A Stark Future acaba de cravar seu nome na história da indústria mundial ao levar uma motocicleta elétrica a uma altitude inédita. No dia 30 de novembro, o montanhista e piloto suíço Jiri Zak alcançou impressionantes 6.721 metros acima do nível do mar a bordo de uma Stark Varg EX, durante uma expedição nas encostas do Ojos del Salado — o vulcão ativo mais alto do planeta, localizado na fronteira entre Chile e Argentina.
A marca, registrada por meio de dados de GPS previamente calibrados e auditáveis, agora aguarda a homologação final do Guinness Book of Records. Caso seja confirmada, a conquista estabelece um novo recorde mundial para motocicletas elétricas em altitude, superando os 6.639 metros atingidos anteriormente no mesmo local pelos irmãos Francisco, Max e Tomás Rencoret.
Mais do que um simples número, o feito reposiciona o debate sobre desempenho em condições extremas, tradicionalmente dominado por motos a combustão e motores de grande cilindrada. O contexto torna a façanha ainda mais relevante. Em grandes altitudes, a rarefação do ar impõe um desafio crítico aos motores térmicos, que perdem potência à medida que o oxigênio disponível diminui.

Em expedições recentes, fabricantes como a Yamaha chegaram a anunciar tentativas superiores a 6.700 metros — como a subida divulgada em 2024 com o piloto Pol Tarrés, até 6.756 metros —, mas ainda sem validação oficial por entidades certificadoras independentes.
No caso da Stark Varg EX, a lógica se inverte. Alimentada por uma bateria de 7,2 kWh, a moto manteve entrega de potência constante ao longo da subida, sem sofrer as penalidades típicas dos motores a combustão. Em um ambiente marcado por temperaturas abaixo de zero, terreno vulcânico solto, trechos de inclinação extrema e baixa aderência, a previsibilidade da resposta elétrica tornou-se um diferencial estratégico.

“Dois anos atrás, isso era apenas um sonho. Fazer isso com uma moto elétrica, em um ambiente onde a combustão perde o fôlego, parecia improvável”, afirmou Zak após a expedição.
Maior eficiência na altitude
A escolha do Ojos del Salado não foi casual. Considerado um dos ambientes mais hostis do planeta para veículos motorizados, o vulcão chileno se tornou uma espécie de laboratório natural para testar limites mecânicos, físicos e humanos.

Ali, falhas de arrefecimento, perda de potência, problemas de lubrificação e dificuldade de controle são comuns — fatores que ajudam a explicar por que a presença de uma moto elétrica em altitudes tão elevadas ainda era vista com ceticismo.
Segundo o CEO da Stark Future, Anton Wass, o objetivo do projeto sempre foi mais amplo do que quebrar um recorde isolado. “Não se trata de marketing. Queríamos provar que a tecnologia elétrica é compromisso. A Varg pode operar no limite da atmosfera, oferecendo controle, eficiência e confiabilidade em condições extremas”, destacou o executivo.


A declaração dialoga diretamente com a estratégia da marca, que busca posicionar a Stark como referência global em performance elétrica no off-road.
Nada de preparação: a moto era de série
Outro ponto relevante é o fato de a expedição ter sido realizada com uma Stark Varg EX de série. Trata-se do primeiro modelo elétrico da marca homologado para uso em vias públicas, o que reforça o caráter do feito. Não estamos falando de um protótipo experimental ou de uma moto construída exclusivamente para recordes, mas de um produto comercial, capaz de enfrentar situações extremas sem modificações.

O recorde, se confirmado, pode representar um divisor de águas para o segmento. Mais do que desafiar os limites da engenharia, a subida da Stark Varg EX aos 6.721 metros nos Andes sinaliza uma mudança de paradigma: em certos cenários, a eletrificação deixa de ser uma alternativa e passa a ser, objetivamente, a solução mais eficiente — o silêncio elétrico começa a falar mais alto, até mesmo no topo do mundo.
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