e ainda cruze as pernas.

Há saídas de ar individuais e regulagem de temperatura para quatro zonas. O pessoal do fundão só tem de lidar com a lerdeza interminável do banco do meio para dobrar (e depois retornar em uma posição aleatória). O espaço na terceira fileira é bem apertado, tanto para a cabeça, quanto para as pernas. Mas pessoas pequenas viajam sem problemas.

Vale ressaltar que ainda há um latifúndio em forma de porta-malas com 645 litros com os sete assentos armados ou 880 litros com a terceira fileira dobrada. Dado o preço do EQS SUV, os bancos do fundão também poderiam se dobrar de maneira elétrica, mas não é assim que é feito.

Tecnologia a serviço do mimo

Não disse que ia voltar a falar dos bancos dianteiros? É porque eles merecem um capítulo à parte. O conforto é inquestionável, especialmente por conta da qualidade do couro e pela presença de uma almofada no encosto de cabeça que eleva o nível de sofisticação a outro patamar.

[Auto+ / João Brigato]
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Se você confundir esse Mercedes com um spa, é porque a massagem dos bancos está ligada. É possível trabalhar com vibrações, rolos massageadores e até com aquecimento ou resfriamento de zonas específicas do assento para melhorar o conforto. Além disso, a cabine tem luzes ambiente que ajudam nesse processo.

Só não coloque no modo Energy, que é altamente distrativo na estrada. Nessa configuração, as luzes alternam entre azul e branco conforme a velocidade e, à noite, isso se torna irritante. Pelo menos existem diversas outras configurações possíveis e bem mais interessantes. 

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Entre os destaques ainda vale falar sobre a presença de GPS com realidade aumentada, que mostra imagens da rua com setas indicando onde entrar. Além disso, o Mercedes-Benz EQS SUV mostra o sinal de trânsito na central multimídia, sendo muito útil em momentos em que não é possível enxergar o farol por conta de onde parou.

Luz azul

Trabalhando forte em seus sistemas de condução autônoma, a Mercedes pretende em breve instalar luzes azuis nos carros para indicar que ele está rodando sem intervenção do motorista. No EQS SUV isso ainda não está disponível, mas não seria grande esforço, visto que o modelo consegue dirigir sem ajuda humana de maneira elogiável.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
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Apesar de deixar para a última hora para frear em uma parada de sinal ou de congestionamento, o piloto automático adaptativo consegue manter acelerações e frenagens de maneira bastante linear e natural. O volante, graças ao sistema de manutenção em faixa, também atua com fluidez. Está em um nível igual aos modelos da Honda e Volvo.

Dentre as tecnologias presentes, traz ainda faróis com sistema de luz adaptativa (que estranhamente funcionam pior do que o Classe C), frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado, alerta de saída segura, câmeras 360°, chave presencial, porta-malas com abertura elétrica e teto solar panorâmico.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
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Vale lembrar que no Brasil, o EQS SUV vem sempre equipado com kit AMG Line com rodas de liga-leve de 21 polegadas, eixo traseiro esterçante (que ajuda muito na hora de manobrar essa jamanta de 5,12 m de comprimento e 1,95 m de largura), além de outros itens anteriormente descritos.

Telão, madeira e couro

Ainda sobre o interior é preciso falar sobre alguns detalhes do Mercedes-Benz EQS SUV. A cabine é de um Classe S, por isso tem materiais de alta qualidade, como madeira no console e portas, além de revestimento de couro com texturas diferentes nas portas e painel – por sorte, de qualidade, ao contrário do Classe C. O volante, contudo, é igual nos dois.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
O painel de instrumentos é formado por uma tela de 12,3” de altíssima qualidade, bem personalizável e elegante. Já a central multimídia é uma televisão enorme de 17,7”, uma das maiores disponíveis no Brasil. A qualidade é ótima, assim como o sistema é fácil de ser operado e intuitivo. 

Já o passageiro conta com uma tela adicional de 12,3” para controlar alguns elementos específicos do carro. Útil, sim, mas também desnecessária. O modelo ainda traz sistema de purificação de ar e sachê para perfume. Além disso, o sistema de som Burmester 3D é de ótima qualidade e consegue reproduzir sons que em um carro comum você jamais vai ouvir.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
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Tapete mágico alemão

Dirigir o Mercedes-Benz EQS SUV é uma experiência bem diferente. Ainda que ele consiga ser maior que o Classe G, não parece. O modelo se comporta como se fosse menor, o que é interessante do ponto de vista de usabilidade urbana. É um conforto absoluto por conta de sua suspensão pneumática.

Ainda que as rodas de liga-leve de 21 polegadas possam sofrer com nosso asfalto, o EQS cai em buracos de maneira macia. Não é algo que ele gosta, mostrando nítido barulho ao fazê-lo, mas sem penalizar o motorista e passageiros. Na estrada, ele brilha pela sublime serenidade e linearidade.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
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Além disso, o silêncio na cabine é sepulcral. Ajuda o fato de ser um carro elétrico, mas o isolamento acústico chega a níveis obsessivos ao trazer vidros mais grossos e extensas camadas de materiais isolantes. Nessa época de carnaval, é capaz de você pensar que o bloquinho está há duas quadras de você, quando está logo à frente.

É grande, mas não é grande coisa

Com 2.620 kg, o Mercedes-Benz EQS SUV é muito pesado. Por isso, os 360 cv e 57,9 kgfm de torque não são exatamente grande coisa. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 6 segundos. É rápido se considerar um carro a combustão, mas nem tanto para um elétrico. A vantagem é que, mesmo com sete pessoas, o comportamento não muda.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Não vai ser o carro que vai grudar a cabeça de todos no encosto e gerar um frio na barriga, mas será forte o suficiente para deixar qualquer carro menor comendo poeira até na estrada. Há de pontuar, contudo, que o EQS SUV vibra em alguns momentos como se tivesse um motor a combustão escondido em algum lugar.

Sendo enorme como é, o modelo não é um ávido fazedor de curvas, mas surpreende por se manter mais estável do que seu tamanho gigantesco deixa parecer. Contribui para isso o fato de ter centro de gravidade mais baixo por conta das baterias, além de ter eixo traseiro esterçante, que é útil para além das manobras. 

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Direção é bem calibrada, sendo leve para rodar com conforto e sem grandes surpresas. Vale ressaltar que ele conta com paddle-shifts para controlar o freio regenerativo em três níveis – algo extremamente útil para esticar a autonomia, que já é de bons 411 km no ciclo INMETRO, mas que passa fácil dos 500 km na vida real.

Veredicto

Reunir o luxo de um Classe S, com a eletricidade dos modelos EQ e a praticidade de uma minivan, mas com uma pegada de SUV faz do EQS SUV um modelo fácil de agradar a muitos compradores. A faixa de quase R$ 1 milhão o coloca em uma zona perigosa, mas de fato existe R$ 1 milhão de carro ali.

Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz EQS SUV 450+ [Auto+ / João Brigato]
No segmento de SUVs elétricos, hoje temos apenas BYD Tan e o EQB como alternativas para quem quer sete lugares sem poluir o ambiente. O Mercedes-Benz EQS SUV é o mais luxuoso de todos eles, mas não o mais potente (que, no caso, é o BYD). Por enquanto ele é a grande referência, mas talvez precisará de reforço quando o Volvo EX90 chegar. 

Você teria um Mercedes-Benz EQS SUV na garagem? Conte nos comentários.

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João Brigato

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